quarta-feira, 29 de junho de 2011

Rabino elogia liberdade religiosa no Irã




Contrariando a imprensa mundial que insiste em atacar o Irã para justificar uma futura guerra ao país por parte de potências ocidentais, um dos mais proeminentes rabinos de Nova Iorque, líder mundial do movimento Neturei Karta, Yisroel Weiss, elogiou o presidente Mahmud Ahmadinejad pela liberdade religiosa que presenciou no Irã. O rabino Weiss e sua comitiva participam em Teerã da Conferência Internacional de Luta Global contra o Terrorismo.
Judaísmo não é sionismo
O rabino fez questão de elogiar também o líder supremo da Revolução Islâmica, Ayatolá Sayyid Alí Jameneí, por diferenciar o judaísmo do sionismo. Segundo o líder dos judeus ortodoxos do movimento Neturei Karta (www.nkusa.org), a maioria dos judeus confunde o Estado de Israel com judaísmo. “Os atuais governantes de Israel são sionistas (judeus racistas), contrariando os preceitos religiosos sagrados do judaísmo. Os verdadeiros judeus são anti-sionistas e contra o Estado de Israel. Nós defendemos o Estado Palestino porque sempre vivemos em harmonia com nossos irmãos palestinos, e os sionistas tomaram o poder em Israel para trazer guerras, mortes, destruição e ódio”.
Weiss destacou que o Irã é o único país do mundo que diferencia o judaísmo do sionismo, e trata adequadamente a comunidade judaica local. Para ele, o governo de Israel “é um como um tumor canceroso que afeta não apenas a região, mas toda a comunidade judaica. Portanto,,Israel é o verdadeiro símbolo do terrorismo de Estado”. Para ele, a matança de palestinos civis inocentes pelo governo israelense vai contra os ensinamentos do livro sagrado dos judeus, o Torá.
Para participar da Conferência Global contra o Terrorismo em Teerã o rabino esteve acompanhado de uma delegação de rabinos anti-sionistas do Movimento Neturei Karta (dos Estados Unidos e Inglaterra), entre estudiosos de 60 países participantes do evento.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Comissão Árabe-Brasileira é recebida pela diretora do Departamento de Diversidade da Secretaria de Estado da Educação





A diretora do Departamento de Diversidade da Secretaria de Estado da Educação, Luciane Vanessa Fagundes Mendes, recebeu nesta quarta-feira a Comissão do Comitê Árabe Brasileiro de Solidariedade, formada por Ualid Rabah, diretor de Relações Institucionais da Federação Árabe-Palestina do Brasil - FEPAL; Omar Nasser, representante da Sociedade Islâmica do Paraná; Adilson da Costa Moreira, presidente da Associação dos Jornais de Bairros de Curitiba, e José Gil de Almeida, represente do Comitê Árabe Brasileiro de Solidariedade. Diversas outras entidades participam do Comitê, como associação de mulheres, negros e minorias, mas inicialmente a Comissão formada reduziu o número de participantes para não dar um caráter de manifestação à visita.
A reunião foi feita a pedido do Comitê de Solidariedade para tratar de temas polêmicos, como a distribuição de uma cartilha sobre o Holocausto em escolas do município de Curitiba, trazendo ofensas à comunidade árabe e islâmica. Ualid lembrou que os judeus sionistas estão promovendo um holocausto na Palestina ocupada, e lembrou os recentes massacres em Gaza.
A reunião foi produtiva e frutífera: a diretora Luciane Vanessa Fagundes Mendes se comprometeu a promover uma reunião para suprimir os textos da cartilha que ofendem os árabes e muçulmanos, e demonstrando boa vontade em atender os anseios da nossa coletividade, avançou na proposta de promover uma semana de diversidade onde os árabes e muçulmanos serão convidados a expor sua cultura em escolas de Curitiba, e convidou o professor universitário Jamil Skandar, da Sociedade Islâmica do Paraná, a participar de reuniões para definir as futuras políticas que envolvam a comunidade árabe em nosso Estado.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Porque os grandes do mundo mentem

É o título de um livro (Why leaders lie) que acaba de ser publicado por John Mearsheiner, professor de ciências políticas na Universidade de Chicago (Internazionale, 27-05- 2011, p. 5). O livro elenca mentiras graves proclamadas por Donald Rumsfeld, ex-secretário de defesa dos Estados Unidos ("Sabemos onde estão as armas de destruição em massa”), do premier italiano Sílvio Berlusconi ("A esquerda italiana quer transformar nossas cidades em acampamentos de ciganos, invadidas por estrangeiros) e por presidentes de vários países democráticos. Aliás, segundo o professor, os governos de países ditos democráticos mentem mais, já que os ditadores não precisam de mentir. Não dependem do consenso de seus cidadãos.

As mentiras dos poderosos são de vários tipos. Há as de caráter pessoal, como quando depois de eleitos, os políticos esquecem ou negam promessas de campanha. Há mentiras de conteúdo econômico. E há as que justificam ou provocam guerras, massacres de povos inteiros e lançam países em aventuras inconcebíveis e inconseqüentes, como fez George Bush e agora fazem os governos que coordenam ações militares na Líbia e em outros países. Um bispo católico de Trípoli declarou: "As tropas da OTAM estão jogando bombas sobre alvos civis, destroem hospitais e tornam nossa vida insuportável. Eram aliados de Gadafi até poucos meses. Agora apóiam os rebeldes para garantir a continuidade dos seus interesses nos poços de petróleo e minérios do país”. Nos Estados Unidos, Nethanhyahu, primeiro ministro de Israel, declarou que é a favor da paz no Oriente Médio, mas, ao mesmo tempo, deixou claro que é contrário a um Estado palestino. O que está por trás desta mentira é: "precisamos vender as armas que fabricamos e não temos contra quem usá-la a não ser contra os palestinos. Por isso, continuaremos a guerra”.

No Brasil, entre outros políticos processados, um vice-prefeito foi preso e um ex-ministro do governo está sob investigações, acusados de corrupção econômica. Como outros povos do mundo, os brasileiros estão cada dia mais preocupados com a corrupção que mina nossas instituições sociais e políticas. Por outro lado, a imprensa e os partidos de direita que não se incomodavam muito quando a corrupção era praticada por seus aliados, agora, aproveitam qualquer chance para atacar o governo. Nos anos 90, a propaganda oficial era que um remédio contra a corrupção era privatizar as empresas estatais. Privatizaram tudo o que foi possível e a corrupção continua inabalável. Nos anos mais recentes, a imprensa tem denunciado sinais de corrupção, até quando não pode prová-la. A polícia federal atua mais fortemente do que antes. Políticos que antes nunca foram incomodados têm ido para a cadeia e respondem processos. Mesmo assim, a corrupção continua. Os meios de comunicação e a sociedade em geral vêem a corrupção como uma falha moral de alguns políticos. Não percebem que, no sistema vigente no Brasil e na sociedade dominante, a corrupção é um problema em primeiro lugar político e estrutural. É mais um sintoma de doença do que uma doença em si mesma. Não adianta combater a corrupção apenas como uma falha moral de alguns políticos e não buscar as causas estruturais.

É preciso perceber que sem uma transformação no sistema social e econômico que provoca isso, nunca se resolverá esta epidemia. Um sistema econômico que mantém desigualdades tão terríveis como no Brasil não pode ser isento de corrupção. A corrupção não é apenas o roubo e a riqueza obtida de forma claramente desonesta. O lucro exorbitante dos grandes bancos, contra os quais ninguém protesta, é uma forma de corrupção do poder. Um político eleito para um tipo de programa de governo que trai seus eleitores e realiza uma gestão contrária àquela para a qual foi eleito comete uma corrupção política.
Para destruir uma praga, é preciso remover as raízes do problema. Só venceremos profundamente a corrupção quando conseguirmos, a partir das bases, organizar uma sociedade participativa que não apenas eleja governos, mas os controle e tenha o poder de, a todo momento, confirmar ou destituir os seus representantes legais. Em outros lugares do mundo isso está começando a se fazer. Os poderosos que mentem e que defendem injustiças estruturais se cuidem.


Marcelo Barros
Monge beneditino e escritor

quarta-feira, 15 de junho de 2011

As mentiras sobre a legalização de carros roubados do Brasil pela Bolívia



A imprensa brasileira está histérica com o anúncio do governo Evo Moralez de legalizar carros roubados do Brasil. A notícia não é apenas mentirosa, mas é tendenciosa. É a mais pura desinformação no rol da política subserviente da nossa mídia aos interesses criminosos do imperialismo norte-americano. Não faltou até “editorial” do Grupo Bandeirantes sugerindo uma revolta no Brasil diante da medida anunciada em La Paz.
Questionado sobre a lei boliviana que prevê a regularização de carros sem documentos em circulação no país, o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Antonio de Aguiar Patriota reconheceu o risco de que a medida regularize carros roubados, mas garantiu que Brasil e Bolívia estão em contato para evitar a legalização de carros brasileiros contrabandeados.
A lei boliviana não legaliza simplesmente, mas exige do proprietário do veículo documentos que comprovem a aquisição e origem do mesmo. Isto a mídia histérica não divulga porque o objetivo é apenas criminalizar o presidente Evo Moralez.
"A lei boliviana prevê consulta à origem dos carros. O que nós determinamos é que haja um diálogo para assegurarmos que essa lei não tenha efeito nos veículos contrabandeados brasileiros", disse o ministro Patriota.
Um dos temores da mídia nativa é de que a medida adotada pelo presidente Evo Morales aumente o narcotráfico na região de fronteira. Isso porque os carros contrabandeados do Brasil são novos e caros, vendidos no país vizinho em troca de drogas. Cabe, portanto, às autoridades brasileiras aumentar a vigilância naquela região, como vem fazendo, com o apoio do Exército.
O que a mídia histérica não diz – entre muitas outras coisas - é que Evo ordenou a ocupação da refinaria da Petrobras porque havia apenas um “contrato de gaveta” do ex-presidente FHC com os ex-presidentes bolivianos demitidos por envolvimento no narcotráfico. A ocupação obrigou o governo a negociar e hoje a Petrobras continua em solo boliviano sem problema algum.
Esperar que a mídia publicasse fatos relevantes, como o apoio do governo norte-americano e da elite peruana à candidata dos narcotraficantes do Peru, Keiko Fujimori, seria esperar demais. Felizmente venceu Ollanta Humala, para tristeza dos patrões estrangeiros da grande imprensa brasileira.