Por Walter Falceta: "PERIGO EM CADA ESQUINA: O PIOR INIMIGO DOS BRASILEIROS
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É o sujeito da imagem abaixo. Hoje, domingo ensolarado, ele está nas portas dos supermercados, nos clubes, nas feiras livres, nos parques públicos e em milhares de igrejas evangélicas.
No dia de mais um ato fascista nas grandes cidades, ele está alvoroçado, sentindo-se no dever militante de participar, mesmo à distância, de mais um esforço bolsonarista contra o rito civilizatório.
José Roberto Guzzo desceu às profundezas tórrridas, Cantanhêde foi demitida, mas seus horrores tóxicos continuam a circular por meio dessa figura insistente e sinistra.
Em geral, ele é branco, de classe média, tem entre 40 e 65 anos, e se julga um pai de família exemplar, um trabalhador formidável e um cidadão acima de qualquer suspeita.
Nem sempre é verdade. Frequentemente, ele maltrata a esposa, omite-se na educação dos filhos, explora empregados, enrola para fugir às responsabilidades do batente e, sempre que pode, sonega, surrupia e engana.
No sábado, ele fez mais um curso a jato na "universidade do tiozão do zap". De lá, tirou os argumentos para detratar o STF, defender Zambelli, afirmar que vivemos numa ditadura e, como sempre, afirmar que Lula é um cachaceiro, que a "ideologia de gênero" corrompe as famílias e que devemos agradecer a Trump pela tentativa de salvar o Brasil do comunismo.
Ele mente, mente, mente. E sabe disso. Mas não se envergonha. Em sua ética confusa, vale tudo para salvar seus pequenos privilégios. Sente-se, na verdade, um herói patriota.
Para ele, mentir, fraudar e falsear é recurso válido, desde que consiga opor resistência a imigrantes, gays, lésbicas, pretos, pretas, diaristas, indígenas, intelectuais, artistas "da Lei Rouanet", propagandistas da Terra redonda e vacineiros inimigos da cloroquina.
Ele é onipresente. Está em todos os lugares, o tempo todo, incansável em sua missão. Está ao seu lado. É o vizinho do apartamento de cima. É o cara que passeia com o cachorro na pracinha. É o sujeito que discute futebol contigo na porta do açougue.
Ele morde sem morder, infecta e compartilha seu ódio pelos diferentes. Ele é perigosamente persuasivo. É um zombie. É um exército."