sábado, 7 de julho de 2012

Revista Veja e judeus racistas atacam jornalista do Portal Vermelho

Nestes dias, enquanto lia na sala de espera do Aeroporto de Congonhas o artigo do colunista da Veja, Reinaldo Azevedo, e do presidente da Conib (Confederação Israelita do Brasil), Claudio Lottenberg, em que desferem ataques rasteiros contra minha pessoa e o PCdoB, deparei-me com dois tipos curiosos que se sentaram ao meu lado.

Por José Reinaldo Carvalho, editor do Vermelho

Um deles lembrava em tamanho, mas não em simpatia, o Obelix dos deliciosos quadrinhos de Uderzo e Goscinny. O outro era a réplica mais-que-perfeita do “Incrível Hulk”. Absorto com a leitura, os dois gigantes não chamariam a minha atenção, senão por um detalhe na camiseta do “Hulk”: a imagem de uma caveira rodeada por armas de combate, sob a inscrição “Mercenários”. Atrás, a frase: “Se fosse fácil, não seríamos nós”.

Foi inevitável a associação com a arrogância, a truculência, a vaidade doentia – sinal de ignorância – e a exibição de força reveladas no repugnante artigo do articulista da Veja e na ata de acusação proferida pela Conib. De fato, não será fácil a empresa em que estão empenhados. Por isso, recorrem a armas que no plano moral equivalem às exibidas na ilustração do “Hulk” de Congonhas.

Esquálida direita

Figura menor e pálida da direita nacional, situado em patamar anos-luz inferior ao dos articulistas da direita de antanho, o blogueiro da Vejamanifesta uma sonora ignorância quando me chama de antissemita. De tipos assim, diria Camões: “É uma apagada e vil tristeza”. O presidente da indigitada entidade vazou o libelo-sentença na mesma linha e termos de Azevedo. Ambos ignoram que os árabes são também herdeiros de Sem, portanto semitas. Como seria antissemita quem, abraçando a causa da solidariedade internacional, defende os povos árabes agredidos pelo Estado sionista, mundialmente condenado como praticante do racismo?

Sionismo é uma forma de racismo

Como se sabe, em 10 de novembro de 1975, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a Resolução 3379, que considerou o sionismo equivalente ao racismo. Em outro contexto histórico, da ordem unipolar instaurada após a derrocada do socialismo na ex-União Soviética, o imperialismo estadunidense e seus aliados sionistas instrumentalizaram em 1991 a aprovação de outra Resolução, a 4686, que anulou a 3379. Leia a íntegra da Resolução que condena o sionismo como uma forma de racismo:

A Assembleia Geral,

CONSIDERANDO sua resolução 1904 (XVIII), de 20 de novembro de 1963, que proclamou a Declaração da ONU sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, e em particular sua afirmação de que "toda doutrina de diferenciação ou superioridade racial é cientificamente falsa, moralmente condenável, socialmente injusta e perigosa" e sua expressão de preocupação ante "as manifestações de discriminação racial ainda em evidência em algumas partes do mundo, algumas das quais são impostas por certos governos por intermédio de meios administrativos, legislativos e outros",

CONSIDERANDO que, em sua resolução 3151 (XXVIII),de 14 de dezembro de 1953, a Assembleia Geral condenou, inter alia, a perversa aliança entre o racismo sul-africano e o sionismo,

LEVANDO EM CONTA a Declaração do México sobre a Igualdade das Mulheres e Sua Contribuição para o Progresso e a Paz, proferida em 1975, na Conferência Mundial do Ano Internacional da Mulher, ocorrida na Cidade do México, de 19 de junho a 2 de julho de 1975, que promulgou o princípio de que "a cooperação internacional e a paz exigem a conquista da libertação nacional e independência, a eliminação do colonialismo e do neocolonialismo, da ocupação estrangeira, do sionismo, do apartheid e da discriminação racial em todas as suas formas, assim como o reconhecimento da dignidade dos povos e de seu direito à autodeterminação",

LEVANDO EM CONTA, ainda, a resolução 77 (XII), aprovada na Assembleia de Chefes de Estado e Governo da Organização da Unidade Africana, em sua 12a. sessão ordinária, ocorrida em Kampala, de 28 de julho a 1° de agosto de 1975, que considerou "que o regime racista na Palestina Ocupada e o regime racista no Zimbabwe e África do Sul têm em comum a mesma origem imperialista, formando um todo e tendo a mesma estrutura racista e estando organicamente ligadas em sua política de repressão da dignidade e integridade do ser humano",

LEVANDO EM CONTA, também, a Declaração Política e Estratégia para o Fortalecimento da Paz e Segurança Internacionais e para a Intensificação da Solidariedade e Assistência Mútua entre os Países Não Alinhados, aprovada na Conferência de Ministros de Assuntos Estrangeiros dos Países Não Alinhados, ocorrida em Lima, de 25 a 30 de agosto de 1975, que condenou energicamente o sionismo como uma ameaça à paz e segurança mundiais e conclamou todos os países a se oporem a esta ideologia racista e imperialista,

RESOLVE que o sionismo é uma forma de racismo e de discriminação racial.

Caldeamento de povos

O articulista da Veja e o dirigente da Conib se dão ao desfrute de atacar como antissemitas as pessoas e os países que defendem a resolução 3379/75, mas não têm como alterar os fatos históricos, nem anular a elementar verdade de que árabes e hebreus compartilham as mesmas origens.

A área conhecida como Palestina foi povoada pela tribos semitas da Península Arábica há cerca de 5.000 anos, sendo que os primeiros estados ou reinos foram estabelecidos por volta do ano 2.000 antes da nossa era (a.n.e). Oito séculos mais tarde, a tribo dos hebreus se instalou na margem oriental do Rio Jordão, depois de escapar da escravidão no Egito, estabelecendo ali o Estado Hebreu em 1.020 (a.n.e). Este Estado se dividiu em dois – o de Israel e o de Judá - em 923 (a.n.e), vindo a sucumbir o primeiro em 722 (a.n.e) e o segundo em 586 (a.n.e), quando se instala o domínio babilônico.

Sucessivamente, essa mesma área pertenceu a vários impérios: Persa, no século VI (a.n.e); Grego, no IV, e Romano, no I. No século XI de nossa era, as Cruzadas cristãs conquistam a região, mas acabaram expulsas. Foi durante as Cruzadas, a “guerra santa” cristã, que surgiu a “Jihad”, a “guerra santa” islâmica. Nelas despontou vitoriosa a espada de Saladino.

No século XVI de nossa era, a Palestina é conquistada pelos turcos e se torna parte do Império Otomano. Com a decadência deste, na esteira da derrota turca na 1ª Grande Guerra (1914-1918), o território cai sob o Mandato Britânico, quando são criadas as condições geopolíticas para a concretização dos planos dos sionistas, em conluio com a potência imperialista de então, a Grã-Bretanha.

Como ignorar o caldeamento de povos e nações que se processou desde as longínquas migrações semitas, ancestrais de árabes e judeus, e reivindicar, como fazem os sionistas, a exclusividade de descendência? Fica patente, no caso em tela, que ao contrário do que dizem, o racismo é uma perversão não minha, mas dos meus detratores.

Um debate necessário

Distante das diatribes, ameaças e condenações, julgo necessário avivar o conhecimento histórico sobre os acontecimentos que levaram à partição da Palestina, em 1947, e todo o desenvolvimento trágico da situação no Oriente Médio até os nossos dias. É indispensável examinar o papel do movimento sionista e da aliança por este estabelecida com as potências vencedoras da 1ª Guerra Mundial, principalmente o Império Britânico. Indispensável também estudar as mudanças econômicas e geopolíticas que se produziram na região a partir da descoberta das jazidas petrolíferas, promessa de virtudes, mas gerador de grandes misérias para os povos e nações que sucumbiram aos impérios.

Para ilustrar, deixo com os leitores uma citação e lanço o repto de que se realize um debate intelectual, científico sobre a história da dominação imperial e das lutas dos povos do Oriente Médio por sua independência. O Portal Vermelho está disponível para publicar as opiniões abalizadas sobre o tema, de autores de todas as nacionalidades e confissões religiosas, desde que não eivadas de preconceito e intolerância. Não tenho a menor dúvida de que inúmeros homens e mulheres de origem judaica e cidadãos de Israel, democratas e pacifistas, têm imensa contribuição a dar em tal debate, inclusive na luta por uma solução justa aos conflitos políticos no Oriente Médio. Respeito, solidariedade, espírito unitário e disposição para alianças são valores dos quais não nos afastamos.

A citação:

“Criaremos aqui na Palestina um posto avançado contra a Ásia, seremos a vanguarda do mundo civilizado contra a barbárie... A Inglaterra com as suas possessões na Ásia poderia ser a maior interessada no Sionismo. O menor caminho para a Índia é através da Palestina. Então eu acredito que na Inglaterra a ideia do Sionismo, que é uma ideia colonial, deve ser facilmente entendida”, escrevia no início do século 20 Theodore Herzl, o fundador do Sionismo.

Objetivos fracassados

Voltemos ao presente. Com suas catilinárias, o articulista da Veja e o porta-voz da Conib perseguiram três objetivos. Em todos fracassaram.

O primeiro foi a minha desqualificação. Não preciso da sua nota como credencial. Por algo terá sido que o Partido Comunista do Brasil, um partido de peso na vida nacional e internacional, escolheu-me para o posto de secretário internacional, editor da revista e do jornal oficiais e agora de um importante Portal da esquerda brasileira na internet, o Vermelho. Por questão de escala de valores, muito me orgulho disso. Há quem prefira fazer apologia dos crimes do imperialismo e do sionismo. Opção legítima de classe e de ponto de vista político-ideológico.

O segundo foi difamar-me como antissemita, através de uma deslavada mentira, a de que eu teria ofendido os judeus. Ao agirem assim, confirmam o que eu dissera antes. Recorrem ao surrado método do propagandista do nazismo, Goebbels, qual seja, o de transformar mentiras em verdades pela exaustiva repetição.

O leitor isento verá que em nenhum momento emprego no artigo que despertou a sua ira as palavras judeu ou judaísmo. Nem ataquei aos membros da Conib, cujos critérios de filiação e mecanismos de funcionamento não conheço. Por posição político-ideológica e ética, não utilizo critérios étnicos ou religiosos para efeitos políticos. Cultural e afetivamente tenho ligações profundas com pessoas de diferentes origens étnicas e confissões religiosas, inclusive judeus.

No exercício do cargo de secretário de Relações Internacionais do Partido Comunista do Brasil, por quase duas décadas, visitei cerca de uma centena de países, vários do Oriente Médio, inclusive Israel e a Palestina ocupada e martirizada. Em Al Quds-Jerusalém, fui aos templos sagrados das três religiões monoteístas. O meu Partido mantém relações com mais de duas centenas de organizações políticas mundo afora, entre elas o Partido Comunista de Israel, em cujas fileiras e quadros dirigentes tenho queridos camaradas e amigos.

Em missão no Líbano, em novembro de 2006, aonde fui participar de uma Conferência de Solidariedade quando este país foi covardemente atacado pela aviação israelense, compartilhei mesas de trabalho e de refeição, e confraternizei com delegações de juristas democráticos judeus de diferentes países da Europa. Serão antissemitas esses judeus que lá estavam a convite do Hesbolá?

Convivendo com povos do Oriente Médio e seus descendentes no Brasil, aprendi que a primeira palavra entre dois semelhantes, antes mesmo do educado e gentil “bom dia” é “Salam”, vocábulo árabe que pronuncio com gosto, assim como a hebraica “Shalom”, que tem o mesmo significado: Paz.

O meu partido é filosófica e culturalmente internacionalista, universalista, sem se afastar do patriotismo, e humanista. Minha formação política e cultural dá-me elementos de convicção para sustentar uma luta de longo fôlego pela fraternidade humana, um mundo sem fronteiras, a mesma luta a que se dedicaram inúmeros judeus, que tenho como mestres, entre tantos outros, Karl Marx, Jacob Sverdlov, Sergei Eisenstein, Ilya Ehrenburg, David Ryazanov, Julius e Ethel Rosenberg, I. Rennap, Rosa Luxemburgo, Olga Benário, Mário Schenberg, Jacob Gorender, Noel Nutels, Maurício Grabois. A lista é interminável.

O terceiro objetivo do colunista da Veja e do porta-voz da Conib foi, embaralhando as cartas, identificar o PCdoB com forças antidemocráticas. A manobra consiste em usar arbitrariamente uma espécie de novilíngua, que designa como “terrorista” quem luta contra o domínio imperialista, todo aquele que denuncia as guerras de agressão perpetradas pelos Estados Unidos, os que se opõem às bases militares, às armas nucleares, à ocupação do Iraque, do Afeganistão, da Palestina, às ameaças ao Irã e à Síria, os democratas e ativistas dos direitos humanos em luta contra as atrocidades cometidas em Abu Graib e Guantânamo.

Essa mesma novilíngua usa como xingamento a palavra “populista” para se referir aos líderes revolucionários bolivarianos que estão mudando a face e a essência da América Latina. Por coerência, essa nova versão do linguajar fascista procura anatematizar como “antissemita” as pessoas que, inspiradas por sentimentos de justiça, combatem os crimes israelenses na Palestina e em todo o Oriente Médio.

O que sou é muito diferente de antissemita. Sou, sim, anti-imperialista e antissionista, o que decorre da minha condição de comunista. Como militante de um partido revolucionário, jornalista, cientista político e humanista, não silencio nem permaneço inerte diante dos crimes do imperialismo estadunidense e do Estado sionista contra os povos árabes, em especial o palestino, e os demais povos do Oriente Médio. Igualmente, em relação às ameaças ao Irã, que provocam instabilidade política, prejudicando a paz e a segurança mundiais. Faço-o por convicção político-ideológica, por formação cultural e disciplina partidária. O PCdoB aprovou por unanimidade em seu 12º Congresso, realizado em novembro de 2009, a seguinte posição sobre os acontecimentos no Oriente Médio:

“O quadro internacional é fortemente marcado pela execução do plano de reestruturação do grande Oriente Médio, através do qual os Estados Unidos, sob o pretexto de democratizar a região, pretendem moldar regimes dóceis e submissos para facilitar a consecução dos seus objetivos estratégicos de domínio desta importante região, rica em recursos energéticos.

É uma ofensiva de grande envergadura, estendendo-se ao norte da África e à Ásia Central, onde o Paquistão surge como um importante foco de conflitos e terreno vulnerável à ação intervencionista estadunidense.

Fato da maior gravidade foi a criminosa agressão israelense contra o povo palestino na Faixa de Gaza, uma agressão que se afigurou como um verdadeiro genocídio e hediondo crime de lesa-humanidade, que foi alvo da condenação dos povos, das nações democráticas e da própria ONU.

Apesar das palavras conciliatórias do presidente estadunidense Barack Obama, o Oriente Médio continua vivendo situação tensa e explosiva e ainda não foi dado nenhum sinal de que outra política será aplicada na região.

A rigor, nada se alterou em essência no propósito de moldar regimes dóceis e submissos, sob o pretexto de democratizar a região, a fim de facilitar a consecução de objetivos estratégicos de domínio.

O Estado sionista israelense, principalmente depois da constituição de mais um governo de direita, aumenta sua arrogância, intransigência e agressividade. Já não disfarça seu propósito expansionista e de fazer de Israel um Estado étnico, religioso e integralista, o que implica a expulsão dos palestinos de sua terra.

Israel nega liminarmente o reconhecimento do Estado palestino livre, soberano e independente, com capital em Jerusalém Leste e Forças Armadas próprias. Comporta-se de maneira intransigente quanto ao repatriamento dos refugiados, sobre o que há resolução das Nações Unidas. Israel desrespeita e viola sistematicamente o direito internacional e as resoluções da ONU concernentes ao conflito árabe-israelense, como a Resolução 242, que estabelece a total retirada de todos os territórios árabes ocupados em 1967.

A agressividade israelense atinge também outros países árabes. Em 2006, sua aviação bombardeou sistematicamente o Líbano, numa outra guerra em que cometeu genocídio. Problema dos mais agudos na crise do Oriente Médio é a continuação da ocupação dos territórios sírios das Colinas de Golan”.

Na atualidade, não há lobby mais influente e poderoso do que o imperialista-sionista. Nem veículos mais mentirosos que os da mídia a serviço desse lobby. Também não há força mais devastadora no plano militar, assim como no da espionagem e da repressão. É uma força tão poderosa, que ilude, confunde e derrota os fracos e pusilânimes. Contudo, é minha convicção de que o imperialismo e seus aliados, entre eles os sionistas, são fortes temporariamente, e por piores que sejam as barbaridades que cometam, não são invencíveis, serão derrotados.

Mas mesmo agora, enquanto são tão fortes, não encontrarão eco entre os comunistas.


http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=187361&id_secao=6

Leia também:
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/dirigente-do-pc-do-b-escreve-artigo-antissemita-recheado-de-mentiras-e-direcao-do-partido-que-esta-no-governo-dilma-e-tem-a-vice-na-chapa-de-haddad-se-cala/
http://www.conib.org.br/noticia-completa.asp?id=1427
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=186305&id_secao=9

Um comentário:

  1. O COMUNISMO É DOS CAPITALISTAS JUDEUS MARX, LÊNIN, TROTSKY, JDANOV, RADEK, FRENKEL, KAGANOVIC E OUTROS ASSASSSINOS COMUNISTAS JUDEUS!

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