Foto: Kevin Lamarque e Manaure Quintero/Reuters
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por Wellington Calasans no Pátria Latina -----
A escalada autoritária e intervencionista do governo Donald Trump atinge novo patamar com a decisão de dobrar a recompensa pela captura de Nicolás Maduro, líder da Venezuela, para US$ 50 milhões.
Mais uma vez, os Estados Unidos expõem sua estratégia de “guerra híbrida” contra nações que ousam desafiar sua hegemonia, utilizando narrativas de “luta contra o narcotráfico” como cortina de fumaça para interesses geopolíticos e econômicos obscuros.
A Venezuela, detentora da maior reserva de petróleo do mundo, tornou-se alvo de uma campanha sistemática de demonização, semelhante àquela que justificou a destruição do Iraque, da Líbia e da Síria — países igualmente ricos em recursos naturais.
A oferta de Trump não apenas ignora os avanços diplomáticos recentes entre Caracas e Washington, como a notícia que apanhou muitos de surpresa, quando os dois governos em desacordo retórico e ideológico, trocaram prisioneiros no dia 18 do mês passado.
A troca envolveu a libertação de 10 americanos detidos na Venezuela e a repatriação de 252 migrantes venezuelanos que os EUA deportaram para El Salvador este ano.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que o acordo também envolve “a libertação de presos políticos venezuelanos”, sem especificar quantos.
Agora, a recompensa prometida por Donald Trump para a desrespeitosa “captura de Maduro”, revela a hipocrisia de um governo que sabotou negociações para impor sua agenda imperialista.
Enquanto Maduro é acusado de “narcotráfico”, os EUA mantêm relações estreitas com monarquias do Golfo Pérsico, verdadeiros epicentros do tráfico global de drogas e financiamento de grupos extremistas.
Nesta ótica, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, deveria ser investigado pela relação familiar que possui com Orlando Cicilia, que havia sido condenado por fazer parte de uma quadrilha de tráfico de drogas que subornava policiais e vendia cocaína.
A Venezuela, por outro lado, resiste e conta com o apoio de potências como China e Rússia, que denunciam a instrumentalização do Direito Internacional pelos EUA para justificar sanções ilegais e ingerência.
A narrativa de “defesa da democracia” cai por terra quando se analisa o histórico de Trump: seu governo apoiou golpes na América Latina (como na Bolívia em 2019) e silenciou diante de atrocidades cometidas por aliados.
A recompensa de US$ 50 milhões não passa de um suborno para alimentar caçadores de recompensas, enquanto o povo venezuelano segue sofrendo com sanções que violam direitos humanos básicos.
A Venezuela, mesmo sob pressão, mantém sua soberania. A comunidade internacional, incluindo a União Europeia, começa a questionar a legitimidade das sanções unilaterais, reconhecendo que a solução para a crise passa pelo diálogo — não por ameaças de um governo que, como bem lembrou Maduro, “não tem moral para falar de justiça”.
Trump, mais uma vez, mostra que seu único projeto é o de um bullying global, incapaz de aceitar um mundo multipolar.