terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A droga do momento: o crack



A maioria dos pequenos roubos e assaltos em nossa região são realizados por viciados em crack, a droga que tem baixo custo e atinge principalmente a população mais pobre.
O crack é uma mistura de cocaína, em forma de pasta não refinada com bicarbonato de sódio. Se apresenta em forma de pedra e pode ser até cinco vezes mais potentes do que a cocaína. O efeito do crack dura de cinco à dez minutos. Sua principal forma de consumo é a inalação da fumaça produzida pela queima da pedra, que
é feita com o auxílio de algum objeto como um cachimbo para o consumo, esse
cachimbo muitas vezes são construidos artesanalmente, utilizando latas, garrafas plásticas e canudos ou canetas. Os pulmões conseguem absorver quase 100% do crack inalado.
Os primeiros efeitos do crack são uma forte euforia que desaparece, repentinamente, sendo seguida por uma grande e profunda depressão. Por causa da rapidez do efeito, o usuário consome novas doses para voltar a sentir uma nova euforia e sair do estado depressivo. O crack provoca hiperatividade, insônia, perda da sensação de cansaço, perda de apetite, perda de peso e desnutrição. Após um longo tempo de uso aparecem um cansaço intenso, uma forte depressão e desinteresse sexual.
Os usuários apresentam um comportamento violento, são facilmente irritáveis. Tremores paranóia, desconfiança também são causados pela droga. Normalmente os usuários têm os lábios, a língua e a garganta queimados pela forma de consumo da substância. Apresentam problemas respiratórios como congestão nasal, tosse, expectoração de muco preto, com sérios danos nos pulmões, e o uso contínuo da droga
pode provocar derrame cerebral e ataque cardíaco, entre outros efeitos.
Pesquisadores afirmam que o crack é uma droga letal que pode matar em até seis meses.
Temos visto acompanhando os jornais, que tem crescido o número de crianças e adolescente usuários dessa droga. Da mesma forma tem crescido a criminalidade e o número de assassinatos. Como também a prostituição entre eles.
Considerando que os efeitos são rápidos eles entram num ciclo vicioso. Buscando nos assaltos e na prostituição uma forma de gerar dinheiro para comprar a droga.
Como surgiu o crack
A mídia não toca no assunto, mas segundo o jornalista e pesquisador norte-americano Ney Jansen, na década de1980 jovens dos bairros pobres de South Central de Los Angeles, Califórnia, foram devastados pelo crack. Em 18.08.1960 o jornal local San José Mercury News publicou uma série de artigos sobre como a droga se apoderou daquele território: “Os que possuem boa memória recordarão do processo contra o coronel Oliver North, que terminou com sua condenação na Justiça norte-americana. Os autos desse processo demonstraram com nomes e fatos que por vários anos a CIA e a DEA (departamento do governo norte-americano de combate ao tráfico de drogas) estiveram em contato com os chamados cartéis colombianos, protegendo a entrada de drogas nos Estados Unidos. Tal operação servia para encontrar fundos ilegais para financiar as forças opositoras ao governo sandinista da Nicarágua.
Através dos cristais que restam da fabricação da cocaína, é possível fabricar uma droga muito mais barata e mortal, adequada aos pobres, que será chamada crack.
Eis que os guetos negros de Los Angeles, onde o desemprego juvenil chega a 45%, pode ser inundado com o novo produto. Por cinco anos, de 1982 a 1987, os Contra nicaragüenses, com a cobertura de policiais e agentes norte-americanos despeja 100 quilos de cristais de coca semanais sobre o South Central (Obs.: total de 27 mil quilos).
(...) A partir dessa atividade criminosa exercida contra os negros de Los Angeles, o crack espalhou-se pelas metrópoles dos Estados Unidos e de vários países latino-americanos.
O surgimento do crack na década de 1980 tem por antecedência o papel político que as drogas desempenharam nos Estados Unidos nas décadas de 1960 a 70. É nesse período que surge o Partido dos Panteras Negras, organização da classe operária e da juventude negra do USA.
(...) Além de destruir as sedes, prender e assassinar os militantes Panteras Negras (partido radical de esquerda), a CIA e o FBI passarão, em associação com narcotraficantes da América Latina (a base do atual governo colombiano) a despejar toneladas de cocaína, maconha e heroína nos bairros negros, visando a desarticulação política, levando à dissolução do Partido.”
Em 2001, Mumia Abu Jamal, ex-militante dos Panteras Negras, escreveu artigos publicados em jornais de bairros da Califórnia e Los Angeles denunciando a participação de policiais e agentes norte-americanos na distribuição de crack nos bairros pobres para destruir a população jovem e pobre, e principalmente os militantes Panteras Negras.
Para aqueles que tem alguma dúvida sobre o envolvimento do governo norte-americano com o narcotráfico, basta lembrar que na Colômbia, 6 em cada 10 políticos tem participação no tráfico de drogas, e no Afeganistão, sob governo Taliban, toda a produção de papoula (base do ópio) foi exterminada. Com a entrada das tropas norte-americanas no país, a produção de drogas voltou com força total. O jornal New York Times, citando fontes oficiais norte-americanos, denunciou que Ahmed Wali Karzai, irmão do presidente do Afeganistão Hamid Karzai, é o maior traficante de ópio do país, senhor da guerra em Kandahar, e recebe pagamentos regulares da CIA há mais de oito anos.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

BIG BROTHER BRASIL, UM PROGRAMA IMBECIL



Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

FIM

Salvador, 16 de janeiro de 2010.

* * *

Antonio Barreto nasceu nas caatingas do sertão baiano, Santa Bárbara, na Bahia.
É autor de um dos mais recentes e estrondosos sucessos da Internet, o cordel Caetano Veloso: um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso.
Professor, poeta e cordelista. Amante da cultura popular, dos livros, da natureza, da poesia e das pessoas que vieram ao Planeta Azul para evoluir espiritualmente.
Graduado em Letras Vernáculas e pós graduado em Psicopedagogia e Literatura Brasileira.
Seu terceiro livro de poemas, Flores de Umburana, foi publicado em dezembro de 2006 pelo Selo Letras da Bahia.
Possui incontáveis trabalhos em jornais, revistas e antologias, com mais de 100 folhetos de cordel publicados sobre temas ligados à Educação, problemas sociais, futebol, humor e pesquisa, além de vários títulos ainda inéditos.
Antonio Barreto também compõe músicas na temática regional: toadas, xotes e baiões.