sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Educação: Governo investirá R$ 120 milhões em escolas da região de Curitiba

Recursos serão aplicados em 21 municípios da RMC para a construção e ampliação de novas unidades, além da implantação de quadras cobertas

Governo do Estado programa investir cerca de R$ 120 milhões, nos próximos dois anos, para a construção e ampliação de escolas em 21 cidades da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). O orçamento – que conta com recursos da União - contempla também a construção de quadras cobertas.

Apenas em 2013, a Secretaria de Estado da Educação destinará quase R$ 500 milhões para obras e infraestrutura nas escolas do Estado. Atualmente, em todo o Paraná, estão em construção 38 novas escolas, com previsão de entrega ainda para esse ano.

O anunciou foi feito nesta semana pelo governador Beto Richa, no município de São José dos Pinhais, durante a inauguração do novo prédio do Colégio Estadual Tarsila do Amaral, que também recebeu investimentos do governo estadual para sua ampliação e passou a ter capacidade para atender 700 alunos. “A educação é um instrumento de emancipação humana e social. Quando ela vai bem, as demais áreas seguem o mesmo caminho”, disse.

O governador anunciou a construção do colégio estadual Colônia Malhada no município. O lançamento da licitação para construção deverá acontecer nos próximos dias. O orçamento já está confirmado e as obras devem iniciar ainda este ano. O Estado também executará obras de ampliação do Colégio Eunice Borges e a construirá quadras cobertas nas escolas Costa Viana e Chico Mendes, que também passará por uma reforma geral.

“São José tem sido contemplada com grandes investimentos no setor industrial e produtivo, mas nada é mais importante do que investimentos na educação. O governador, sensível a nossa necessidade, anunciou mais escolas para atender nossos jovens”, disse o prefeito do município, Luiz Carlos Setim.

NÚCLEO SUL - O total de investimentos para o Núcleo Regional de Educação da Área Metropolitana Sul somará R$ 60 milhões. O núcleo inclui os municípios de Araucária, Balsa Nova, Campo Largo, Campo Tenente, Contenda, Fazenda rio Grande, Lapa, Piên, Quitandinha, Rio Negro e Tijucas do Sul.

Em Campo Largo, está prevista para março a inauguração do Colégio Estadual Geraldina na Mota. O município ganhará um Centro Estadual de Educação Profissional e uma nova unidade do Colégio Estadual Casimiro Karman, que terá as obras iniciadas nesse ano. Nos colégios estaduais São Pedro e São Paulo serão construídas quadras cobertas.

Em Tijucas do Sul, o Colégio Estadual Francisco Camargo será ampliado e, em Fazenda Rio Grande, será construído um Centro Estadual de Educação Profissional. Em Araucária, serão ampliadas as instalações do Colégio Estadual Júlio Shimanski. O investimento nessa obra é de quase R$ 1 milhão.

NÚCLEO NORTE - Para o Núcleo Regional da Área Metropolitana Norte serão destinados cerca de R$ 58 milhões, também para a construção e ampliação de novas escolas, além da viabilização de quadras cobertas. Fazem parte do núcleo os municípios de Adrianópolis, Almirante Tamandaré, Campina Grande do Sul, Campo Magro, Colombo, Itaperuçu, Pinhais, Piraquara e Rio Branco do Sul.

Colombo está entre as cidades que terão novos equipamentos. No município será construída uma nova unidade do Centro de Educação Colombo\Grande Guaraituba. O Colégio Estadual Genésio Moreschi será ampliado e outros cinco colégios estaduais terão quadra coberta – Dom João, Bosco, Helena, Kolody, João de Camargo, Plínio Tourinho e Raulino Costacurta.

Em Almirante Tamandaré está em construção um Centro Estadual de Educação Profissional e a Escola Estadual Rosa Johnson será ampliada. Também está prevista a construção de uma nova unidade da Escola Estadual Jardim Apucarana.

Em Piraquara, a Escola Estadual Professora Rosilda de Souza Oliveira terá quadra coberta. Também estão planejadas para o município novas unidades da Escola Estadual Indígena Mbya Arandu, e das escolas estaduais de Guarituba e do Jardim Holandês.

PARANÁ – Neste ano, a Secretaria da Educação destinará quase R$ 500 milhões para obras e infraestrutura nas escolas da rede estadual. Atualmente estão em construção 38 novas colégio, com previsão de entrega até dezembro de 2013. Somados aos novos projetos já licitados ou em elaboração, o Paraná terá 82 novas escolas em construção em 2013, em várias regiões do Estado.

Do total das novas obras, 22 são específicas para o ensino profissionalizante. Doze delas estão quase prontas e seis já licitadas. Das novas construções, 15 serão com recursos próprios do Estado. Nesse pacote estão três escolas em Curitiba: Ganchinho, Moradias Itaqui e Moradias União. Outras duas na região metropolitana, em Piraquara e São José dos Pinhais (Colônia Malhada).

Além da construção de novas escolas, a secretaria destinará recursos descentralizados para reparos. Em 2013 serão beneficiadas 500 escolas com verbas de até R$ 150 mil por escola. Nessa modalidade, a comunidade escolar define as prioridades e aplica os recursos naquilo que foi decidido em comum acordo. Cerca de 100 escolas especiais do Paraná também receberão recursos descentralizados para reformas e custeio.

Com recursos próprios, o Governo do Paraná fará ainda ampliações em 52 escolas e colégios estaduais. Outras 20 unidades serão ampliadas com recurso federal.

TECNOLOGIA - A Secretaria da Educação continuará investindo novos equipamentos para as escolas. Outra meta é levar internet em banda larga e sem fio para dentro das salas de aula de todas as escolas da rede estadual. Com o sistema (Wi-Fi), cada sala de aula de aula terá um computador com projetor multimídia integrado, que permitirá ao professor projetar conteúdos educacionais em qualquer superfície, como uma lousa digital.

Outra facilidade que a tecnologia trará para os professores é o registro de classe e o lançamento de notas on-line, além de consultar livros e outros conteúdos digitais. A secretaria já começou a capacitação de técnicos e multiplicadores que repassarão o conhecimento aos professores.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A Saúde vai bem. E vai melhorar




* Beto Richa

Iniciamos um novo ano de gestão à frente da administração do nosso Estado e é importante mostrar ao cidadão os bons resultados conquistados até aqui. Nunca é demais lembrar que o Paraná, ao final de 2010, tinha um grave desequilíbrio financeiro e orçamentário, de tal forma que a capacidade de investimento do Estado estava sufocada.

Ao mesmo tempo em que se afugentava o capital privado - sem deixá-lo aquecer a economia do Estado ao criar empregos e geração de renda -, tínhamos obras estruturalmente precárias, contratos irregulares, hospitais inaugurados sem nenhuma condição de atender as pessoas, contas maquiadas, despesas autorizadas sem empenho, etc. Havia um déficit financeiro e orçamentário da ordem de R$ 4,5 bilhões.

Na área da Saúde, uma de nossas prioridades, o avanço é notável e gostaria de dividir as informações com cada paranaense. Lançamos nos dois primeiros anos quatro programas estruturantes (ApSUS, ComSUS, HospSUS e Farmácia do Paraná) que apóiam as redes de atenção à saúde - Mãe Paranaense, de Urgência e Emergência, Saúde Mental, Saúde da Pessoa Idosa, Saúde da Pessoa com Deficiência. Ao mesmo tempo, mais de 1,3 mil profissionais foram contratados e mais de 30 mil receberam capacitação para melhorar o atendimento.

O trabalho com os municípios foi fundamental para melhorar a saúde em todos os sentidos. Especialmente na parceria com o governo do Estado para a implantação do Programa Mãe Paranaense. Houve a integração de 50 hospitais públicos e filantrópicos unidos pela redução da mortalidade materna e infantil, numa grande rede para atender as mães e os bebês.

Assim conseguimos a maior redução da mortalidade materna no Brasil, segundo informações do Ministério da Saúde. Houve uma redução de 21,4% no número de mortalidade materna em dois anos. A de mortalidade infantil foi reduzida em 4,1%. Em ambos os casos, foram as quedas mais expressivas da história. Além disso, conseguimos uma redução de mais de 90% do déficit de leitos em UTIs neonatal no Estado. O Paraná passou do décimo ao quarto lugar no número de transplantes de órgãos no país e conseguimos zerar a fila para transplante de córneas.

Em 2013, serão mais 151 hospitais integrados à esta rede estadual da saúde. Além deles, já instalamos dois centros regionais de especialidades médicas, um em Pato Branco e outro em Toledo, que reúnem em só lugar consultas, exames especializados e cirurgias. Neste ano, inauguraremos mais seis.

Os Samu´s (Serviço de Atendimento Móvel de Emergência) já atendem 158 cidades ou 65% de nossa população. Queremos ampliar este percentual de forma significativa. Inclusive, determinei o resgate aéreo, colocando os aviões e helicópteros do Estado a serviço da Saúde, sem quaisquer burocracias.

Nos primeiros anos de nosso governo, em trabalho com as prefeituras, concluímos 72 novas unidades da saúde e estamos construindo outras 70. Até 2014, vamos viabilizar 400 unidades. E há ainda uma informação importante: em atendimento à Emenda 29 e por nossa determinação, o setor de Saúde receberá mais R$ 1,5 bilhão de recursos até 2015.

Como na saúde, estamos cuidando de todos os aspectos da vida dos paranaenses. Temos resultados expressivos na Educação, Habitação, Infraestrutura, Segurança, Justiça, Agricultura, Indústria e Comércio, Desenvolvimento Urbano, Desenvolvimento Social, Meio Ambiente, Cultura, e Esporte.

Mais que isso, estamos atentos a todas demandas da nossa população e em busca das melhores soluções para fazer com que o paranaense de todas as idades tenha um desenvolvimento concreto e perceptível, o que já pode ser atestado concretamente, sem arroubos de retórica, promessas ou discursos vazios.

Assim continuaremos para cumprir nosso plano de trabalho, registrado em cartório, que visa, sobretudo, consolidarmos um Paraná justo, onde haja respeito, progresso, liberdade, trabalho, solidariedade e justiça social.

* Beto Richa é governador do Paraná

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A CIA matou Lino Oviedo?



A história da CIA na América Latina é marcada pelo assassinato de diversos presidentes e autoridades nacionalistas. A defesa da soberania dos países e da nacionalidade contrariam os interesses criminosos do governo norte-americano em nosso continente, cujo único interesse é explorar impunemente as riquezas naturais dos povos e países, pela força das armas ou pela corrupção de políticos e imprensa.
Diversos publicitários brasileiros, da cidade de Curitiba, que trabalhavam na campanha de Lino Oviedo no Paraguai, contaram que nos dias que antecederam o assassinato do general, havia uma tensão muito forte em Assunção.
Lino Oviedo havia conseguido unir forças de esquerda e de direita no apoio à sua candidatura, o que o levaria à vitória na atual campanha presidencial. Do outro lado existe um candidato ligado ao crime organizado, à máfia paraguaia.
Algumas reuniões realizadas por autoridades paraguaias que apoiavam Lino Oviedo tiveram de ser realizadas no país vizinho, Uruguai, diante do clima de pressão e perseguição aos apoiadores de Oviedo.
Alguns brasileiros informaram que tiveram de se registrar no escritório da CIA em Assunção, com a desculpa de impedir que fossem atacados pela máfia paraguaia. Haveria dois escritórios da CIA em Assunção, um deles formado pela “banda podre”, e outro escritório mais “diplomático”, isto é, não envolvido diretamente com o crime organizado.
A derrubada do helicóptero que transportava Lino Oviedo no chaco paraguaio foi uma explosão programada. Partes dos corpos dos ocupantes foram encontradas há mais de 140 metros de distância do local da queda, revelando que houve sabotagem, possivelmente realizada pela CIA, porque o governo norte-americano não tem interesse em eleger um presidente nacionalista para presidir o Paraguai, dentro de sua estratégia de fomentar conflitos entre os países latino-americanos, tentando dividir o bloco Mercosul.
Durante o governo do presidente Luiz Gonzalez Macchi (1999-2003) houve uma tentativa de vender a Binacional Itaipu para um grupo norte-americano ligado ao então presidente George W. Bush. O projeto não prosperou porque o general Lino Oviedo e seus apoiadores impediram que fosse levado à votação no Congresso.
Entre as causas da morte do general Lino Oviedo está sua honra, coragem, nacionalismo à toda prova, que contrariava interesses poderosos em um país onde o crime organizado é muito forte, envolve grande parte dos políticos, e atua em conluio com a CIA.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Lino Oviedo morre em queda de helicóptero no Paraguai



Na foto acima, o general Lino Oviedo, de terno, durante visita ao jornal Água Verde no ano de 2002.

O general Lino Cesar Oviedo Silva, ex-comandante das Forças Armadas do Paraguai, candidato a presidente daquele país, faleceu ontem à noite durante campanha eleitoral no Chaco paraguaio, na queda do helicóptero que o transportava.
Escrever sobre Lino Oviedo é escrever sobre um homem que mudou para melhor a história do Paraguai, com seu exemplo e tenacidade. Um homem honrado, sério, honesto, idealista. Militar graduado, teve participação decisiva na revolução que derrubou o ditador Alfredo Stroesner - e justamente por este motivo se transformou em herói nacional, mas foi perseguido durante toda sua vida pelas elites corruptas do Paraguai.
Durante a eleição presidencial de Juan Carlos Wasmosy, empreiteiro da Itaipu (cúmplice no superfaturamento da construção da usina que deveria custar US$ 2.033 bilhões e passou a custar US$ 23.569 bilhões), Oviedo foi perseguido por denunciar e não aceitar a corrupção generalizada. Teve a casa invadida por forças de segurança. Comandante das Forças Armadas do Paraguai foi destituído, teve a prisão decretada e se refugiou no Brasil, onde foi preso no governo de Fernando Henrique Cardoso atendendo pedido do governo paraguaio.
Cumpriu alguns meses de prisão em quartel da Polícia Militar de Brasília, onde tive a oportunidade de visitá-lo algumas vezes. Na prisão em Brasília Lino Oviedo era tratado como um hóspede honrado, com direito a receber visitas de amigos e familiares, acesso a academia de ginástica e a passeios. Recebia visitas quase diárias de generais brasileiros para conversar sobre política internacional. Ao ser libertado, por votação unânime do Supremo Tribunal Federal, Oviedo provou sua inocência nas acusações infundadas do governo Wasmosy.
Atendendo convite do jornal Água Verde, Oviedo veio a Curitiba onde foi homenageado em um jantar com 800 convidados no Clube Literário do Portão. Recebeu na época o diploma "Defensor da América Latina".


Meses depois, mesmo sofrendo ameaças de morte e de prisão no Paraguai, Lino Oviedo retornou ao seu país, em um voo fretado por amigos levando jornalistas brasileiros e paraguaios. Ao chegar em solo paraguaio foi preso e maltratado em quartel daquele país.
O combatente e valente Lino Oviedo nunca se rendeu. Ele continuou sua luta e, desde a prisão, fundou o partido UNACE - União Nacional dos Colorados Éticos, a terceira força política do país. Elegeu a filha e o filho para o Senado e Câmara dos Deputados.
Oviedo cruzou o Brasil de norte a sul visitando cooperativas e indústrias bem sucedidas para levar tecnologia ao Paraguai. Sua missão era levar o Paraguai a um patamar de nação próspera e desenvolvida.
A morte de Lino Oviedo em um acidente (ou sabotagem) na queda de um helicóptero que o transportava durante campanha eleitoral no Chaco paraguaio deixa enlutados os paraguaios e os brasileiros que tiveram a oportunidade de conhecer um homem idealista, corajoso e honrado, verdadeiro herói da América Latina.
Deixa enlutados e entristecidos os moradores e comerciantes do bairro Água Verde de Curitiba que o homenagearam em vida, e que receberam algumas visitas do ilustre paraguaio, que caminhava pelas ruas do nosso bairro com desenvoltura e confiança, como se estivesse - como realmente estava - entre amigos.

José Gil
Autor dos livros "A verdade sobre o general Lino oviedo" e "A Justiça da injustiça no caso do general Lino Oviedo".

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O bonzinho Bill Gates e os bajuladores brasileiros



Cidadãos de alma caridosa foram convencidos de que “mais vale acender uma vela na noite do que maldizer a escuridão” – e nunca mais se perguntaram a origem de tudo aquilo. Dá para entender que ninguém é bonzinho nesta história, não é mesmo?

A entrevista de Bill Gates a Raul Juste Lores, na Folha de S.Paulo, deverá inspirar um imenso cortejo de bajuladores brasileiros, que logo irão apontar o primeiro bilionário da internet como exemplo a ser seguido.
Não faltam pessoas prontas para elogiar os muito ricos e bem sucedidos por qualquer coisa – de preferência estrangeiros, que alimentam o conhecido complexo de vira-latas dos críticos de nossa vidinha social.
Bill Gates conta na entrevista que já doou grande parte de sua fortuna pessoal a entidades filantrópicas e agora pretende convencer seus pares do mundo inteiro a fazer a mesma coisa.
Sua ideia é que o pessoal que representa 1% (ou menos) da população mundial, mas controla 99% (ou mais) da riqueza, tenha bom coração e entregue 95% para a caridade.
Não custa reconhecer que, em matéria de utopias, já tivemos ideias mais ousadas.
Warren Buffet, bilionário do mesmo patamar que Bill Gates, foi mais coerente quando disse que os ricos pagam pouco imposto – e havia chegado a hora de o Estado cobrar mais.
Buffet também faz doações para instituições de caridade, mas reconhece a diferença entre uma coisa e outra.
A cobrança do imposto dos ricos, eliminado há mais de 30 anos nos EUA pelos republicanos, sempre foi uma forma de a sociedade cobrar dos bilionários uma retribuição pelos recursos acumulados.
Um instrumento da República para contribuir para a igualdade entre os cidadãos.
Isso porque nenhuma fortuna é obra de um indivíduo isolado. É um produto social, onde entram consumidores, investidores, clientes – e todo um conhecimento acumulado ao longo da história, que é patrimônio da humanidade.
No caso específico das fortunas da era tecnológica, não custa recordar que as inovações vieram acompanhadas de práticas monopolistas condenáveis e mesmo iniciativas para impedir o crescimento de concorrentes que foram parar na Justiça. Basta lembrar a disputa entre o sistema Windows e o Linux, não é mesmo? Ou entre o Internet Explorer e seus adversários.
Num artigo do início da década passada, o New York Times definia a internet como uma colônia dos Estados Unidos.
Pioneiros da internet argumentam que essas práticas ajudaram a tornar o acesso à rede de computadores mais caro, mais difícil e mais exclusivo.
Escrevo isso para dizer que as fortunas contemporâneas não são o capítulo final de um conto de fadas envolvendo um empreendedor com grandes ideias e muita perseverança num mundo de preguiçosos, decrépitos e pouco inteligentes. Há iniciativa, pode até haver genialidade, mas há luta, confronto, jogo de interesses e esquemas de poder.
Basta doar uma moeda de 1 real num semáforo para perceber uma coisa. Além do benefício imediato que este gesto pode causar – inegável em várias situações, pernicioso em outras –, essa moeda representa uma transferência de poder. Ainda que por uns minutos, aquele sujeito que recebeu o donativo deve gratidão ao doador. Irá lhe dizer palavras reverentes, respeitosas.
É por isso que há mais de 2 000 anos a Igreja Católica tornou-se a maior instituição de caridade que se conhece. Não vamos negar os benefícios que essa atividade da Igreja trouxe para muitas pessoas. Nem vamos esquecer o papel de padres e bispos no combate a regimes tirânicos, como a ditadura militar brasileira.
Mas basta visitar os tesouros do Vaticano para entender uma outra mensagem. Se distribuiu bondades, patrocinou artes e cultura, a Igreja também acumulou riqueza e muito poder. Financiou guerras, organizou exércitos, abençoou a colonização e fechou os olhos para tantos crimes em troca do direito de catequizar as almas do Novo Mundo. Em 1964, estava lá – abençoando tanques e baionetas.
Isso porque o principal compromisso de uma instituição desta natureza é com ela mesma, com sua preservação e expansão.
Com todas as distâncias guardadas, é razoável observar que nossos filantropos pertencem à mesma escola e filosofia. A questão é a autopreservação.
Doadores milionários são os patrocinadores das principais ONGs no mundo. Dirigem sua atividade, escolhem seus dirigentes e definem, conforme suas opções ideológicas, quais causas serão estimuladas e quais serão combatidas ou marginalizadas.


Sua fortuna serve, assim, como força política. Têm um poder de pressão acima de qualquer cidadão comum. Identificadas – corretamente ou não – a partir de causas generosas, que envolvem questões necessárias, têm uma legitimidade única.
Fazem uma atividade que, em outras situações seriam identificadas como simples atuação de lobistas – mas agora são chamados de ativistas. Entram em parlamentos, são recebidas por ministros, disputam verbas públicas. Fazem política sem precisar comprar o debate público nem pedir votos – porque seu sustento vem de fora, de donativos que os bilionários adoram sustentar. Como são privadas, não precisam prestar contas – nem fazer balanços políticos.
A expansão das ONGs nas últimas décadas coincide com um desmanche do Estado de Bem-Estar Social nos Estados Unidos e na Inglaterra, nos anos de Ronald Thatcher e Margaret Reagan. O corte de verbas públicas – inspirado pelo fim dos impostos para os mais ricos – foi tão grande que criou novos bolsões de pobreza e abismos entre os cidadãos.
Serviços que eram públicos se tornaram privados – ao alcance de quem poderia pagar por eles – reservando-se poucas migalhas para quem estava nos degraus inferiores da pirâmide. Os pensionistas da Previdência Pública eram tratados como marajás e estigmatizados.
Nessa situação de emergência social, era preciso chamar as boas almas (sim, boas almas, porque elas existem) da classe média para olhar pelo destino dos pobres.
Foi neste período que as ONGs se expandiram, ganharam recursos e adeptos, como a face generosa de um processo perverso.
Empresas “generosas” contratavam funcionários que eram obrigados a prestar serviços “voluntários” em suas horas de folga.
Cidadãos de alma caridosa foram convencidos de que “mais vale acender uma vela na noite do que maldizer a escuridão” – e nunca mais se perguntaram a origem de tudo aquilo.
Dá para entender que ninguém é bonzinho nesta história, não é mesmo?

Paulo Moreira Leite
Pragmatismo Político