quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Mujica: "Vida humana no México vale menos que a de um cachorro"


Mujica: México é um 'Estado falido' onde vida humana 'vale menos que a de um cachorro'. Declarações foram dadas ao comentar o desaparecimento dos 43 estudantes de Ayotzinapa. Para presidente uruguaio, situação mexicana é pior do que a vivenciada em uma ditadura

O presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, afirmou que a impressão que tem é de que o México é uma espécie de “Estado falido”. As declarações foram dadas em referência à crise vivenciada no país após o desaparecimento dos 43 estudantes da escola de Ayotzinapa, que ocorreu na cidade de Iguala, estado de Guerrero em outubro. De acordo com o mandatário, a vida humana no país “vale menos do que a de um cachorro” e situação é pior do que a vivenciada em uma ditadura, “que pelo menos tem enfoque político”, sendo que neste caso, trata-se somente de “corrupção” e “dinheiro”.
A entrevista foi realizada na sexta-feira (21/11) pela revista Foreign Affairs e divulgada neste domingo (23/11) pelos jornais mexicanos. Questionado sobre como se sentia tendo ele “vivenciado na própria pele a repressão política”, já que durante a ditadura militar uruguaia, Mujica ficou 14 anos preso, diante dos recentes acontecimentos no México, o presidente disse parecer que os poderes públicos estão “perdidos” e “totalmente fora de controle” no país norte-americano.
Quase dois meses depois do desaparecimento dos jovens, nenhuma resposta considerada satisfatória pela sociedade foi dada. O que tem motivado uma série de protestos em todo o país.
Na avaliação do ex-guerrilheiro tupamaro, a situação mexicana é “pior do que uma ditadura” porque nas ditaduras, mesmo “sendo ferozes, pelo menos há um enfoque que pretende ser político”. Mas no país o que se vê “é corrupção, isso é um negócio, é dinheiro”, ressaltou.
Para Mujica, as pessoas boas do México devem esclarecer o assunto “caia quem cair, doa a quem doer e tenha a consequência que tiver”. Ele mencionou ainda as diversas valas comuns, onde foram enterrados diversos indigentes, encontradas na cidade de Iguala, onde sumiram os estudantes: “quer dizer que há mortos que não foram sequer reclamados. Então a vida humana vale menos que a de um cachorro. É muito doloroso ver o México”, disse.
De acordo com o mandatário uruguaio, apesar de ser um problema mexicano, a questão atingiu um nível que “ultrapassa o México”, sendo, por isso, “um problema de toda a humanidade”. Para ele, esse tipo de coisa não deveria ser permitida no mundo de hoje. “porque a civilização, que temos tem muitíssimos defeitos, mas o progresso e a marcha dessa civilização não têm que atar as mãos, essas coisas não podem ocorrer nos dias de hoje”.

Vanessa Martina Silva, Opera Mundi

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Já foi tarde coronel linha dura do SNI


Foto ao lado: A invasão policial da Universidade de Brasília, em agosto de 1968, foi determinada pela direção do SNI

O coronel Ary de Aguiar Freire que foi chefe de operações do SNI no Rio de Janeiro, terá uma missa de sétimo dia na Igreja da Santa Cruz dos Militares, no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira. Teve relevantes serviços prestados pela Pátria na ditadura militar ao lado do seu comparsa Freddie Perdigão, desde o assassinato de Zuzu Angel, (onde recentemente o Freddie aparece numa foto perto do carro em São Conrado), do jornalista picareta Alexandre von Baugarten, da famosa revista O Cruzeiro, em 1982, das bombas no Riocento, na OAB onde mataram a Dona Lyda Monteiro, em 27/8/1980, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, nas bancas de jornais e na Tribuna da Imprensa, em 1981.
Com todo o seu curriculum em explosões e assassinatos, o coronel linha dura recebeu um presente para passar uma temporada na embaixada do Brasil na Suíça recebendo US$ 6 mil, a verdadeira bolsa ditadura… Sem esquecer dos coronéis Armando Avólio na embaixada em Londres, e o Brilhante Ustra, em Montevidéu, ganhando US$ 10 mil mensais.
Terroristas oficiais da ditadura
O maior temor da agência do SNI, no 13º andar do Ministério da Fazenda, no Rio de janeiro, era que as investigações batessem à própria porta. Esse risco foi eliminado, mas a linha dura da agência jamais teria paz. No ano seguinte, a crise provocada pela morte do sargento Guilherme Rosário, no Riocentro, respingaria nos seus quadros. Outra crise envolveria oficiais do SNI na morte do jornalista Alexandre von Baumgarten.
Quando o regime definhava, o grupo, acuado, optou por migrar para a Irmandade Santa Cruz dos Militares, entidade católica de quase 400 anos. O coronel Ary de Aguiar Freire, então chefe de Operações da Agência Rio, assumiu o controle da irmandade e levou para lá parte do grupo, entre eles Freddie Perdigão Pereira, um dos mais notórios agentes da repressão. Também faziam parte do grupo os oficiais Gilberto Cavalcanti Araújo (chefe de Comunicações do SNI), Carlos Alberto Barcellos (que pertenceu aos quadros do DOI) e Firmino Rodrigues Rosa.
A irmandade católica, rica pela grande quantidade de imóveis no Centro, garantiria o fluxo financeiro para o projeto de poder do grupo. Porém, ao descobrir a presença destes agentes da entidade, o governo Sarney encontrou o argumento para poder demiti-los: o Estatuto do Servidor vetava a “dupla função”. Ou terrorista ou torturador na santidade dos militares na Rua 1º de março.
Segundo o jornalista Amaury Ribeiro Jr, na revista Isto É, em março de 2004: Ao assumir em 1986 o cargo de ministro-chefe do Serviço Nacional de Informação (SNI), a convite do então presidente José Sarney, o general Ivan de Souza Mendes constatou que dois dos principais quadros da agência durante o governo João Baptista Figueiredo (1978-1984) – os coronéis Ary Pereira de Carvalho, o Arizinho, e Ary de Aguiar Freire – gozavam de uma prolongada mordomia no Exterior que fugia dos protocolos normais do governo. Homem de confiança do ex-chefe do SNI, general Octávio Medeiros, desde 1969, quando o ajudou na operação que resultou na queda dos militantes de esquerda do Colina (Comando de Libertação Nacional), em Belo Horizonte, Arizinho se encontrava em Buenos Aires, onde engordava sua aposentadoria com abono de US$ 6 mil mensais por serviços de espionagem. A mesma regalia era desfrutada pelo coronel Ary Aguiar – homem forte de Medeiros na agência central do SNI no Rio de Janeiro –, lotado em Genebra, na Suíça.
“Ficou claro que eles estavam no Exterior escondidos porque tinham feito algo errado. Por isso pedi que retornassem imediatamente”, disse Ivan de Souza Mendes, recentemente, a um grupo de militares amigos.
A conclusão do general estava baseada numa coincidência intrigante. Os dois “Arys” debandaram dias depois de terem sido envolvidos no assassinato do jornalista Alexandre Von Baumgarten, em outubro de 1982. Dois dias antes de morrer, o jornalista compôs um dossiê que envolvia membros do SNI num plano para assassiná-lo. No chamado Dossiê Baumgarten, os dois oficiais são acusados de terem participado da reunião em que foi decidida a sua morte.
A participação dos oficiais do SNI e de qualquer outro suspeito do assassinato do jornalista nunca foi comprovada. Apontado como principal testemunha do processo, o bailarino Claudio Werner Polila, o Jiló, apresentou uma versão fantasiosa alimentada pela imprensa e pela polícia na época, que acabou tirando o foco principal da investigação. Embora sofresse de problemas visuais, Polila declarou ter presenciado o sequestro do jornalista, de sua mulher, Janete Hansen, e do barqueiro Manoel Valente por ninguém menos que o chefe da Agência Central do SNI, o general Newton Cruz.
Esse mistério, no entanto, já havia sido desvendado no 14 de outubro, um dia depois do desaparecimento do jornalista, por agentes do CIE de Brasília. Responsável pela análise dos fatos da semana, o então agente no Distrito Federal, Marival Dias, teve acesso a um informe interno que caiu como uma bomba na comunidade de informação. “A notícia interna dizia que o Doutor César (o coronel José Brant) tinha comandado uma operação do Garra – braço armado das ações clandestinas do SNI –, que resultou na morte do Baumgarten”, disse Marival. Os detalhes do assassinato do jornalista foram passados a Marival pelo cabo Félix Freire Dias, o mesmo que cortava os ossos dos presos políticos na Casa de Petrópolis e participou de várias operações de captura e execução com o Doutor César no CIE.
O Marival Chaves Dias, ex-agente do DOI-Codi do Rio de Janeiro, revelou para a Comissão da Verdade os nomes de vários militares que executaram presos políticos, e citou o sadismo praticado na casa de tortura em Petrópolis.

Sergio Caldieri, o autor, é jornalista e escritor.

domingo, 9 de novembro de 2014

Livro de Sergio Lang revisita histórias e tradições mineiras


Mortes, mistérios e uma investigação sobre um passado que remonta à ditadura militar brasileira e, mais distante, ao “Ciclo do Ouro” de Minas Gerais se entrelaçam em República Paradiso: Crimes e Segredos (Tinta Negra Bazar Editorial, 324 pp., R$ 34,90), romance de estreia do escritor e músico Sergio Lang. Baseado em pesquisa, entrevistas e visitas de campo, Lang investigou a fortuna histórico-cultural de Minas Gerais, o ambiente estudantil em Ouro Preto e Mariana, a Igreja Católica no Brasil, entre outros temas, para conceber um romance policial. Nesta quinta-feira (13), o livro será lançado na Livrarias Curitiba do Park Shopping Barigui (Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 600, Mossunguê, Curitiba/PR), às 19h30.

Book trailer: http://youtu.be/4Cc1nsCYAcA
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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

PAULISTANOS VÃO BEBER ÁGUA DE BOSTA


A represa de Guarapiranga, em São Paulo, recebe todos os dias resíduos de remédios e produtos industriais

Atenção: tem café na sua água. Café e mais: resíduos de colesterol, hormônios sexuais, produtos industriais e uma infinidade de substâncias microscópicas que passam pelo sistema de tratamento das cidades brasileiras. Mas não faz mal? Aí é que fica a interrogação. Os pesquisadores da OMS ainda estão investigando o assunto, mas não tem uma legislação específica sobre essas substâncias e sem legislação os pesquisadores não podem fazer nada. A preocupação dos pesquisadores é maior quando falamos dos hormônios. Por exemplo, aqueles que existem em comprimidos anticoncepcionais, que são expelidos pelo organismo de mulheres e liberados na água todos os dias. Por enquanto não se sabe se isso pode causar algum problema à saúde humana, mas os hormônios em excesso já estão alterando o desenvolvimento de espécies de plantas e animais nas represas.

Saúde Pública e Reúso de água
A presença de organismos patogênicos e de compostos orgânicos sintéticos na grande maioria dos efluentes disponíveis para reúso , principalmente naqueles oriundos de estações de tratamento de esgotos de grandes conurbações , com pólos industriais expressivos , caracteriza reúso potável como uma alternativa associadas a riscos muito elevados , tornando-o praticamente inaceitável.
Entretanto, caso seja imprescindível implementar reúso urbano para fins potáveis, devem ser obedecidos os critérios apresentados a seguir.
- Somente sistemas de reúso potável indireto devem ser implementados
- É necessário que somente esgotos domésticos sejam utilizados
- Em razão da impossibilidade de se identificar adequadamente a enorme quantidade de compostos de alto risco, particularmente micropoluentes orgânicos presentes em efluentes líquidos industriais , mananciais que recebem ou receberão esses efluentes por longos períodos são desqualificados para a prática de reúso para fins potáveis.
Finalmente, chama-se atenção para a necessidade do emprego do conceito das múltiplas barreiras no sistema de tratamento, no qual devem ser empregados processos e operações unitárias redundantes, em que a responsabilidade pela remoção de um determinado contaminante não deve ser atribuída a um único processo ou operação.
A represa de Guarapiranga, em São Paulo, recebe todos os dias resíduos de remédios e produtos industriais.

Forum ZN