terça-feira, 31 de março de 2015

Do arquivo secreto do Dops: por rádio, Brizola alertou sobre o golpe em 64


Blog do Mário Magalhães

Quem avisa amigo é.
Em fevereiro de 1964, o Brizola avisou.
O blog divulgou esta gravação no cinquentenário do golpe de Estado.
Em memória do gaúcho velho de guerra, veicula-a novamente, nos 51 anos.
*
Muitas semanas antes da deposição de seu correligionário e cunhado João Goulart, o deputado federal Leonel Brizola alertou para a possibilidade de um golpe de Estado no Brasil.
É o que mostra gravação feita pela polícia política carioca, que monitorava os pronunciamentos que o ex-governador do Rio Grande do Sul fazia todas as noites por meio de modesta cadeia radiofônica encabeçada pela Rádio Mayrink Veiga.
O áudio foi guardado no arquivo secreto do antigo Departamento de Ordem Política e Social da Guanabara, o Estado que então equivalia ao atual município do Rio. Hoje integra o acervo do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro.
Para ouvi-lo, basta clicar no quadro acima da foto.
Tem meia hora de duração e não registra nem o início nem o encerramento de um discurso de Brizola ocorrido provavelmente em fevereiro de 1964.
O deputado do Partido Trabalhista Brasileiro falava a uma plateia em local não informado, e as emissoras transmitiam ao vivo. Ele tinha 42 anos.
Aos 39, havia sido o principal líder da resistência contra a tentativa de golpe de agosto-setembro de 1961. O presidente Jânio Quadros renunciara, e golpistas capitaneados pelos comandantes das três Forças Armadas tentaram impedir a posse do vice, Jango. Governador do Rio Grande do Sul, Brizola foi decisivo para que Goulart assumisse, ainda que com menos poderes que o antecessor.
A semanas da derrubada de Jango, em 1964, Brizola clamava pela formação de comandos nacionalistas ou grupos de 11 pessoas. O nome não havia sido decidido. As organizações ficariam conhecidas como “grupos dos 11″, o mesmo número de jogadores dos times de futebol. Deveriam se dedicar, entre outros objetivos, a impedir o golpe.
Brizola advertiu para a possibilidade de “golpe'' e de “ditadura'': “Caminhamos para um desfecho desta crise''.

Prometeu: “Vai ter luta''.
Não teve, pois Jango, temendo derramamento de sangue, preferiu não resistir em 1º de abril.
Devido ao parentesco, Brizola não poderia concorrer a presidente em 1965. Seus partidários protestavam: “Cunhado não é parente, Brizola pra presidente!''.
Jango também não poderia participar do pleito, pois a reeleição era vetada.
A ditadura cancelou a eleição, e somente em 1989 os brasileiros votaram de novo para presidente.
Um aspecto curioso da manifestação de Brizola são as referências às mazelas nacionais. Mais à esquerda do que o cunhado, ele pregava que o governo realizasse de fato as reformas estruturais prometidas. Em março, Jango começaria a implementá-las com mais decisão.

Ouça o apelo de Brizola contra o Golpe Militar e pela resistência em http://uol.com/bqd97l

segunda-feira, 30 de março de 2015

Pessuti acusa Requião de tentar expulsá-lo do PMDB


De forma irregular, segundo o ex-governador Orlando Pessuti, o grupo do senador Roberto Requião tentará expulsá-lo nesta segunda-feira, 30, do PMDB. A irregularidade, conforme Pessuti, está na convocação da reunião da Comissão de Ética - às 14h na sede estadual do partido em Curitiba - feita pela relatora do processo disciplinar contra Pessuti, a vereadora Márcia Ferreira, de Pinhais. "Só quem pode convocar a reunião da comissão é o seu presidente, Sérgio Marchauek, e não a Márcia (Ferreira), a relatora do processo. Essa convocação é irregular, não tem cabimento, o querem é criar um fato político sem respaldo legal", disse Pessuti.

Para Pessuti, todo processo disciplinar contra ele “é um ato claro de truculência, uma agressão a todos os peemedebistas”.Pessuti rompeu com Requião desde a eleição de 2010, quando o antecessor o impediu de ser candidato ao governo, levando o PMDB a apoiar a candidatura do ex-senador Osmar Dias (PDT). Em dezembro de 2012, Pessuti se aliou aos deputados e venceu Requião na eleição do diretório estadual do partido. Em junho de 2014, Pessuti e um grupo de deputados foram afastados do comando do partido depois que o Requião venceu a convenção para disputar o governo.

domingo, 29 de março de 2015

ATENÇÃO: EDUARDO CUNHA FAZ MAL À SAÚDE!


O maior lobista dos Planos de Saúde, que ao longo dos anos vem recebendo milhões em doação deste setor para suas sucessivas campanhas, atacou novamente na defesa dos interesses privados de seus aliados. Eduardo Cunha, a quem combati incansavelmente quando dirigiu a Telerj e, desrespeitando a população e os trabalhadores, buscava atender interesses de seus aliados na instalação de linhas telefônicas, apresentou agora uma emenda constitucional para render mais lucros aos Planos de Saúde.
Enquanto Deputado, ao invés de lutar por mais verbas para o SUS e buscar qualificar a saúde pública garantindo atendimento gratuito e digno para a população, Cunha quer obrigar todas as empresas a pagar Planos de Saúde privado para seus empregados, desonerando o empresário de contribuir com os cofres públicos e desobrigando o Estado a investir em saúde pública de forma universal.
O SUS foi uma conquista da população brasileira que precisa ser mantida e valorizada, seus princípios precisam ser respeitados e a assistência pública à saúde precisa ser ampliada no país, com a destinação de mais recursos e investimentos estatais. Mercantilizar a saúde é um crime contra a vida e vemos no dia a dia o que esse modelo vem causando, seja nas unidades privadas onde o lucro está acima da vida, ou nas unidades públicas privatizadas, onde o descaso e a falta de assistência das Organizações Sociais tornam-se regras dependendo do quanto representam ou não em valores no contrato firmado com o Estado. Precisamos repudiar toda e qualquer proposta que venha a desvalorizar o SUS e buscar privatizar o direito à vida! Vamos lutar contra essa absurda emenda do lobista Eduardo Cunha e ao mesmo tempo exigir que seja criada a CPI dos Planos de Saúde para investigar as irregularidades praticadas por este setor que mantém dívidas enormes com o país e ameaçam a vida de milhares de cidadãos todos os dias!

Paulo Eduardo Gomes
‪#‎EmDefesadoSUS‬ ‪#‎SaúdeNãoÉMercadoria‬

sábado, 28 de março de 2015

Diretório do PT é atacado com coquetel molotov em São Paulo


Bomba é atirada no diretório do PT de São Paulo. Artefato estilhaçou vidros e o fogo provocado danificou a recepção, queimou cortinas, mesas, cadeiras e o teto. Presidente do PT atribui incidente a “onda de intolerância e ódio”. Esse é o segundo ataque a diretórios do partido em menos de um mês

Um diretório do PT no centro de São Paulo foi alvo de um coquetel molotov na madrugada de quinta-feira. Não havia ninguém no imóvel, localizado na Bela Vista, quando o artefato foi arremessado, quebrando os vidros e danificando a porta de entrada do prédio.
O presidente do PT na cidade, Paulo Fiorilo, atribuiu o incidente a uma “onda de intolerância e ódio contra o PT”. Foi registrado um boletim de ocorrência para que o caso seja investigados.
Os danos foram percebidos na manhã de ontem, quando um dos dirigentes do diretório chegaram ao prédio. Segundo Fiorilo, testemunhas viram quando o artefato foi atirado.
A direção do PT local informou que o fogo danificou a recepção. As chamas queimaram cortinas, mesa, cadeira e parte do teto. Documentos também foram destruídos.
No último dia 15, data dos protestos contra o governo, a sede do PT em Jundiaí também foi alvo de um coquetel molotov. Apesar do princípio de incêndio, ninguém se feriu no local.

Pragmatismo Político

quinta-feira, 26 de março de 2015

Lava Jato: o tucano morto e o que se finge de morto


Fernando Brito - Tijolaco

Uma das coisas que me enchem de esperança é a imparcialidade da mídia brasileira.

Ontem, seu herói Sérgio Moro, deixou publicar seu relatório em que, a respeito do suposto operador de propinas Fernando Baiano, afirma textualmente: “com o levantamento do sigilo sobre os depoimentos da colaboração premiada de Alberto Youssef e de Paulo Roberto Costa, veio à luz informação de que teria havido pagamento de propina a parlamentares para obstruir as investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobrás dos anos de 2009 e 2010″.
E os confirma, adiante, dizendo que há “prova de que ele teria intermediado o pagamento de propinas para obstruir o regular funcionamento de Comissão Parlamentar de Inquérito de 2009 e 2010, evidenciando risco à investigação e à instrução”.
É obvio que não se pode abrir inquérito sobre um morto, como é o caso de Sérgio Guerra.
Mas poderia ter, sozinho, Sérgio Guerra, “vendido” por R$ 10 milhões o “fim” da CPI da Petrobras?
Obvio que não, porque não tinha este poder.
Nos jornais não há uma palavra sobre o que aconteceu no dia 10 de novembro de 2009, quando foi “entregue a mercadoria” pela qual se teriam pagos os R$10 milhões .
A foto aí de cima é daquele dia, quando o senador Álvaro Dias, sob o olhar matreiro e o mal contido sorriso de Guerra, anuncia que ele – autor do requerimento que criou a CPI – está desistindo da investigação, tal como Guerra e o outro oposicionista que a integrava, “senador filho do senador” Antônio Carlos Magalhães.
O argumento foi que não os deixavam investigar. E o fato é que ali se deu a consumação do crime de concussão praticado por Guerra ao pedir dinheiro para que a CPI não causasse problemas a quem estava roubando na Petrobras.
Mas, claro, Álvaro Dias não sabia de nada e apenas cedeu aos argumentos do colega tucano, que apareceu na véspera em seu gabinete trazendo um bolo de rolo bem pernambucano e dizendo: “Alvaro, vamos terminar com esta CPI…”
“Tá bom, Serginho, amanhã eu anuncio isso e a gente bota a culpa no Governo”. Escuta, esse bolo de rolo aí é só para você?”
Dias está quietinho. Não fala, até porque ninguém pergunta, sobre como foi este episódio onde executou o ato que Guerra “vendeu”.
Dr, Janot, como o MP é a “esperança do Brasil”?

quarta-feira, 25 de março de 2015

Petrobras prepara balanço e consolida reparo no “rombo” que nunca existiu


Fernando Brito - Tijolaco.com

Embora a empresa seja atacada diariamente, a administração “low-profile” de Aldemir Bendine na Petrobras começa a apresentar resultados.

Fernanda Nunes e Mariana Durão, do Estadão, dizem que a empresa conseguiu que “a Comissão de Valores Mobiliários e a Securities and Exchange Comission (SEC), órgãos reguladores do mercado financeiro do Brasil e dos Estados Unidos respectivamente, aceitassem o método de cálculo escolhido pela estatal”para dar “baixa” em seu balanço dos desvios produzidos pela ladroagem de Paulo Roberto Costa et caterva.
Vão descontar os valores constantes nas ações judiciais de Sérgio Moro. Constantes, isto é, nos autos, não na mídia.
Embora, possivelmente amanha ou segunda-feira os valores vão virar manchete nos jornais, o mercado financeiro sabe que, na prática, não representam nada, diante dos imensos valores de faturamento e lucro da empresa.
Vai virar, definitivamente a página da bilionária trapalhada feita pela gestão Graça Foster de produzir um número de R$ 88 bilhões que, mesmo com todas as explicações da estupidez das metodologias de cálculo utilizada – reavaliação de ativos isoladamente – só pode ser coisa de alguém em que a dor de ser acusada do que não é – corrupta – provocou um abalo na lucidez e um destempero.
Que levaram a empresa a perder, num único dia, até 12% de seu valor acionário, um prejuízo muitas vezes maior – e ponha muitas vezes nisso – que a turma da gatunagem tirou dela.
Perdas no imaginário dezenas de vezes maiores que as materiais, porque não há razão objetiva, nas operações da Petrobras, para qualquer dúvida do sucesso da empresa. Não apenas do horizonte de produção, como nos resultados práticos que ela vem tendo e no custo por barril, calculado outro dia em artigo publicado por Luís Nassif em US$ 28 dólares, já incluídos aí impostos e participações governamentais. Isto é metade do preço internacional, mesmo deprimido como está, o que deve se reverter, apostam todos.
O sucesso do segundo poço de extensão na área de Libra, comunicado ontem confirma todas as expectativas da acumulação, onde ainda este ano deve ser iniciados um teste de longa duração com previsão de ser o poço individualmente mais produtivo do país, com 50 mil barris diários.
Daqui a dois meses, o navio aí da foto (quando se chamava Eli Maersk) termina uma revisão completa de seu casco na China e chega ao Rio para ser transformado no FPSO Cidade de Maricá, mais uma plataforma para o campo de Lula, no pré-sal, com a colocação dos módulos de processamento de óleo e gás. Quem for do Rio, olhe como eles estão quase prontos, esperando o navio, ali no final da Ponte Rio-Niterói.
Se tivéssemos de imprimir dinheiro para investir na Petrobras, ainda assim seria um bom negócio.
Mas não é preciso.
No fundo do poço, neste caso, há petróleo.
Tanto é que Serra voltou à carga, tão bonzinho, para “aliviar” o Brasil desse esforço inglório de ser independente, tentando tirar a Petrobras do pré-sal.

segunda-feira, 23 de março de 2015

O indigente mental que atacou Josué de Castro


Por Miguel do Rosário, no Tijolaço.

Agora já sabemos a fonte ideológica dos dementes que marcham nas ruas com faixas pedindo “militar intervention”.

Essa idiotia coletiva nasce do chorume industrial produzido por gente como Claudio Tognolli, que hoje escreveu um post com tantas mentiras contra os blogs que me recuso a respondê-las.

Me recuso sobretudo porque alguém que escreve o que ele escreveu, no mesmo post, sobre Josué de Castro, autor de um dos maiores clássicos internacionais sobre a fome, merece apenas indiferença e pena.

Mas escrevo alguma coisa porque entendo que o post de Tognolli tem uma função política. Ou mais de uma:

1) Aproveitar o milésimo tiro no pé do governo Dilma. Além de nunca ter feito políticas públicas em prol da diversidade na informação, vaza um texto em que expõe os blogs.

2) Intimidar o governo, para este continuar inerte e aterrorizado e concentrando os recursos institucionais exclusivamente na grande mídia, que patrocina idiotas metidos a serem os donos da língua portuguesa e da verdade.

3) Puxar o saco dos barões da mídia, que se sentem ameaçados, por incrível que pareça, por alguns blogs produzidos quase artesanalmente.

Trecho do post do Tognolli:

“Não vejo problema em se ganhar dinheiro no capitalismo. Não vejo problema em que blogueiros sujos mamem nas tetas do PT, para poder terem o nivel de vida pequeno burguês com o qual sempre sonharam. Esquerda caviar é isso aí. Josué de Castro, recifense, escreveu o seu “Geografia da Fome” e se cevava nos melhores restaurantes de Paris…”

Tem como ser mais previsível e medíocre?

Parece um comentarista do G1 que ganhou vida e passou a escrever num blog.

“Vida pequeno burguesa com que sempre sonharam”…

Não dá nem para acreditar que li uma coisa assim.

A frase sobre Josué de Castro, porém, merece ser condecorada como a estupidez do milênio.

Geografia da Fome, a obra-prima de Josué de Castro, foi traduzida para 25 idiomas. É considerada uma das obras mais importantes sobre o tema da história da ciência!

É incrível que alguém possa imaginar que para se escrever um livro científico e antropológico sobre a fome, seja necessário fazer jejum.

Josué de Castro estava em Paris porque, entre outras razões, estudava obras e documentos que só existiam nas bibliotecas europeias.

Castro foi condecorado por grandes universidades do mundo inteiro, por sua contribuição à ciência e à luta contra a fome.

Foi presidente do Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), e embaixador brasileiro junto à Organização das Nações Unidas (ONU).

Esse é o “esquerdista caviar” que, segundo Tognolli, “se cevava nos melhores restaurantes de Paris”…

É incrível que alguém, em pleno 2015, tenha um preconceito ideológico tão imbecil.

Agora entendo o que quis dizer Chico Science quando escreveu: “Ô Josué, eu nunca vi tamanha desgraça. Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça”.

Talvez Tognolli ache que Hemingway, outro esquerdista inveterado, devesse ter escrito seus livros em abrigos de indigentes, ou que Gabriel Garcia Marques seja um hipócrita por não ter escrito Cem Anos de Solidão num acampamento de sem-terra…

Drummond, que foi editor do jornal do Partido Comunista, deveria ter escrito seus poemas morando numa palafita…

Graciliano Ramos, Lima Barreto, Jorge Amado, Glauber Rocha, Oscar Niemeyer, e a imensa lista de honrados e célebres intelectuais e artistas esquerdistas ou comunistas da nossa história, deveriam ter produzido suas obras sem beber um vinho, sem entrar num restaurante…

O preconceito antiesquerda no Brasil tornou-se uma doença.

Ora, eu admiro inúmeros autores e intelectuais apesar de terem sido “de direita” ou conservadores: Gustavo Corção, por exemplo.

Houve um tempo em que havia conservadores dignos, que respeitavam seus antípodas ideológicos. Hoje se tornaram essas bestas feras militaristas, fedendo a nazismo.

Mas eu agradeço a Tognolli.

Diante de manifestação tão grotesca de intolerância, preconceito e idiotia por parte de um blogueiro “limpo”, abrigado numa corporação norte-americana (yahoo), fico ainda mais orgulhoso de ser um blogueiro “sujo”.

Só espero que o governo não seja tão covarde (o que também é uma espécie de idiotia) a ponto de se deixar influenciar por esses indigentes mentais.

Eles não escrevem melhor que ninguém. Além de preconceituosos, truculentos, antidemocráticos, a tentativa de difamar Josué de Castro provou que são também monstruosamente burros.

E covardes, sobretudo. Tognolli não tem coragem de criticar a grande mídia. Sua valentia se exercita desafiando blogueiros “sujos”.

O governo tem de criar coragem e fazer exatamente o que eles estão tentando, desesperadamente, evitar, com essas ameaças toscas repletas de calúnias e mentiras: desmamar a grande mídia e disseminar os recursos institucionais pela internet.

Incluindo blogs, sites, portais e revistas de esquerda, por que não? Somos leprosos, por acaso?

Ou a verba institucional do Estado é um direito divino de grandes grupos de mídia que se consolidaram durante o período de “militar intervention”?

30 mil professores nas ruas de Sampa. Não sai na mídia.


Algumas ruas do centro de São Paulo, na tarde de sexta-feira 20, ficaram lotadas de professores protestando contra as condições de trabalho.

Segundo os organizadores, mais de 30 mil grevistas ocuparam avenidas e praças da capital.

Isso não sai na mídia.

Nem aparece a PM para aumentar o número em cinco vezes.

A manifestação dos professores não foi convocada, nas redes sociais, por celebridades da Globo.

As redes de TV não interromperam a sua grade a todo momento para convocar mais gente a engrossar a marcha.

Vida que segue.

Miguel do Rosário - Tijolaço

sábado, 21 de março de 2015

O PAPA E O ESTRUME DO DIABO


Mauro Santayana em seu blog

O Papa Francisco está sendo amplamente atacado na internet, por ter dito, em cerimônia, em Roma, que “o dinheiro é o estrume do diabo” e que quando se torna um ídolo “ele comanda as escolhas do homem".

Acima e abaixo da cintura, houve de tudo.
De adjetivos como comunista, “argentino hipócrita”, demagogo e outros aqui impublicáveis, a sugestões de que ele se mude para uma favela, e - a campeã de todas - que distribua para os pobres o dinheiro do Vaticano.
É cedo, historicamente, para que se conheça bem este novo papa, mas, pelo que se tem visto até agora, não se pode duvidar de que daria o dinheiro do Vaticano aos pobres, tivesse poder para isso, não fosse a Igreja que herdou dominada por nababos conservadores colocados lá pelos dois pontífices anteriores, e ele estivesse certo de que essa decisão fosse resolver, definitivamente, a questão da desigualdade e da pobreza em nosso mundo. Inteligente, o Papa sabe que a raiz da miséria e da injustiça não está na falta de dinheiro mas na falta de vergonha, de certa minoria que possui muito, muitíssimo, em um planeta em que centenas de milhões de pessoas ainda vivem com menos de dois dólares por dia.
E que essa situação se deve, em grande parte, justamente à idolatria cada vez maior pelo dinheiro, o estrume do Bezerro de Ouro que estende a sombra de seus cornos sobre a planície nua, os precipícios e falésias do destino humano.
Em nossa época, deixamos de honrar pai e mãe, de praticar a solidariedade com os mais pobres, com os doentes, com os discriminados e os excluídos, para nos entregar ao hedonismo.
Os pais transmitem aos filhos, como primeira lição e maior objetivo na existência, a necessidade não de sentir, ou de compreender o mundo e a trajetória mágica da vida - presente maior que recebemos de Deus quando nascemos - mas, sim, a de ganhar e acumular dinheiro a qualquer preço.
Escolhe-se a escola do filho, não pela abordagem filosófica, humanística, às vezes nem mesmo técnica ou científica, do tipo de ensino, mas pelo objetivo de entrar em uma universidade para fazer um curso que dê grana, com o objetivo de fazer um concurso que dê grana, estabelecendo, no processo, uma “rede” de amigos que têm, ou provavelmente terão grana.
Favorecendo, realimentando, uma cultura voltada para o aprendizado e o compartilhamento de símbolos de status fugazes e vazios, que vão do último tipo de smartphone ao nome do modelo do carro do papai e da roupa e do tênis que se está usando.
O que determina a profissão, o que se quer fazer na vida, é o dinheiro.
Escolhe-se a carreira pública, ou a política, majoritariamente, pelo poder e pelas benesses, mas, principalmente, pelo dinheiro.
Montam-se igrejas e seitas, também pelo poder, mas, sobretudo, pelo dinheiro.
Até mesmo na periferia, assalta-se, mata-se, se morre ou se vive - como rezam as letras dos funks de batalha ou de ostentação - pelo dinheiro.
Para os mais radicais, não basta colocar-se ao lado do capital, apenas como um praticante obtuso e entusiástico dessa insensata e permanente “vida loca”.
É necessário reverenciar aberta e sarcasticamente o egoísmo, antes da solidariedade, a cobiça, antes da construção do espírito, o prazer, antes da sabedoria.
É preciso defender o dindin - surgido para facilitar a simples troca de mercadorias - como símbolo e bandeira de uma ideologia clara, que se baseia na apologia da competição individual desenfreada e grosseira, e de um “vale tudo” desprovido de pudor e de caráter, como forma de se alcançar riqueza e glória, disfarçado de eufemismos que possam ir além do capitalismo, como é o caso, do que está mais na moda agora, o da “meritocracia”.
Segundo a crença nascida da deturpação do termo, que atrai, como um imã, cada vez mais brasileiros, alguns merecem, por sua “competência”, viver, se divertir, ganhar dinheiro. Enquanto outros não deveriam sequer ter nascido - já que estão aqui apenas para atrapalhar o andamento da vida e do trânsito. Melhor, claro, se não existissem - ou que o fizessem apenas enquanto ainda se precise - ao custo odioso de quase 30 dólares por dia - de uma faxineira ou de um ajudante de pedreiro.


O capitalismo está se transformando em ideologia. Só falta que alguém coloque o cifrão no lugar da suástica e comece a usá-lo em estandartes, lapelas e braçadeiras, e que em nome dele se exterminem os mais pobres, ou ao menos os mais desnecessários e incômodos, queimando-os, como polutos cordeiros, em fornos de novos campos de extermínio.
Disputa-se e proclama-se o direito de ter mais, muito mais que o outro, de receber de herança mais que o outro, de legar mais que o outro, de viver mais que o outro, de gastar mais que o outro, e, sobretudo, de ostentar, descaradamente, mais que o outro. Mesmo que, para isso, se tenha de aprender dos pais e ensinar aos filhos, a se acostumar a pisar no outro, da forma mais impiedosa e covarde. Principalmente, quando o outro for mais “fraco”, “diverso” ou pensar de forma diferente de uma matilha malévola e ignara, ressentida antes e depois do sucesso e da fortuna, que se dedica à prática de uma espécie de bullying que durará a vida inteira, até que a sombra do fim se aproxime, para a definitiva pesagem do coração de cada um, como nos lembram os antigos papiros, à sombra de Maat e de Osíris.
A reação conservadora à ascensão de Francisco, depois do aparelhamento, durante os dois papados anteriores, da Igreja Apostólica e Romana por clérigos fascistas, e da renúncia de um papa envolvido indiretamente com vários escândalos, que comandou com crueldade e mão de ferro a “caça às bruxas” ocorrida dentro da Igreja nesse período, se dá também nos púlpitos brasileiros.
Não podendo atacar frontalmente um pontífice que diz que o mundo não é feito, exclusivamente, para os ricos, religiosos que progrediram na carreira nos últimos 20 anos, e que se esqueceram de Jesus no Templo e do Cristo dos mendigos, dos leprosos, dos aleijados, dos injustiçados, proferem seu ódio fazendo política nas missas - o que sempre condenaram nos padres adeptos da Teologia da Libertação - ressuscitando o velho e baboso discurso de triste memória, que ajudou a sustentar o golpismo em 1964.
O ideal dos novos sacerdotes e fiéis do Bezerro de Ouro é o de um futuro sem pobres, não para que diminua a desigualdade e aumente a dignidade humana, mas, sim, a contestação aos seus privilégios.
Em 1996, em um livro profético - “L´Horreur Economique”, “O Horror Econômico” - a jornalista, escritora e ensaísta francesa, Viviane Forrester, morta em 2013, já alertava, na apresentação da obra, para o surgimento desse mundo, dizendo que estamos no limiar de uma nova forma de civilização, na qual apenas uma pequena parte da população terrestre encontrará função e emprego.
“A extinção do trabalho parece um simples eclipse - afirmou então Forrester - quando, na verdade, pela primeira vez na História, o conjunto formado por todos os seres humanos é cada vez menos necessário para o pequeno número de pessoas que manipula a economia e detêm o poder político...
dando a entender que diante do fato de não ser mais “explorável”, a “massa” e quem a compõe só pode temer, e perguntando-se se depois da exploração, virá a exclusão, e, se, depois da exclusão, só restará a eliminação dos mais pobres, no futuro.
O culto ao Bezerro de Ouro, ao dinheiro e ao hedonismo está nos conduzindo para um mundo em que a tecnologia tornará o mais fraco teoricamente desnecessário.
A defesa dessa tese, assim como de outras que são importantes para a implementação paulatina desse processo, será alcançada por meio da implantação de uma espécie de pensamento único, estabelecido pelo consumo de um mesmo conteúdo, produzido e distribuído, majoritariamente, pela mesma matriz capitalista e ocidental, como já ocorre hoje com os filmes, séries e programas e os mesmos canais norte-americanos de tv a cabo, em que apenas o idioma varia, que podem ser vistos com um simples apertar de botão do controle remoto, nos mesmos quartos de hotel - independente do país em que se estiver - em qualquer cidade do mundo.
As notícias virão também das mesmas matrizes, em canais como a CNN, a Fox e a Bloomberg, e das mesmas agências de notícias, e serão distribuídas pelos mesmos grandes grupos de mídia, controlados por um reduzido grupo de famílias, em todo o mundo, forjando o tipo de unanimidade estúpida que já está se tornando endêmica em países nos quais - a exemplo do nosso - impera o analfabetismo político.
E o controle da origem da informação, da sua transmissão, e, sobretudo dos cidadãos, continuará a ser feito, cada vez mais, pelo mesmo MINIVER, o Ministério da Verdade, de que nos falou George Orwell, em seu livro “1984”, estabelecido primariamente pelos Estados Unidos, por meio da internet, a gigantesca rede que já alcança quase a metade das residências do planeta, e de seus mecanismos de monitoração permanente, como a NSA e outras agências de espionagem, seus backbones, satélites, e as grandes empresas norte-americanas da área, e a computação em nuvem, identificando rapidamente qualquer um que possa ameaçar a sobrevivência do Sistema.
O mundo do Bezerro de Ouro será, então - como sonham ardentemente alguns - um mundo perfeito, onde os pobres, os contestadores, os utópicos - sempre que surgirem - serão caçados a pauladas e tratados a chicotadas, e, finalmente, perecerão, contemplando o céu, nos lugares mais altos, para que todos vejam, e sirva de exemplo, como aconteceu com um certo nazareno chamado Jesus Cristo, há 2.000 anos.

Ruralistas são 63% dos deputados que serão investigados na Lava Jato


Entre os 22 deputados citados na lista, 14 são ruralistas; Maior parte dos defensores do agronegócio mencionados são do PP.

Por Rafael Tatemoto - Do Brasil de Fato

Mais da metade dos deputados da lista da Operação Lava Jato – que investiga denúncias de desvios de recursos da Petrobras - fazem parte da bancada ruralista. Levando-se em conta todos os enumerados no rol da Procuradoria Geral da República (PGR), os defensores dos interesses do agronegócio são cerca de um terço. Os dados foram obtidos por meio de um cruzamento com o levantamento “Radiografia do novo Congresso: Legislatura 2015-2019”, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

Dos 12 senadores mencionados pela Procuradoria, um faz parte da bancada: Benedito de Lira (PP – AL). Entre os 22 deputados, 14 são ruralistas. Isso equivale a 63% dos membros da Câmara que serão investigados. Um político sem mandato, Vilson Covatti (PP – RS), também foi citado. Membros da bancada representam cerca de um terço (29%) da lista completa, que tem 54 nomes.

De acordo com o documento, um congressista pode ser considerado ruralista quando, “mesmo não sendo proprietário rural ou atuando na área de agronegócio, assume sem constrangimento a defesa dos pleitos da bancada, não apenas em plenários e nas comissões, mas em entrevistas à imprensa e em outras manifestações públicas”. De forma geral, tais interesses são a contraposição à reforma agrária, questões ambientais e direitos dos indígenas.

Os outros deputados ruralistas na lista da Lava Jato são Aníbal Gomes, do PMDB do Ceará e Vander Loubet, do PT do Mato Grosso do Sul. De acordo com o levantamento do site Atlas Político – plataforma que agrega dados sobre todos os congressistas brasileiros – dos 16 ruralistas que constam na lista, seis já respondem a processos na Justiça: Gomes, Lira, Sperafico, Balestra, Britto e Loubet.

As acusações variam em cada caso, e incluem, por exemplo, crimes eleitorais, lavagem de dinheiro e irregularidades em licitações.Tal como na listagem geral, a maior parte dos ruralistas citados são filiados ao PP. Além dos dois políticos já citados, os 14 deputados representantes dos interesses dos grandes proprietários de terra membros do partido são: Afonso Hamm (RS), Arthur Lira (AL), Dilceu Sperafico (PR), Jerônimo Goergen (RS), Lázaro Botelho (TO), Luís Carlos Heinze (RS), Luiz Fernando Faria (MG), Nelson Muerer (PR), Renato Molling (RS), Roberto Balestra (GO), Roberto Britto (BA) e Waldir Maranhão (MA). Goergen e Heinze são, respectivamente, coordenador institucional e ex-presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), espécie de associação formal da bancada ruralista no Congresso Nacional.

Hoje, a bancada do agronegócio é composta por 126 congressistas segundo o Diap. Os partidos com mais representantes do setor são PMDB (25), PP (19) e PSDB (16).

Na agenda do setor, estão questões importantes a partir de 2015: a PEC 215, que passa ao Legislativo o poder demarcar terras indígenas (dificultando o processo); o projeto de decreto legislativo 2351/06, que contém normas de saúde e segurança do trabalhador rural e a regulamentação da emenda constitucional 81/13, a qual permite a expropriação de terras nas quais for encontrado trabalho escravo.

A lista

Na última sexta-feira (6), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki, relator dos processos relativos à operação Lava Jato, que investiga um suposto esquema de corrupção na Petrobras, autorizou que políticos de seis partidos – PP, PMDB, PT, PSDB, PTB e Solidariedade – passassem a ser investigados. O magistrado também suspendeu o caráter sigiloso dos pedidos de abertura de inquérito.

Entre os investigados, estão o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB – AL) e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB – RJ). A lista indica os políticos que teriam se beneficiado do desvio de recursos da empresa estatal vindos de empreiteiras

quinta-feira, 19 de março de 2015

O jornal anti-nacional exibido à noite pela Tevê Globo


Por J. Carlos de Assis* - Carcará

Em artigo anterior expus os vícios praticados pelos noticiaristas e comentaristas da Globo na cobertura distorcida do noticiário nacional. Agora vou acabar o serviço fazendo uma análise sumária do noticiário internacional. Este é o campo preferido de William Waack, onde, com seus esgares característicos, ele nada de braçadas, ora vocalizando os interesses do Departamento de Estado americano, ora fulminando com a política de integração sul americana iniciada na gestão de Lula e aprofundada no governo Dilma.

As duas mais brilhantes conquistas da diplomacia brasileira há décadas, a construção da Unasul e o apoio decidido à organização dos BRICS, pareceram à Globo um passo insignificante ou nulo para os interesses brasileiros objetivos. Por puro viés ideológico, ela desmereceu o momento político mais positivo da região, em décadas, criado por afinidades democráticas entre os presidentes da América do Sul. E relegou a Arnaldo Jabor a tarefa de caracterizar a Unasul como uma entidade ideológica esquerdista e insignificante.
A motivação óbvia é o descompasso potencial entre Unasul e os interesses norte-americanos, defendidos diligentemente por Jabor, algo que ficou ainda mais explícito com a organização dos BRICS. Neste caso, ao interesse econômico concreto, a diplomacia brasileira adicionou um aspecto adicional geoeconômico e geopolítico, tendo em vista a aproximação política do Brasil com a China e, principalmente, com a Rússia – o grande rival nuclear pós-Guerra Fria dos Estados Unidos no plano mundial. A atitude da Globo aqui não foi principalmente de oposição mas de omissão ou desmerecimento.
Talvez o fato mais significativo em outro nível, a subserviência da Globo à política racista americana pró-Israel e contra os muçulmanos, tenha sido a cobertura pela tevê da iniciativa do Governo Lula no sentido de uma solução para a questão nuclear iraniana. Com prévio conhecimento de Obama, Brasil e Turquia propuseram um caminho ao Irã e aos Estados Unidos para se chegar a um acordo aceitável para as partes. Israel ficou contra, e obrigou os Estados Unidos a voltarem atrás e abortar a iniciativa. Obama se comportou, portanto, como um mau-caráter servil aos belicistas, e o Jornal de Waack tomou o lado dos belicistas.
A Globo regozijou-se com o mau resultado da legítima tentativa do Brasil, como membro temporário do Conselho de Segurança da ONU, de tentar ajudar no encaminhamento pacífico do mais prolongado e difícil conflito no mundo contemporâneo. O comentarista Arnaldo Jabor festejou o que teria sido um monumental fracasso brasileiro, condenando publicamente a interferência de Lula num jogo político que lhe parecia ser destinado exclusivamente aos “grandes”. Não houve uma única referência ao fato de que, pela primeira vez nas negociações dos Estados Unidos (ou, como querem, do “ocidente”) com o Irã, chegou-se muito próximo de um acordo por uma audaciosa e oportuna intervenção brasileira e turca, quebrando o gelo das negociações.
Não posso imaginar nenhuma televisão no mundo que se coloque tão abertamente contra iniciativas diplomáticas abertas de seu país, em especial quando se trata de iniciativas de paz, como a rede Globo. Claro, para Waack e Jabor mais vale uma gracinha na mão que um noticiário responsável voando. A parcialidade em favor da direita anti-palestina de Israel, assim como da direita norte-americana salta à vista. No caso do Irã, assim como foi anteriormente no caso do Iraque, o interesse norte-americano vem descaradamente coberto por um ente de razão chamado “ocidente”, como se houvesse uma real coligação de países ocidentais coordenados pelo hegemon decadente. O que se tem, hoje, na Europa é apenas medo da pressão diplomática e econômica norte-americana.
Não fossem a internet e as redes sociais, jamais saberíamos que o avião derrubado na Ucrânia o foi provavelmente por forças radicais do governo de Kiev, e não pelos insurgentes russófilos; que o assassinato de Allende foi orquestrado pelo Departamento de Estado; que o golpe brasileiro teve o patrocínio direto americano; que a direita belicista israelense sequestrou corações e mentes americanas; que o noticiário vindo dos Estados Unidos está contaminado por uma visão parcial da história mediante o controle direto pelo aparato de informação da notícia distribuída pelas agências.
Os repórteres da Globo enviados para o exterior, com raríssimas exceções – posso citar Renato Machado, com medo de prejudicá-lo no meio da mediocridade e da negatividade -, absorvem a cultura local pela ótica norte-americana, e não pela brasileira. Em matéria de política e de economia o que vale é o que agrada o Tio Sam. Em geral, são mal formados, porque a Globo dá atenção máxima à forma, não ao conteúdo. De qualquer modo, as meninas bonitas da Globo defendem suas promoções seguindo rigorosamente a cartilha de direita extremada da emissora.
Conheci Waack décadas atrás, na cobertura de uma reunião dos Sete Grandes em Bonn, na Alemanha. Na época, a cobertura política tinha total precedência sobre a econômica, pois o neoliberalismo ainda não estava plenamente instalado no mundo. Waack se revelou contente de me entregar a parte econômica da cobertura porque, dizia ele, não sabia nada de economia. Fiz minha parte. Testemunhei o que foi a completa capitulação da França e da Itália socialistas ao credo neoliberal defendido por Reagan e Thatcher no comunicado final. Claro, Waack e a maioria dos jornalistas políticos não tiveram ideia do que estava acontecendo.
Como isso aconteceu em 1985, teria bons motivos para acreditar que, desde então, aprendera alguma coisa de economia. Não é, porém, o que revela nos comentários. Na verdade, ele trava uma tremenda guerra com Jabor, outro fundamentalista da superficialidade, para saber qual dos dois é o mais raivoso, mais insolente, mais anti-nacional. A propósito, Waack fez uma longa pesquisa militar na Alemanha e na Itália para produzir um livro em que pretendeu demonstrar cabalmente que a FEB fez verdadeiro fiasco na Segunda Guerra, e que Monte Castelo foi um vexame. Bons, mesmo, verdadeiros heróis foram os norte-americanos!


*Jornalista, economista, professor, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de mais de 20 livros sobre Economia Política, entre os quais “A Razão de Deus”.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Sonegação no HSBC é dez vezes maior que a Lava Jato


A sonegação dos ricaços brasileiros no HSBC chega a ser dez vezes maior que a corrupção na Lava Jato

Por Gabriel Priolli - M Portal

Custo da corrupção na Petrobrás, estimado pelo Ministério Público Federal, a partir da Operação Lava-Jato: R$ 2,1 bilhões.
O que provoca: grande escândalo na mídia, comoção nacional, crise institucional, governo paralisado, articulação golpista, sensação de fim de mundo iminente.
Valor dos depósitos de 8.667 ricaços brasileiros no HSBC da Suíça, fugindo à tributação no país e, portanto, desviando recursos públicos: R$ 20 bilhões.

O que provoca: cobertura jornalística pífia, nomes de envolvidos omitidos, silêncio do governo, silêncio do parlamento, silêncio da justiça, desinteresse dos cidadãos, indiferença geral e irrestrita.
Conclusão inescapável: o zelo ético dos brasileiros pode ser no mínimo dez vezes menor que o necessário à pretendida moralização do país.

Desta vez, a denúncia não foi Edward Snowden, foi outra pessoa. Trata-se de Hervé Falciane que entregou as planilhas que havia extraído do escritório de Genebra ao Jornal Le Monde. Verificou-se que existiam 107 mil correntistas entre 2006 e 2007 que possuíam mais de US$ 100 bilhões de dólares em Bancos Suíços.

Muitos deles eram brasileiros e havia muita gente diretamente ligada à Grande Mídia que distorce e manipula informações para colocar o povo brasileiro contra a Presidente Dilma. Vejamos alguns destes nomes:

1. REDE BAND DE TELEVISÃO – João Roberto Saad. O noticiário da Band só dá noticias contra o Governo Federal, favorece protestos, estimula o impeachment e critica sistematicamente a gestão econômica do Governo Dilma. Entre os jornalistas mais a direita encontramos Boris Casoi (Ex-CCC), Fernando Mitre, Antonio Telles, etc.

2. REDE GLOBO DE TELEVISÃO– Lily Carvalho ex-esposa (já falecida) de Roberto Marinho. O noticiário da Globo sob a liderança de William Waack se opõe diretamente ao Governo Federal, favorece protestos, estimula o impeachment e critica sistematicamente a gestão econômica do Governo Dilma. Além de William Waack, outros jornalistas se prestam para este papel tais como Merval Pereira, Sardenberg, Eliana Catanhede, Arnaldo Jabour Etc. e do DIARIO CARIOCA- HORACIIO DE CARVALHO – 750 milhões de dólares

3. REDE SBT DE TELEVISÃO – Carlos Massa (Ratinho) com 12,4 milhões de dólares

4. TV E RADIO TRIBUNA DE PERNAMBUCO – Fernando João Pereira dos Santos com 9,9 milhões de dólares

5. GRUPO FOLHA DE SÃO PAULO – Octavio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho conta zerada em 2007

6. GAZETA MERCANTIL – Luiz Fernando Ferreira Levy zerou a conta em 2007

7. GRUPO DE TV VERDES MARES – Yolanda Queiroz, Lenise Queiroz Rocha, Paula Frota Queiroz e Edson Queiroz Filho com 83,9 milhões de dólares

8. REDE TRANSAMERICA – GRUPO ALFA – Aloísio de Andrade Faria com 120, 5 milhões de dólares

9. EDITORA ABRIL – REVISTA VEJA – José Roberto Guzzo conta zerada à época

10. GRUPO JOVEM PAN – Mona Dorf com 310 mil dólares. Fernando Luiz Vieira de Mello (diretor de jornalismo da Rádio Jovem Pan –falecido em 2001.

11. FAMILIA DINES JORNALISTAS INDEPENDENTES –Arnaldo, Alexandre, Débora e Liana com 1,3 milhões de dólares.

Não há parentesco com o empresário Luiz Abi


Algumas redes sociais e jornais estão divulgando - erroneamente - que o empresário Luiz Abi seria primo do governador Beto Richa, motivo pelo qual teria usado de influência familiar para fazer negócios. A informação não é apenas mentirosa, é tendenciosa e procura denegrir a imagem do governador.

A ligação do empresário Luiz Abi com o governador Beto é de sétimo grau. E pelo Código Civil isso não é considerado nem parente - o parentesco, segundo o código, vai até o quarto grau (artigos 1592 e 1594). A bisavó de Richa, dona Malak, é irmã da avó de Abi, dona Wodia. Portanto, não são primos. como afirmam alguns jornais.

terça-feira, 17 de março de 2015

O ex-ministro Paulo Bernardo escreve: "Contradições e fragilidades"


A fragilidade das acusações foi evidenciada pela própria Procuradoria Geral da República, que não pediu investigação contra mim

Paulo Bernardo

Na manchete da edição de 5 de março, esta Folha publicou que Paulo Bernardo estava na lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para ser investigado no âmbito da Operação Lava Jato. O meu rosto foi estampado em fotos na capa do jornal e na página A4.
Desde outubro, trechos selecionados de depoimentos da Lava Jato ocupam a mídia com a citação do meu nome e do da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), minha mulher.
Centenas de reportagens foram publicadas com os mesmos elementos: em 2010, Paulo Bernardo Silva, então ministro do Planejamento, teria pedido ao então diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, uma doação de campanha para Gleisi Hoffmann, candidata ao Senado.
O pedido teria sido repassado a Alberto Youssef para a remessa dos valores. O enredo incluiu ainda outra afirmação: Paulo Roberto Costa teria informado que as letras "PB", escritas por ele em uma agenda, seriam do meu nome.
Reportagens e mais reportagens foram baseadas em informações vazadas de maneira seletiva e ilegal, posto que o processo era formalmente sigiloso. No nosso caso, sabemos hoje, além de seletivo, o vazamento foi falso, pois divulgaram algo que não consta dos autos. A imprensa ignorou tudo isso e desconsiderou o "outro lado" ao veicular tais informações.
Agora, ao ter acesso aos autos anexados pela própria Procuradoria Geral da República, pudemos ver que eles desmentem essa versão. Em depoimento, o ex-diretor da Petrobras afirmou que Youssef lhe teria dito que "havia um pleito" de Paulo Bernardo para a campanha de Gleisi Hoffmann ao Senado.
Paulo Roberto Costa teria concordado com o "repasse", acreditando que o pedido era mesmo de Paulo Bernardo, como dizia Youssef. O problema é que o doleiro desmente isso e afirma que o pedido para a campanha de Gleisi teria partido do próprio Paulo Roberto Costa.
Com versões desencontradas, Paulo Roberto e Youssef foram chamados a depor novamente e ambos reafirmaram o que haviam dito antes. Assim, a contradição se manteve. O caso da caderneta foi esclarecido por Paulo Roberto: a sigla PB constava de uma relação apresentada por Youssef e copiada por ele, Paulo Roberto Costa.
A fragilidade das acusações foi evidenciada pela própria Procuradoria Geral da República, que não pediu investigação contra mim. As referências a Gleisi também são frágeis, sem nada nos depoimentos que possa ligá-la a qualquer pedido (ou entrega) de valores.
Contra a senadora, o procurador incluiu outra acusação, ainda mais frágil: durante o processo, Youssef declarou que o Planalto sabia de tudo - leia-se Lula, Dilma Rousseff, José Dirceu, Erenice Guerra, Antonio Palocci e Gleisi Hoffmann.
Importante lembrar que o processo trata da campanha de 2010, quando Gleisi não exercia cargo público. A senadora nunca teve qualquer tipo de contato com Youssef, assim como eu também nunca tive.
A propósito: Youssef já foi preso e condenado. Livrou-se da cadeia valendo-se da delação premiada e voltou à atividade, tornando-se um dos maiores doleiros do país. Quer dizer, ele já ludibriou a lei e pode supor que ganhou com isso.
Vamos nos defender com a verdade e as armas do Estado democrático de Direito para restaurar a dignidade do nosso nome, duramente atingida pelas precipitações que fermentam o noticiário.
Não prescindimos do papel da imprensa como instrumento de esclarecimento público e de busca da verdade, mas achamos que há algo de muito errado nesse frenético publicar de informações vazadas seletiva, falsa e ilegalmente, sem o direito ao contraditório.
Além de desconsiderarem a presunção de inocência, valor fundamental na democracia, esses procedimentos põem em causa os princípios do processo justo.

Paulo Bernardo Silva, 63, é funcionário de carreira do Banco do Brasil. Foi ministro do Planejamento (governo Lula) e das Comunicações (governo Dilma)

domingo, 15 de março de 2015

O que seria dos protestos se não fosse a Rede Globo?


Alex Escobar, que esteve à frente do Esporte Espetacular neste domingo, passou mais tempo chamando a atenção para os protestos do que apresentando o programa esportivo

Rede Globo interrompe a programação deste domingo a cada 40 minutos para convocar, ao vivo, a população a participar dos protestos pró-impeachment em todo o Brasil. Texto usado por repórteres em todas as cidades foi idêntico: "manifestação pacífica, contra a corrupção, com mulheres, idosos e crianças pedindo democracia e fora Dilma"

A Rede Globo entrou de cabeça na cobertura das manifestações que pedem o impeachment de Dilma Rousseff neste domingo em várias cidades do Brasil. A emissora mobilizou, como há muito tempo não se via, toda a sua estrutura com o objetivo de ampliar a visibilidade dos atos. Quase 100% dos seus jornalistas estiveram de plantão.
Durante o Esporte Espetacular, programa exibido tradicionalmente pela emissora nas manhãs de domingo, o esporte se transformou em pauta secundária. As chamadas ao vivo sobre os protestos, em tom de convocação, tomaram a maior parte da programação.
Nas entradas em todas as cidades onde aconteciam mobilizações, os microfones da emissora captaram gritos de guerra contra o atual governo e xingamentos contra a presidente. Em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro, foi possível ouvir “Ei, Dilma, vai tomar no **”.
O texto usado pelos repórteres das afiliadas da emissora para relatar as mobilizações foi idêntico: “manifestação pacífica, contra a corrupção, com mulheres, idosos e crianças pedindo democracia e fora Dilma”.
Como este site já havia divulgado, a Globo anunciou esta semana que usaria o ‘Globo Notícia’ para criar um clima mais quente da cobertura dos protestos pró-impeachment. A emissora não costuma utilizar o expediente em eventos, mas abriu exceção para hoje. A título de comparação, as manifestações do último dia 13, que também aconteceram em todo o Brasil e defenderam a Reforma Política, não mereceram cobertura tão dedicada do maior conglomerado midiático da América Latina.
Internautas repudiaram o intento golpista da Rede Globo e alçaram, durante 48 horas ininterruptas, a hashtag #GloboGolpista para a primeira posição entre os assuntos mais comentados do Twitter.
O diretor da Rede Globo Erick Bretas, que semanas atrás defendeu abertamente o impeachment de Dilma Rousseff nas redes sociais, voltou a se pronunciar sobre os atos deste domingo e utilizou uma frase de Bob Marley para convocar o povo às ruas: “Get up, stand up”, publicou em seu facebook.
Não se sabe se Bob Marley apoiaria a causa de Bretas, mas é fato que entre os princípios editoriais da Globo não está a “isenção” que tanto prega.
Ao observar os atos de domingo e comparar a realidade das ruas com a empolgação da transmissão global, o professor universitário Gilberto Maringoni, ex-candidato do PSOL ao governo de São Paulo, foi quem melhor resumiu o panorama dos atos contra Dilma. “A manifestação principal não está nas ruas, está na TV”, disse.

Pragmatismo Político

REDE GLOBO ESTÁ NA LISTA DO HSBC NA SUIÇA


Lista do HSBC tem 22 empresários de comunicação e sete jornalistas

Procurados, os executivos, herdeiros e empresários de mídia e jornalistas que aparecem na lista do banco na Suíça negaram a existência das contas numeradas ou qualquer irregularidade fiscal

Brasília – Matéria publicada hoje (14) no jornal O Globo informa que ao menos 22 empresários do setor e sete jornalistas brasileiros estão entre os correntistas do HSBC suíço, na lista dos 8.667 brasileiros que, em 2006 e 2007, tinham contas numeradas no banco. A Receita Federal está de olho na relação de nomes e já informou que continua trabalhando com o objetivo de aumentar as medidas de cooperação internacional necessárias para obter de autoridades europeias a lista oficial e integral dos contribuintes brasileiros suspeitos de ter contas na subsidiária do banco HSBC na Suíça.

O caso que está sendo chamado de SwissLeaks, em alusão ao WikiLeaks, que publica em sua página na internet dados de governos e organizações que considera de interesse dos cidadãos. A lista do HSBC foi divulgada pelo International Consortium of Investigative Journalism (Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo) e pode indicar fraude fiscal.

A matéria é baseada em levantamento feito pelo próprio jornal, em parceria com o portal UOL, pertencente ao Grupo Folha, com base em documentos oficiais que foram vazados pelo ex-funcionário do banco, Hervé Falciani. A investigação jornalística é comandada pelo ICIJ, sigla em inglês para Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos.

Na lista, divulgada pelo jornal, constam os nomes de proprietários do Grupo Folha. Tiveram conta conjunta naquela instituição os empresários Octavio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho já falecidos. Luiz Frias, atual presidente da Folha e do UOL, aparece como beneficiário da mesma conta, criada em 1990, e encerrada em 1998.

Integrantes da família Saad, dona da Rede Bandeirantes, também tinham contas no HSBC na época em que os arquivos foram vazados. Constam entre os correntistas os nomes do fundador da Bandeirantes, João Jorge Saad e da empresária Maria Helena Saad Barros, também falecidos, e de Ricardo Saad e Silvia Saad Jafet, filho e sobrinha de João Jorge.

Outro nome que aparece na lista obtida pelo jornal é de Lily de Carvalho, viúva de dois jornalistas e donos de jornais, Horácio de Carvalho, ex-proprietário do Diário Carioca, e Roberto Marinho, dono das Organizações Globo. Os dois estão mortos. Lily de Carvalho morreu em 2011.

Na lista do jornal consta ainda Luiz Fernando Ferreira Levy (1911-2002), que foi proprietário do extinto jornal Gazeta Mercantil, e integrantes do Grupo Edson Queiroz, dono da TV Verdes Marese do Diário do Nordeste. Constam na lista do HSBC, Lenise Queiroz Rocha, Yolanda Vidal Queiroz e Paula Frota Queiroz. Edson Queiroz Filho, que morreu em 2008, também surge como beneficiário de uma das contas.

O jornal revela ainda que na lista estão Dorival Masci de Abreu (morto em 2004), que era proprietário das rádios Scalla, Tupi, Kiss, entre outras, e João Lydio Seiler Bettega, dono das rádios Curitiba e Ouro Verde FM, no Paraná.

O levantamento de O Globo e do UOL indica ainda Fernando João Pereira dos Santos, do Grupo João Santos, da TV e da rádio Tribuna (no Espírito Santo e em Pernambuco) e Anna Bentes, que foi casada com Adolpho Bloch (1908-1995), fundador do antigo Grupo Manchete.

O apresentador Ratinho (Carlos Roberto Massa), dono da Rede Massa (afiliada ao SBT no Paraná), foi outro que teve conta no HSBC da Suíça. A lista inclui ainda Aloysio de Andrade Faria, do Grupo Alfa (Rede Transamérica) e sete jornalistas: Arnaldo Bloch (O Globo), José Roberto Guzzo (Editora Abril), Mona Dorf (apresentadora da rádio Jovem Pan), Arnaldo Dines, Alexandre Dines, Debora Dines e Liana Dines. Finaliza a lista divulgada pelo O Globo, o radialista Fernando Luiz Vieira de Mello (1929-2001), ex-rádio Jovem Pan. Alberto Dines, pai de quatro dos jornalistas citados, informou que três dos seus filhos moram há anos no exterior e não são obrigados a declarar ao Fisco brasileiro.

Envolvidos negam irregularidades ou não comentam
Procurados, os empresários de mídia e jornalistas que aparecem na lista do HSBC negaram a existência das contas numeradas na Suíça ou qualquer irregularidade. O Grupo Folha e a família de Octavio Frias de Oliveira informaram “não ter registro da referida conta bancária e manifestam sua convicção de que, se ela existiu, era regular e conforme à lei”. O Grupo Bandeirantes, de João Jorge Saad, informou, por meio de sua assessoria, que “não vai comentar o assunto”.

Sobre a conta de Lily de Carvalho, viúva dos jornalistas Horácio de Carvalho e Roberto Marinho, o Grupo Globo não comenta. Pelo Grupo Edson Queiroz, da TV Verdes Mares, Lenise Queiroz Rocha afirmou desconhecer a existência da conta. Luiz Fernando Ferreira Levy, ex-presidente da Gazeta Mercantil, disse que não tinha conta.

A família de Dorival Masci de Abreu, que era proprietário da rede CBS de rádios, disse, por meio de assessoria, que não se manifestará.

Julieta, mulher de João Lydio Seiler Bettega, da Curitiba e Ouro Verde FMs, afirmou que o casal nunca teve conta na Suíça e que é correntista do banco em Curitiba. Fernando João Pereira dos Santos, do Grupo João Santos, foi procurado por e-mail enviado para sua diretoria dele, mas não respondeu.

Anna Bentes, mulher de Adolpho Bloch, não foi encontrada. O Grupo Massa, de Ratinho, afirmou que todos os bens e valores de Carlos Roberto Massa e Solange Martinez Massa foram devidamente declarados. O Grupo Alfa, de Aloysio de Andrade Faria, afirmou que não tinha “nada a declarar”.

O jornalista Arnaldo Bloch afirmou que nunca teve conta no HSBC, no Brasil ou no exterior. Já o jornalista José Roberto Guzzo disse que “nunca teve conta no HSBC da Suíça em qualquer outra época”. Mona Dorf, da Jovem Pan, foi procurada, por meio de sua assessoria, mas não respondeu.

O jornalista Fernando Vieira de Mello afirmou que nem ele nem o pai foram titulares de conta no HSBC suíço.

sábado, 14 de março de 2015

Terroristas do Estado Islâmico invadem site de Curitiba


Terroristas do movimento jihadista Estado Islâmico invadiram o site 'Ônibus de Curitiba', uma página que compila informações sobre as diversas linhas de ônibus e viações que circulam pela cidade, nesta quarta-feira.

No endereço eletrônico aparece a indicação “hacked by Islamic State” escrito em vermelho no topo da página. Além do símbolo do EI, que contrasta com fundo preto, uma música típica do Oriente Médio toca automaticamente. Os invasores deixaram um recado: "we are everywhere" (estamos em todo lugar). Os motivos para a invasão do site são desconhecidos.

Existe a suspeita de que os terroristas erraram o site, e estariam visando outro site feito em Curitiba e acessado em diversos países do mundo, que trata de política internacional, o www.marchaverde.com.br. O site defende o governo da Síria e ataca o Estado Islâmico com matérias diárias.

Outra hipótese é a de que a invasão tenha sido feita por hackers norte-americanos ou nacionais para tentar criar um clima de medo. Eles fizeram isso no governo Jaime Lerner, logo após o 11 de Setembro, quando diversas centrais telefônicas foram "criadas" em Curitiba mostrando ligações telefônicas locais para o Afeganistão e Iraque. Na verdade, tudo não passou de uma encenação de alguns policiais locais que fizeram um curso em Israel - e até hoje não foram punidos.

EUA vetam, de novo, venda de aviões militares brasileiros. O Exército Islâmico agradece


Primeiro, foi a venda das aeronaves EMB-314 SuperTucano à Venezuela, em 2006.

Agora, o governo norte-americano ameaça inviabilizar a venda de 24 aviões deste modelo – num valor entre US$ 250 milhões a US$ 300 milhões ao governo dos Emirados Árabes Unidos, um aliado dos EUA no oriente Médio.
O motivo?
Os Emirados iam repassá-los ao Iraque, para ajudar no combate ao Exército Islâmico, que controla vastas áreas do país. Como o Iraque tem tido forte ajuda do governo do Irã, especialmente na aeronáutica, os EUA vetaram a transferência, com pressões sobre o governo de Abu Dhabi.
E, dizem eles, os SuperTucanos cairiam nas mãos dos iranianos, que não possuem esta aeronave, mas sua versão anterior (e inferior), o EMB-312 .
Se as pressões não forem suficientes, os Estados Unidos podem fazer valer, como no caso da Venezuela, seu poder de veto pelo fato de haver, na aeronave, sistemas de comunicação de tecnologia americana.
Pois é: o Exército Islâmico é terrorista, genocida, etc, etc..
Embora, claro, desfile com farto armamento de origem norte-americana.
Quando se trata de seus interesses geopolíticos, os Estados Unidos não vacilam em lhes dar, digamos, “cobertura aérea”.

Fernando Brito

terça-feira, 10 de março de 2015

JUCA KFOURI: PANELAÇO REFLETE 'ÓDIO DA ELITE BRANCA'


"O panelaço nas varandas gourmet de ontem não foi contra a corrupção", diz o jornalista Juca Kfouri; "Foi contra o incômodo que a elite branca sente ao disputar espaço com esta gente diferenciada que anda frequentando aeroportos, congestionando o trânsito e disputando vaga na universidade"; leia a íntegra

247 - O jornalista Juca Kfouri definiu o panelaço de ontem como a expressão de ódio da chamada 'elite branca'. Leia abaixo:

O panelaço da barriga cheia e do ódio

Por Juca Kfouri

Nós, brasileiros, somos capazes de sonegar meio trilhão de reais de Imposto de Renda só no ano passado.

Como somos capazes de vender e comprar DVDs piratas, cuspir no chão, desrespeitar o sinal vermelho, andar pelo acostamento e, ainda por cima, votar no Collor, no Maluf, no Newtão Cardoso, na Roseana, no Marconi Perillo ou no Palocci.

O panelaço nas varandas gourmet de ontem não foi contra a corrupção.

Foi contra o incômodo que a elite branca sente ao disputar espaço com esta gente diferenciada que anda frequentando aeroportos, congestionando o trânsito e disputando vaga na universidade.

Elite branca que não se assume como tal, embora seja elite e branca.

Como eu sou.

Elite branca, termo criado pelo conservador Cláudio Lembo, que dela faz parte, não nega, mas enxerga.

Como Luís Carlos Bresser Pereira, fundador do PSDB e ex-ministro de FHC, que disse:

“Um fenômeno novo na realidade brasileira é o ódio político, o espírito golpista dos ricos contra os pobres.

O pacto nacional popular articulado pelo PT desmoronou no governo Dilma e a burguesia voltou a se unificar.

Surgiu um fenômeno nunca visto antes no Brasil, um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, a um partido e a um presidente.

Não é preocupação ou medo. É ódio.

Decorre do fato de se ter, pela primeira vez, um governo de centro-esquerda que se conservou de esquerda, que fez compromissos, mas não se entregou.

Continuou defendendo os pobres contra os ricos.

O governo revelou uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres.

Nos dois últimos anos da Dilma, a luta de classes voltou com força.

Não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia insatisfeita.

Quando os liberais e os ricos perderam a eleição não aceitaram isso e, antidemocraticamente, continuaram de armas em punho.

E de repente, voltávamos ao udenismo e ao golpismo.”

Nada diferente do que pensa o empresário também tucano Ricardo Semler, que ri quando lhe dizem que os escândalos do mensalão e da Petrobras demonstram que jamais se roubou tanto no país.

“Santa hipocrisia”, disse ele. “Já se roubou muito mais, apenas não era publicado, não ia parar nas redes sociais”.

Sejamos francos: tão legítimo como protestar contra o governo é a falta de senso do ridículo de quem bate panelas de barriga cheia, mesmo sob o risco de riscar as de teflon, como bem observou o jornalista Leonardo Sakamoto.

Ou a falta de educação, ao chamar uma mulher de “vaca” em quaisquer dias do ano ou no Dia Internacional da Mulher, repetindo a cafajestagem do jogo de abertura da Copa do Mundo.

Aliás, como bem lembrou o artista plástico Fábio Tremonte: “Nem todo mundo que mora em bairro rico participou do panelaço. Muitos não sabiam onde ficava a cozinha”.

Já na zona leste, em São Paulo, não houve panelaço, nem se ouviu o pronunciamento da presidenta, porque faltava luz na região, como tem faltado água, graças aos bom serviços da Eletropaulo e da Sabesp.

Dilma Rousseff, gostemos ou não, foi democraticamente eleita em outubro passado.

Que as vozes de Bresser Pereira e Semler prevaleçam sobre as dos Bolsonaros é o mínimo que se pode esperar de quem queira, verdadeiramente, um país mais justo e fraterno.

E sem corrupção, é claro!

segunda-feira, 9 de março de 2015

JORGE PAULO LEMANN É QUEM FINANCIA O GOLPISMO?


Homem mais rico do Brasil, com US$ 29 bilhões, o empresário Jorge Paulo Lemann, dono da Ambev, ainda mantém, sob a Fundação Estudar, o domínio vemprarua.org.br; o responsável pelo movimento, Fábio Tran, continua como diretor-executivo da mesma Fundação; em dezembro do ano passado, Lemann falou ao 247, garantiu ser 'apolítico' e disse que tomaria providências em relação ao caso; texto que viraliza na internet associa Lemann não só ao 'vemprarua', como também ao recente locaute dos caminhoneiros; coincidência ou não, o vemprarua, que pretende reunir 100 mil pessoas no próximo domingo pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, divulgou posts patrocinados no Facebook – por quem??? – em solidariedade aos 'amigos caminhoneiros'; procurado por 247, desta vez Lemann não se pronunciou, mas a Fundação Estudar entrou em contato para informar que Fábio Tran está se desligando nesta semana, apenas três meses depois que o caso veio a público, e que o domínio está sendo cancelado; demora em agir causou danos à imagem do bilionário

247 - O executivo Rodrigo Telles, diretor da Fundação Estudar, que pertence ao trio de bilionários da Ambev liderado por Jorge Paulo Lemann, e mantém o registro do domínio vemprarua.org.br, acaba de entrar em contato com o 247. Ele esclarece que o executivo Fábio Tran, responsável pelo movimento 'vemprarua', que tenta promover o impeachment da presidente Dilma Rousseff, está se desligando da Fundação. "Esta é a sua última semana", diz ele.
Em tese, Tran poderia ter sido afastado três meses atrás, quando o caso veio a público e Jorge Paulo Lemann se disse indignado com o uso político de sua fundação (leia mais em "Ao 247, Lemann nega apoio ao impeachment"). O responsável pelo 'vemprarua' permaneceu na fundação mesmo depois da descoberta de que registrou por lá o domínio porque, segundo Telles, vinha fazendo um ótimo trabalho. "Ele cometeu um erro, mas não pode ser crucificado por esse erro", afirmou. Segundo Telles, Tran está se mudando para Londres.
Telles informa, ainda, que o domínio está sendo cancelado. "O trâmite é lento e está demorando porque houve uma mudança no estatuto da fundação", diz ele. Segundo o Registro.br, órgão responsável pelo registro de domínios no País, um domínio pode ser cancelado em dois dias úteis.
Lemann garante que jamais permitiria que sua fundação fosse contaminada por interesses políticos. Mas a demora em afastar Fábio Tran – que, aparentemente, decidiu se afastar voluntariamente – e a lentidão para cancelar o domínio causaram danos à sua imagem pública.

Leia, abaixo, reportagem anterior do 247, publicada, nesta segunda-feira, às 10h:

247 - Em dezembro do ano passado, pouco depois da derrota nas eleições presidenciais, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) convocou um protesto – ao qual não compareceu – contra o governo Dilma. Era um ato organizado pelo movimento 'vemprarua', liderado pelo executivo Fábio Tran, que espalha mensagens contra o PT e a presidente Dilma Rousseff produzidas até por personagens com a célebre Rachel Sheherazade (confira aqui a página do movimento no Facebook).
Ainda em dezembro, o site Vermelho, do PCdoB, realizou uma pesquisa e descobriu que o domínio vemprarua.org.br estava registrado em nome da Fundação Estudar, do bilionário Jorge Paulo Lemann, homem mais rico do País, com uma fortuna de US$ 29 bilhões, em parceria com seus sócios Marcel Telles e Beto Sicupira, além do BTG Pactual, de André Esteves.
Procurado por 247, Lemann reagiu prontamente. "Eu não me meto em politica e a Fundação Estudar também tem que ser totalmente apolitica", disse ele, prometendo apuração rigorosa sobre o caso (leia mais em "Ao 247, Lemann nega apoio ao impeachment").
Lemann, no entanto, admitiu que "o Fábio Tran realmente existe na Fundação". Embora tenha prometido providências, Lemann, aparentemente, nada fez. Em seu perfil na rede social Linkedin, Fábio Tran informa que sua ocupação atual continua sendo a Fundação Estudar (leia aqui). Além disso, uma simples pesquisa no Registro.br, responsável pelo registro de domínios no País, informa que o domínio vemprarua.org.br continua em poder da Fundação Estudar.
Foi este domínio, por sinal, que deu origem à página no Facebook do movimento. Uma página em que diversos posts de convocação aos protestos vêm sendo patrocinados – ou seja, pagos à rede social de Mark Zuckerberg para atingir o maior número possível de pessoas.
A única mudança realizada de dezembro até agora foi a criação do domínio vemprarua.net, no exterior, sem identificação de quem é o responsável. É ele, agora, que direciona para a página do movimento, enquanto o vemprarua.org.br, embora ainda ativo, e em nome da fundação de Lemann, foi colocado fora do ar.

O apoio ao locaute dos caminhoneiros

Além do registro do vemprarua.org em nome da fundação que lhe pertence, Lemann também vem sendo acusado, num texto que começa a viralizar na internet, de ter apoiado o recente locaute dos caminhoneiros, que provocou desabatecimento e alta de preços em diversas regiões do País. Trata-se do post "Quem financia campanha do Impeachment e protesto de Caminhoneiros?", escrito por Marcos Lemos (confira aqui).
Lemos lembra, em seu texto, que empresas controladas por Lemann, como Ambev, Lojas Americanas, ALL e B2W (antigo Submarino), possuem imenso poder sobre a logística nacional. Coincidência ou não, em diversos posts, o movimento vemprarua pediu solidariedade aos 'amigos caminhoneiros' (leia, aqui, o texto de José Augusto Valente, especialista em logística, sobre o movimento político nas estradas).
No texto de Marcos Lemos, ele também posta um vídeo dos Revoltados Online, em que eles acusam o 'vemprarua' de ser um 'movimento de empresários'.
Procurado por 247, desta vez, Lemann decidiu não se pronunciar.

Nota da redação: E dá-lhe cachaça para embriagar e anestesiar o povo brasileiro...
Vejam o tamanho do cartel, e nunca ganharam tanto dinheiro como nesses últimos anos, colocando milho transgênico no lugar de ingredientes saudáveis e tradicionais na fórmula das cervejas nacionais.
Abaixo está a lista de produtos da Ambev.

Cervejas
Antarctica Sub Zero
Antarctica
Brahma
Bohemia
Brahma Light
Brahma Extra
Brahma Fresh
Budweiser
Caracu
Kronenbier
Labatt Blue
Lakeport Brewing
Liber
Miller
Original
Polar
Puerto del Mar
Quilmes
Serra Malte
Skol
Staropramen
Stella Artois
Franziskaner
Hoegaarden
Leffe
Norteña
Patricia

Outras bebidas
Pepsi
Guaraná Antarctica
Guarah
Soda Limonada Antarctica
Água Tônica Antarctica
Sukita
Lipton Ice Tea
Água Fonte da ilha
Teem
H2OH!
Gatorade
Frutzzz
Propel - Hydractive
Os Caçulinhas
Fusion

Juiz Sérgio Moro intima ministro Jaques Wagner


O juiz Sérgio Moro autorizou o depoimento de seis políticos - entre eles, o ministro de Defesa, Jaques Wagner (PT) - indicados pela defesa do presidente da UTC, Ricardo Pessoa, na ação que corre na Justiça Federal de Curitiba.

Além de Wagner, foram arrolados os deputados federais Jorge Tadeu Mudalen (DEM), Arlindo Chinaglia (PT), Paulinho da Força (SD) e Jutahy Magalhães Júnior (PSDB); e o secretário de Agricultura de São Paulo, Arnaldo Jardim. Apesar autorizar os depoimentos, Moro criticou a intimação das autoridades. “A oitiva (...) é sempre demorada e difícil (...). Além disso, tais agentes públicos servem à comunidade e não se afigura correto dispender o seu tempo, além do desse juízo, ouvindo-os sem que haja real necessidade”, diz um trecho do seu despacho.

Nos últimos dias de governo, enquanto governador da Bahia, Jaques Wagner aprovou lei garantindo mordomias para os ex-governadores.

sábado, 7 de março de 2015

Exposição em Vitória mostra imagem real da Coreia Popular


O PCdoB capixaba promoveu, esta semana, uma exposição sobre a República Popular Democrática da Coreia (RPDC). A ideia é mostrar livros e fotos sobre a cultura e dia a dia do país para desmistificar a imagem construída no Ocidente sobre a Coreia do Norte, que é rotulado como uma ameaça à paz. A exposição Coreia Popular - Exposição Cultural e Relatos de Uma Viagem acontece no Sindicato dos Professores (Sinpro), em Vitória.

O embaixador da Coreia, Paek Tong Um, também participou de reunião com partidos de esquerda, movimentos sociais e outras organizações com o Centro Brasileiro de Solidariedade e Luta pela Paz (Cebrapaz) e Casa da América Latina na sede do PCdoB, em Vila Velha. O objetivo é a troca de informações e experiências na luta pela paz e contra o imperialismo norte-americano.
Em janeiro deste ano, o secretário estadual de organização do PCdoB, Anderson Falcão Azevedo, realizou uma exposição sobre a viagem que fez à República Democrática Popular da Coreia, em julho de 2014, junto com uma comitiva organizada pelo PCdoB, a convite da embaixada daquele país.
Falcão apresentou ao público presente um panorama bem diferente da Coreia Popular apresentado pela grande mídia ocidental. "O que pudemos ver foi um país muito bem estruturado e organizado, nada daquilo que é falado no Ocidente".
Já o embaixador disse que o seu país quer fortalecer os laços com o Brasil, inclusive no setor produtivo. O país que tem grande quantidade de matéria prima tem interesse em vender para o Brasil, como também se interessa por produtos brasileiros, como o café.
O país tem relações diplomáticas com mais de 100 países incluindo o Brasil, mas esbarra no fato de a moeda internacional ser o dólar, moeda que a Coreia Popular não utiliza em suas relações internacionais.

Do Portal Vermelho
De Brasília, com agências

sexta-feira, 6 de março de 2015

O MAPA DA CONSPIRAÇÃO NO BRASIL SEGUNDO O PADRÃO DA CIA


Por José Carlos de Assis

Temos em curso no Brasil uma conspiração destinada a desestabilizar o Governo Dilma sob o pretexto da luta contra a corrupção. É da mesma natureza das iniciativas para promover mudanças de regime na chamada Primavera Árabe, com a diferença de que, nesses casos, os regimes eram ditaduras estabilizadas, enquanto no nosso caso somos uma democracia vulnerável. Como não é possível estimular um golpe em favor de democracia que já existe, a desculpa é o combate à corrupção que se pretende vincular aos presidentes Lula e Dilma.

Pessoas de boa fé pensam que tal conclusão é precipitada. Eu próprio costumo rejeitar teorias conspiratórias, porém só até o ponto em que as evidências começam a falar mais alto. Vou tentar mostrar a evidência de uma conspiração em curso no Brasil usando como principal referência a principal revista de política externa dos Estados Unidos, a “Foreign Affairs”, insuspeita de antiamericanismo. Tomo como referência ensaios da edição de setembro/outubro sobre a crise na Ucrânia e sobre o golpe contra Allende no Chile há 40 anos.

Relativamente à Ucrânia, a revista diz abertamente que a crise é culpa sobretudo do ocidente, ou seja, dos Estados Unidos. Resulta da ambição da OTAN, sob liderança americana, de empurrar suas fronteiras para o Leste incorporando sucessivamente quase todos os estados da órbita da antiga União Soviética. Assim, em 1999, foram incorporadas a República Checa, a Hungria e a Polônia. Sempre sob protestos russos, em 2004 foram anexadas Bulgária, Estônia, Latvia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia. Em 2009, foi a vez de Albânia e Croácia.

Essas incorporações violaram compromissos formais estabelecidos com Gorbachev no processo de reunificação da Alemanha, para a qual foi essencial a concordância russa. A Rússia não reagiu além de protestos formais, parte porque estava ela própria internamente fragmentada, parte porque todos esses países incorporados à OTAN não fazem fronteira direta com ela, exceto os pequenos países bálticos. Em 2008, contudo, a OTAN manifestou a intenção de incorporar também as fronteiriças Geórgia e a Ucrânia, o que significava acabar de cercar a Rússia.

Nenhum líder russo aceitaria ou aceitará o cumprimento dessa ameaça no seu próprio quintal, muito menos um estrategista da estatura de Putin. Quando o presidente da Geórgia, simpatizante da entrada na OTAN, resolveu reincorporar as províncias rebeldes de Abkhazia e Ossétia do Sul, Putin reagiu imediatamente e as invadiu. Deixou claro, nesse movimento, que não aceitará a incorporação da Geórgia, um país limítrofe da Rússia, à OTAN, a não ser fragmentado. Assim como deixou claro a Bush, segundo um jornal russo, que “se a Ucrânia fosse admitida na OTAN ela cessaria de existir.”

“Foreign Affairs” faz um retrato realista do que aconteceu daí em diante na Ucrânia. No processo de criar a atmosfera “democrática” favorável à adesão à União Europeia, atalho para a entrada na OTAN, os Estados Unidos despejaram desde 1991 mais de US$ 5 milhões em instituições de formação de opinião no país, para – segundo Victoria Nulan, a secretária de Estado assistente para a Europa e a Eurásia -, criar para a Ucrânia “o futuro que ela merece”. Uma instituição especial, a National Endowment for Democracy, promoveu mais de 60 projetos para minar a estabilidade do Governo legítimo de Yanukovych, pró-russo.

O presidente dessa instituição, Carl Gershman, não deixou muita dúvida quanto ao objetivo último desse movimento. Numa entrevista ao New York Times, declarou que “a escolha da Ucrânia de integrar a Europa vai acelerar a morte da ideologia do imperialismo russo que Putin representa”. De forma ainda mais explícita, acrescentou que “os russos também enfrentam uma escolha, e Putin pode encontrar-se no lado perdedor final não no exterior do país, mas dentro da própria Rússia”. Putin reagiu a esse tipo de provocação invadindo a Crimeia e promovendo o referendo para sua anexação à Rússia.

Estou transcrevendo trechos dessa longa reportagem porque sei que os brasileiros não merecem de nossa imprensa, escrita ou televisiva, um noticiário imparcial sobre o que está acontecendo na Ucrânia. Nossa grande imprensa é em relação aos Estados Unidos mais governista, em qualquer circunstância, do que a própria imprensa da elite americana. Mas o que quero acentuar é que o governo americano tem uma estratégia clara de sustentação de sua dominação no mundo e está disposto a pagar qualquer preço, sobretudo se o preço foram instituições ou vidas de outros povos, para firmar seus objetivos estratégicos.

É nesse ponto que convém examinar a situação brasileira atual. Os Estados Unidos restabeleceram a Guerra Fria e elegeram a Rússia como inimigo estratégico, já que a Rússia, ainda uma potência nuclear de primeira linha, é o único poder estratégico, junto com a China na economia, capaz de rivalizar com eles. Ora, nós estamos cometendo a audácia de nos aproximarmos da Rússia e da China no âmbito dos BRICS, criando uma alternativa de desenvolvimento no mundo, tanto do ponto de vista geoeconômico quanto geopolítico. Para quem quer levar o braço da OTAN até as planícies ucranianas, esse é um grande desafio, considerando o fato de que Brasil e África do Sul são considerados quintais relativamente bem comportados do poderio americano.

Se para eliminar o risco de uma maior aproximação com a Rússia for necessário desestabilizar o Governo brasileiro, apelando para uma inventada condescendência com a corrupção, como aconteceu na Ucrânia, os Estados Unidos não se farão de rogados. Eles tem aliados poderosos aqui dentro como leais quinta-colunas. Por algum motivo gravaram os telefones da Dilma. Já no Chile, de acordo com documentos desclassificados depois de 40 anos da deposição de Allende, verifica-se, segundo a mesma “Foreign Affairs”, que o golpe e o assassínio de Allende foram orquestrados por Washington, sob coordenação de Henry Kissinger. Começou com o assassinato do general anti-golpista Schneider, pago pela CIA, e teve durante todo o tempo da conspiração a instigação permanente do jornal “El Mercurio”, que para isso recebeu da CIA US$ 11 milhões em dinheiro de hoje. A “Veja”, como todos sabem, passa por dificuldades financeiras. Não seria o caso de se examinar quem está sustentando suas infâmias destinadas a desestabilizar o Governo brasileiro?

J. Carlos de Assis – Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Embaixador dos EUA na Coréia do Sul é agredido


O embaixador dos Estados Unidos da América na Coréia do Sul, Mark Lippert, foi agredido ontem por um homem armado com uma lâmina de barbear quando se dirigia para discursar no Salão de Atos do Instituto Cultural Sejong de Seúl, na Coréia do Sul.

O agressor gritava palavras pedindo a reunificação das Coreias e condenava a presença de 17 bases militares norte-americanas na Coréia do Sul - o que configura ocupação militar do país - para provocar guerra com a Coréia do Norte.
Neste momento em que tropas norte-americanas e sul-coreanas realizam exercícios militares para provocar a Coréia do Norte, a ação do agressor reflete o sentimento da maioria do povo coreano, que não aceita a intervenção militar norte-americana em seu país, e muito menos a realização de exercícios militares provocativos e irresponsáveis.
A agressão ao embaixador norte-americano, que poderia ter resultado em sua morte, demonstra a fragilidade da segurança em seu entorno: mesmo com 17 bases militares no país, os norte-americanos não conseguem nem proteger o próprio embaixador. Anos atrás o embaixador dos EUA na Líbia foi linchado e morto na cidade de Bengazi, ao lado de 4 guarda-costas agentes da CIA.

quarta-feira, 4 de março de 2015

O primeiro baque de Eduardo Cunha


Por Altamiro Borges

O lobista Eduardo Cunha (PMDB-RJ), eleito presidente da Câmara Federal em janeiro, estava se achando o máximo. Alguns jornalões, que deram apoio à sua candidatura na obsessão de derrotar o chamado “lulopetismo”, até chegaram a noticiar que ele se comportava como presidente da República, substituindo a “silenciosa” Dilma Rousseff. Mas sua gula, como antecipou o blogueiro Luis Nassif, logo causaria uma indigestão. Nesta semana, o deputado “rebelde” sofreu o seu primeiro baque. Ele foi obrigado a recuar na sua proposta fisiológica de conceder passagens para os cônjuges dos parlamentares. Só falta agora recuar em outros projetos ridículos, como o que cria o “Dia do Orgulho Hétero”.

Segundo o noticiário da mídia oposicionista, Eduardo Cunha não aguentou a forte rejeição da sociedade. “A cúpula da Câmara decidiu recuar da medida que autorizava o pagamento de passagens para cônjuges dos parlamentares, a chamada ‘bolsa-esposa’, depois da repercussão negativa do caso”, relata a Folha tucana desta terça-feira (3). O próprio lobista reconheceu o baque sofrido. “Não somos imunes às críticas e aos possíveis erros”, afirmou o “humilde” parlamentar. Seu pacote de bondades aos parlamentares que garantiram sua eleição em primeiro turno, que incluía a abusiva “bolsa-esposa”, teria um impacto anual estimado de R$ 150,3 milhões aos cofres da Câmara dos Deputados.

Apesar do tombo, o deputado-lobista mantém a fleuma. Ele garante que a sua proposta foi mal interpretada. “A repercussão foi muito negativa. Não houve entendimento correto do projeto”, afirma. Ele ainda informa que avaliará melhor a ideia de construir um shopping anexo à Câmara Federal, mas garante que não desistiu do seu projeto do “Dia do Orgulho Hétero”. No domingo passado (1), num culto na igreja Vitória em Cristo, Eduardo Cunha afirmou que a maioria dos brasileiros é contra a união homoafetiva. “Não sou eu que não vou deixar a pauta progressista andar, não sou eu que sou conservador. A maioria da sociedade pensa conforme nós pensamos. É só deixar que a maioria seja exercida, e não a minoria”.

Pelo jeito, no entanto, a maioria dos brasileiros não aceita as suas ideias conservadoras e fisiológicas. Nas redes sociais, pelo menos, ele levou uma baita surra na proposta da ridícula “bolsa-esposa” e foi obrigado a recuar e a posar de humilde. Deve ter doido!

segunda-feira, 2 de março de 2015

Petrobrás valia U$ 15,4 bilhões em 2003. Hoje vale R$ 214 bilhões. O que a imprensa noticia?


Apesar da perda de valor, empresa cresceu 300% de 2003 até 2013. Manchetes não mostraram crescimento.

A Petrobrás teve em 2013 um dos melhores anos de sua história. A produção aumentou consideravelmente (em média 3% ao mês) e Libra foi concessionada por quase 1 trilhão de reais.
No entanto a imprensa mostra o oposto. As manchetes, há anos, são:
"Petrobrás perde valor de mercado"
"Petrobrás é a empresa com maior perda de valor de mercado no Brasil"
No Facebook, páginas financiadas pela oposição compartilham mais desinformação: dizem que a culpa é do PT e que a Petrobrás está falida. Pura mentira.
Neste link (http://fatosedados.blogspetrobras.com.br/2009/11/10/em-oito-anos-a-petrobras-cresce-1350-em-valor-de-mercado/), de um dos blogs oficiais da Petrobrás, você encontra o valor de mercado da empresa em 2002: U$ 15,4 bilhões.
Você pode confirmar a informação nesta matéria da Folha de SP.


No final do 2002, a Petrobras tinha um valor de mercado de US$ 15,4 bilhões
No dia 30 de dezembro a Globo noticiou por meio de seu portal, o G1: Petrobras é a empresa com maior queda de valor de mercado em 2013.
Note para a informação: O valor de mercado atual da companhia é R$ 214,69 bilhões.
Em nenhum momento a Globo faz uma comparação entre os 15 bilhões de antes e os 214 de agora. A mesma notícia foi dada na Exame, Veja, Época, Folha e Estado.
O fato é que a companhia ganhou bilhões em investimento no governo Lula e em 2007 anunciou o Pré-sal. Seu valor de mercado, que já era quatro vezes maior do que em 2002, disparou.
Em 2008 a empresa perdeu esse valor extra, recuperou parte em 2009 mas voltou a perder valor de mercado com a crise mundial.
No entanto, a produção de petróleo aumentou e o lucro líquido da companhia cresceu 29% de janeiro a setembro de 2013 com relação ao mesmo período de 2012.
A imprensa golpista não se cansa de mentir. Mas a gente está aqui para desmascarar.

Plantão Brasil