Dia histórico: o império midiático da Globo desmoronou nesta quinta-feira

Lula e o fim do Império da Globo Crédito: Brasil 247 / Dall-E A Globo, que imaginava mandar e desmandar no País, pretendia colocar uma cadeira vazia para o presidente Lula. No final, quem ficou sem palco foi a própria Globo por Leonardo Attuch no Brasil 247 Esta quinta-feira, 1º de outubro de 2026, entrará para a história da comunicação brasileira. O grupo de mídia que durante décadas pretendeu mandar e desmandar no Brasil, escolhendo quem deveria ser celebrado, quem deveria ser destruído e até quais candidatos mereciam ou não chegar ao Palácio do Planalto, sofreu uma derrota simbólica gigantesca. A Globo cancelou seu debate presidencial. Foi pulverizada a ideia de que uma eleição presidencial brasileira necessariamente precisaria passar pelo palco montado pela família Marinho. A Globo atribuiu oficialmente o cancelamento à “insegurança jurídica” decorrente de decisões judiciais tomadas às vésperas do programa. O TSE proibiu a exposição do púlpito vazio reservado ao presidente Lula e o STF determinou a inclusão de Renan Santos no debate. Flávio Bolsonaro, por sua vez, desistiu de comparecer. Esses são os fatos. Mas há um significado político e comunicacional muito maior por trás deles. O império midiático dos Marinho desmoronou nesta noite. Lula fez bem em não ir O presidente Lula fez muito bem ao decidir não comparecer ao debate. Não havia razão para o presidente da República aceitar participar de um picadeiro concebido para produzir confrontos, pegadinhas, provocações e lacrações destinadas a gerar cortes para as redes sociais. Em vez disso, Lula escolheu outro caminho: falar diretamente com o Brasil em um podcast, o Flow, num ambiente em que terá tempo para apresentar argumentos, defender suas realizações e expor suas propostas para o futuro do País. A escolha contém uma mensagem poderosa. Quem disse que a Globo ainda detém o monopólio do debate público brasileiro? Quem decidiu que é uma emissora de televisão que deve estabelecer onde, como e em quais condições um presidente da República deve conversar com os brasileiros? Esse tempo acabou. Um novo ecossistema de comunicação O episódio desta noite evidencia uma transformação que já vinha acontecendo diante dos nossos olhos: existe hoje no Brasil um novo ecossistema de comunicação. Podcasts, canais de YouTube, veículos digitais, redes sociais e meios independentes conquistaram audiências gigantescas. Em determinados momentos, possuem capacidade de mobilização e influência comparável — e, no ambiente digital, muitas vezes superior — àquela exercida pelos grandes grupos tradicionais. A televisão aberta continua relevante. A Globo continua sendo uma empresa poderosa. Mas poder já não significa monopólio. Durante décadas, políticos brasileiros acreditaram que precisavam atravessar os estúdios da Globo para chegar ao povo. Hoje, o caminho é muito mais amplo. O cidadão escolhe onde se informa, a que entrevistas assiste, quais jornalistas acompanha e quais veículos considera confiáveis. Essa pulverização do poder comunicacional é uma das maiores transformações democráticas produzidas pela revolução digital. A noite em que o palco ficou vazio Há uma ironia extraordinária no desfecho. A Globo pretendia organizar o grande espetáculo final do primeiro turno. Lula decidiu não participar. Flávio Bolsonaro também desistiu. Uma disputa judicial alterou as condições inicialmente previstas. E, no fim, quem ficou sem palco foi a própria Globo. Enquanto isso, Lula pode conversar com milhões de brasileiros fora dos domínios da emissora. Essa imagem resume uma mudança de época. Não se trata do desaparecimento da Globo. Tampouco significa que a televisão perdeu sua importância. Significa algo muito mais profundo: nenhum grupo de comunicação pode mais reivindicar para si a condição de árbitro exclusivo da política brasileira. A sociedade ganhou outras vozes, outros canais, outros espaços e outras formas de construir opinião pública. É por isso que esta noite é histórica. O que desmoronou não foi uma emissora de televisão. Foi uma determinada concepção de poder: a ideia de que um império midiático poderia convocar os candidatos, estabelecer o palco, definir as regras e obrigar o Brasil inteiro a assistir. Nesta quinta-feira, esse império simbólico ruiu. E uma nova era da comunicação brasileira mostrou definitivamente a sua força. * Leonardo Attuch, o autor, é jornalista e escritor. Criou o Brasil 247 em março de 2011 e a TV 247 em agosto de 2017. Antes disso, trabalhou nas redações do Correio Braziliense, do Estado de Minas e das revistas Veja, Exame, Istoé e Istoé Dinheiro, onde foi redator-chefe. Email: attuch@brasil247.com.br Twitter: @AttuchLeonardo. Publicou os livros “De jornalista a youtuber”, “A CPI que abalou o Brasil”, “Saddam, o amigo do Brasil”, “Eike, o homem que vendia terrenos na lua” e “Quebra de contrato”.