segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Santa Maria: A luta no luto



Por Luciana Ballestrin

Muitos de nós ainda não perdemos completamente a capacidade de nos colocar no lugar dos outros. Simpatia, empatia. No ocorrido de hoje em Santa Maria, temos vários “outros” em questão: as vítimas, familiares, amigos, colegas, vizinhos, conhecidos. Fora deste circuito está o resto. As vítimas eram jovens, estudantes universitários; muita vida, sorriso, sonhos, futuro. Quando isso é interrompido estúpida e simultaneamente para 233 pessoas no mesmo lugar, há o choque. Nas mentes, reproduz-se o cenário do horror, do pânico, do caos, da luta para sobreviver, da consciência de estar deixando o mundo sem querer. Pensa-se: tudo podia ser evitado, e se eu ou um dos meus estivessem ali, punição urgente para os “culpados”. O estranho ente “opinião pública” ronda, agora mais pluralizada pelas redes sociais. A mídia hegemônica sempre explorou e espetacularizou a dor e o sofrimento. Nas redes, belas formas de solidariedade e apoio, manifestações psicopáticas, humor deslocado. O sofrimento à distância, dizem, causa solidariedade entre estranhos na sociedade do risco. Mas, a sociedade civil tem o seu limite, a ação não se universaliza, o poder público não pode ser substituído. Como resto, pergunta-se quem são os responsáveis pelo desastre. Fiscalização, prudência, cuidado, o público, o privado. Como socióloga e professora universitária de uma universidade federal do interior do Rio Grande do Sul, imaginei meus estudantes, com os quais volta e meia brigo, ali. Esta imaginação perseguiu o meu domingo, me fez chorar. E sou o resto. Para os outros, imagino, sofrimento não quantificável, dor imensurável, pesadelo sem fim, tristeza beirando à loucura. A luta no luto. Deixo a última frase de Carlos Drummond de Andrade no poema O desaparecimento de Luisa Porto: “já não adianta procurar minha querida filha Luísa que enquanto vagueio pelas cinzas do mundo com inúteis pés fixados, enquanto sofro e sofrendo me solto e me recomponho e torno a viver e ando, está inerte gravada no centro da estrela invisível Amor”.

Fonte: Aldeia Gaulesa

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Orlando Pessuti rebate ironias de João Arruda



O ex-governador Orlando Pessuti rebateu as palavras irônicas do sobrinho do senador Roberto Requião, deputado federal João Arruda, segundo o qual, o “leilão vai durar 30 dias, pobres deputados!” Ele ironizou, no tuíter, os ex-aliados: “Estou com pena dos deputados estaduais. Me solidarizo com as viúvas porcinas do PMDB. Aquelas que foram sem nunca ter sido”. Arruda referia-se ao convite do governador Beto Richa para que Pessuti assuma a presidência da Sanepar. Entretanto, Pessuti pediu tempo para consultar suas bases e aliados.
Rebatendo as palavras irônicas de Arruda, o ex-governador Orlando Pessuti, atual secretário geral do PMDB (em uma eleição histórica onde derrotou Requião), comentou: “o amigo deputado João Arruda precisa ser lembrado, quando fala em negociação pra lá ou pra cá, quem sempre foi vendilhão do PMDB foi o tio dele Roberto Requião. Digo isso porque em 1989 Requião não apoiou Ulisses Guimarães; porque em 1994 o Requião impediu a candidatura de Elias Abrão a prefeito de Curitiba pelo PMDB e apoiou outro partido; em 2004 impediu a candidatura de Gustavo Fruet a prefeito de Curitiba pelo PMDB e apoiou o PT. Em 2010 impediu minha candidatura a governador pelo PMDB e apoiou o PDT. Quem sempre trabalhou contra os interesses do PMDB foi sempre o Requião”.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Jornal Água Verde edição de janeiro



Leia na internet: http://issuu.com/aguaverde/docs/jornal_agua_verde_janeiro

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Nem tudo está perdido



Num pequeno país vizinho, há um presidente que não abre mão de uma vida austera e modesta

"O poder não muda as pessoas, apenas revela quem elas são verdadeiramente”.
José Alberto Mujica Cordano, agricultor, ex-guerrilheiro tupamaro e atual presidente do Uruguai.
Baqueado por um gripão enervante, passei alguns dias de pernas pro ar, sem ter como produzir nada de palatável. Não sei se pela minha idade, mas a gripe consegue me tirar do sério e me remeter da sala para o fundo quarto.
Voltando à tona de mansinho, precisava de um energético cavalar, pois a minha compleição física e minhas pretensões intelectuais exigem sempre, depois do caos, compensações mais da conta.
Não é que encontrei?
Que coisa linda, que orvalho de esperanças: você precisa partilhar da mesma emoção que me possuiu ao viajar pela internet ao Uruguai a partir de uma reportagem do The New Iork Times sobre o presidente José Mujica, um poço de sabedoria, cuja vida monástica é a mais lúcida resposta aos maus hábitos inerciais dos podres poderes.
Eu já sabia das virtudes desse ex-preso político, que amargou 14 anos de cadeia na ditadura uruguaia, jamais se rendeu e, depois de ser deputado, senador e ministro, chegou à Presidência do seu país nas eleições de 2009, em nome da“Frente Ampla”, uma coalizão progressista. Alguém que pelo sofrimento pretérito me faz lembrar de Nelson Mandela, o herói sul-africano, que passou 28 anos no cárcere do apartheid.
Mas a matéria do dia 4 de janeiro do NY Times, republicada pela FOLHA DE SÃO PAULO nesta segunda-feira, tem o sabor do inusitado e a verve de um insólito desafio:
“Vários líderes mundiais vivem em palácios. Alguns gozam de regalias como ter um mordomo discreto, uma frota de iates ou uma adega com champanhes vintage.
E há José Mujica, o ex-guerrilheiro que é presidente do Uruguai.


Ele mora numa casa deteriorada na periferia de Montevidéu, sem empregado nenhum. Seu aparato de segurança: dois policiais à paisana estacionados em uma rua de terra.
Em uma declaração deliberada a essa nação pecuarista de 3,3 milhões de pessoas, Mujica, 77, rejeitou a opulenta residência presidencial de Suárez y Reyes, com seus 42 empregados, preferindo permanecer na casa onde mora há anos com a mulher, num terreno onde eles cultivavam crisântemos para vender em mercados locais”.
O que mais me tocou não foi sua opção franciscana, que já é admirável: ele não mudou nada ao se tornar presidente da República do seu país: nem trocou a chácara simples pelo palácio suntuoso, nem mudou seus hábitos.E nem por isso perdeu a autoridade de Chefe de Estado.
Mas seu modo despojado de ser me revelou em carne viva a certeza implícita do trato rigorosamente honesto com o dinheiro público; a certeza cristalina de uma vocação inarredável, que funde os rebeldes sonhos juvenis com a sabedoria anciã, num exemplo para todos, principalmente para aqueles queganharam fama no bom combate e depois, uma vez no mando, misturaram-se a corruptos e corruptores, adotando as mesmas práticas permissivas que antes abominavam.
A admiração cresce mais ainda pelo convívio diário com a prática institucionalizada de péssimos hábitos na vida política brasileira, comuns a todos os governantes, de todas as esferas e de todos os partidos. Pior: comuns em todos os pilares dos nossos podres poderes.

Modéstia como recado
Segundo sua última declaração de renda, de abril passado, seu patrimônio e o de sua esposa, a senadora Lúcia Topolansky, é de 4,2 milhões de pesos (cerca de US$ 212 mil) e inclui três terrenos, três tratores e dois carros de 1987.
O governante doa cerca de 90% de seu salário como presidente, de cerca de 12 mil pesos (US$ 9,3 mil), para a construção de casas sociais, através de entidades como o Fundo Raul Sendic (para apoiar os pequenos produtores dos setores mais pobres) e para o "Plan Juntos" destinado à construção de casas para uruguaios em extrema pobreza.
Quando não está realizando trabalhos oficiais, o chefe de Estado anda sem motorista em seu automóvel e faz suas próprias compras no bairro, ao mesmo tempo em que é comum vê-lo comendo em restaurantes populares com seus colaboradores no entorno da sede do Governo, no centro de Montevidéu.


"Se tenho poucas coisas, preciso de pouco para sustentá-las. Portanto, meu tempo de trabalho que dedico é o mínimo. E para que me resta tempo? Para gastá-lo nas coisas que eu gosto. Nesse momento acho que sou livre", disse recentemente em uma entrevista à "BBC" na qual explicava o porquê de sua austeridade.
Muitos se sentem agredidos com esse modo modesto de ser presidente da orgulhosa República Oriental do Uruguai. Mas essa é, seguramente, a forma mais incisiva de mandar o seu recado na defesa do exercício da atividade pública com o mínimo de recato e dignidade. De dizer aos cidadãos que nem tudo está perdido, que ninguém é obrigado a ser ladrão.
Será muito desconfortável para um aproveitador corrupto ser pego com a mão na massa. Porque o seu presidente é INCORRUPTÍVEL e certamente jamais recorrerá a expedientes imorais de sedução para garantir sua governabilidade.
Como não podia deixar de ser, enveredei pela internet para saber mais desse que é conhecido hoje como “o presidente mais pobre do mundo”. Encontrei muito material, inclusive uma reportagem da BBC de Londres e uma da repórter brasileira Delis Ortiz, exibida no Fantástico.
Autor: Blog do Porfírio

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Jovem se tranca no quarto para não consumar casamento com idoso



Um saudita de 90 anos está processando a família da esposa, de 15 (!!!), depois que ela se entrincheirou em um quarto a fim de evitar que o casamento fosse consumado na noite de núpcias.
Dois dias depois de trancada, a jovem conseguiu fugir e voltou para a casa dos pais.
O problema é que o marido tinha dado um bom dote para os pais da adolescente: o equivalente a cerca de 35 mil reais, de acordo com a rede "al-Arabiya".
O marido abandonado agora quer ser indenizado pelos sogros.
Mas não será fácil. A notícia do casamento provocou muitas críticas na conservadora Arábia Saudita, onde ativistas dos direitos humanos usaram o Twitter para classificar o matrimônio como "tráfico e prostituição infantil". A campanha se espalhou nas redes sociais.
O casamento envolvendo crianças e adolescentes é comuns em vários países muçulmanos, especialmente na África subsaariana e no sul da Ásia. Em Níger (África), por exemplo, 77% das mulheres entre 20 e 24 anos se casaram antes dos 18. Em Bangladesh (Ásia), 65%.

Experiência
Durante algumas viagens que fiz ao Oriente Médio, relembro que presenciei algumas situações onde velhos sauditas transportavam crianças de outros países com a desculpa de casamento – uma vez que eles podem casar até sete vezes. Trata-se da mais pura prostituição infantil, uma vez que essas meninas são compradas em países como Índia, Tailândia, Bangladesh e Niger, entre outros. Em casa são transformadas em escravas. O Reino da Arábia Saudita não tem leis que protejam as mulheres ou trabalhadores.
Em alguns voos as aeromoças se recusavam a servir os sauditas, em sinal de protesto, porque as crianças choravam o tempo todo.

José Gil

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Marinha do Brasil recebe três novos navios



Mais três novos navios reforçam o arsenal da Marinha brasileira. O navio para patrulha oceânica Amazonas chegou em 2012 e está em operação no Rio de Janeiro. O Apa já está a caminho. O Araguari também deverá chegar em 2013.
Além de serem os mais novos e modernos da Marinha, os três navios, batizados com a sigla NPaOc (Navio-Patrulha Oceânico), representam uma importante mudança de doutrina naval no país.
A guerra convencional, contra uma outra marinha hostil, continua sendo o principal foco da força naval brasileira, parte importante da dissuasão pregada pela Estratégia Nacional de Defesa.
Mas os novos navios sinalizam uma nova ênfase em guerra "assimétrica" - contra inimigos com menos poder de ataque - e defesa da lei e da ordem no mar.
Cada vez mais em todo o planeta é preciso que as marinhas lidem com problemas como narcotráfico, pirataria e contrabando. Algo semelhante ao que o Exército faz nos morros e favelas do Rio.
Ou seja, são tarefas típicas de uma guarda costeira, uma instituição rival cuja criação sempre foi bloqueada pela Marinha, apesar de existir em países como os EUA. Mas os novos navios - e outros de menor porte adquiridos antes - mostram que a Marinha está assumindo essas tarefas.
Os NPaOc são conhecidos no resto do mundo como OPV (offshore patrol vessel), navio de patrulha da costa.
São projetados para ter grande autonomia de mar, ficando mais de um mês em operação e eventualmente transportando fuzileiros navais para ações como abordagem de navios suspeitos.
Apesar do porte relativamente grande - mais de 2.000 toneladas completamente carregados -, possuem armamento leve. Não há mísseis nem torpedos. O canhão principal tem calibre 30 mm, contra 114 mm de fragatas e corvetas da Marinha.
O fato é que a Marinha descobriu que o país tem novas instalações para serem defendidas, como as plataformas de petróleo ao largo da costa.
Os três NPaOc foram uma "compra de oportunidade", como se costuma dizer no mercado internacional de armamentos. Tinham sido originariamente encomendados por Trinidad e Tobago, que desistiu da compra.
Os navios já estavam em construção. A Marinha optou pela compra, pois a fabricante, Bae Systems, fez um preço mais barato para não ter prejuízo. E incluiu a possibilidade de navios iguais serem construídos no Brasil.
Segundo comunicado da empresa, o contrato com a Marinha para fornecer os três navios de patrulha oceânica foi firmado em janeiro de 2012 por 133 milhões de libras (cerca de R$ 440 milhões).
A aquisição é importante e deve ser elogiada, mas a nossa Marinha continua defasada em termos de navios de combate de grande porte. As recentes descobertas do pré-sal exigem melhor aparelhamento da nossa defesa.
Os brasileiros ficarão mais tranquilos quando anunciarem a aquisição - ou construção - de submarinos nucleares e porta-aviões.