"Trump indica Netanyahu para fazer parte do Conselho de Paz para a Palestina" Quanta sandice.

por Hajj Ananias Pinheiro ---------- Quando o opressor escreve a história, a resistência vira crime O mundo aprendeu a usar a palavra “terrorismo” como arma política. Ela não descreve fatos — define inimigos convenientes. Quando um Estado ocupa, cerca, sufoca e mata, chamam de segurança. Quando um povo resiste, chamam de terror. Essa não é uma disputa semântica. É uma estratégia de poder. Israel pode manter milhões de pessoas presas a céu aberto em Gaza. Pode cortar água, luz, comida e remédios. Pode bombardear bairros inteiros, escolas, hospitais e campos de refugiados. E ainda assim será tratado como “democracia sob ataque”. Mas o palestino, mesmo quando nasce sob ocupação, mesmo quando cresce vendo a própria casa ser destruída, mesmo quando perde a família inteira, não tem direito sequer à raiva. A ele é permitido apenas morrer em silêncio. O discurso dominante exige do palestino uma moral que nunca foi exigida do colonizador. Exige “moderação” de quem vive sob apartheid. Exige “civilidade” de quem nunca conheceu justiça. Exige “paz” de quem só recebeu guerra. Isso não é ética. É cinismo. A história mostra que nenhum povo se libertou pedindo licença ao opressor. Nenhum regime colonial caiu porque foi convencido com editoriais. Nenhuma ocupação terminou porque o ocupado foi “comportado”. Mas quando essa verdade histórica se aplica à Palestina, ela vira tabu. Por quê? Porque reconhecer a legitimidade da resistência palestina significaria admitir algo que o Ocidente se recusa a enfrentar: 👉 Israel não é uma exceção moral. 👉 É um projeto colonial sustentado por força militar e blindagem diplomática. A tentativa de separar “Israel” de “sionismo” funciona apenas para quem nunca sofreu o sionismo na pele. Para o palestino, não existe essa abstração acadêmica. Existe o soldado. Existe o muro. Existe o bloqueio. Existe o bombardeio. E existe a morte. Enquanto isso, líderes mundiais fazem discursos vazios, pedem “contenção de ambos os lados” e seguem enviando armas para apenas um deles. Neutralidade, nesse contexto, não é equilíbrio. É alinhamento com o mais forte. O que está em jogo não é apenas a Palestina. É o recado que o mundo envia a todos os povos oprimidos: Se você resistir, será chamado de terrorista. Se você aceitar morrer, talvez receba solidariedade póstuma. A Palestina expõe a falência moral da ordem internacional. E por isso incomoda tanto. Não é o Hamas que o sistema odeia. É a ideia de que um povo, mesmo esmagado, ainda possa dizer não.