Precisamos falar sobre o que está acontecendo na Palestina. É preciso romper a muralha de silêncio da mídia corporativa e dos governos ocidentais sobre o genocídio do povo palestino e sobre o apartheid existente em todo o território sob o domínio do estado sionista.
É mentira que Israel seja "a única democracia no Oriente Médio", rodeada por autocracias hostis que querem destruí-la. Primeiro porque um estado que pratica um regime de apartheid muito semelhante ao que existia na África do Sul até 1994 não pode de maneira nenhuma ser chamado de democrático. Segundo porque esse estado é muito amigo da maioria das ditaduras da região, ou pelo menos daquelas que são aliadas dos Estados Unidos, como Arábia Saudita e Egito.
Israel na verdade nunca foi uma democracia, seu ato fundacional foi o Nakba, a expulsão violenta de centenas de milhares de árabes palestinos de suas casas para dar lugar a colonos judeus vindos de outras partes do mundo, em especial da Europa. Essa é a origem dos muitos campos de refugiados que existem na região.
Esse estado que jamais foi democrático vem progressivamente assumindo uma forma claramente nazifascista. Em 2018 é aprovada uma constituição racista que nos remete às leis raciais nazistas de Nuremberg de 1935 até mesmo em sua redação, cujos princípios básicos (assim denominados em seu próprio texto) são três: 1) que o Estado de Israel é o lar histórico do povo judeu; 2) que no Estado de Israel o povo judeu exerce o seu "direito natural, cultural, religioso e histórico à autodeterminação"; 3) que "o direito à autodeterminação no Estado de Israel é exclusivo do povo judeu".
Acontece que os judeus hoje são minoria nos territórios sob dominação israelense, sendo 7,45 milhões comparados com 7,53 milhões de "árabes israelenses" (palestinos não judeus com cidadania israelense) e palestinos vivendo nos territórios ocupados da Cisjordânia e na sitiada Faixa de Gaza (estes sem nenhum direito de cidadania), segundo nos informa o professor de Geografia e demógrafo Arnon Soffer, da Universidade de Haifa, no "Middle East Monitor" em 31/08/2022.
Esse estado racista e não democrático descumpriu descaradamente os acordos de paz de Oslo, de 1993, por ele assinados, bem como inúmeras resoluções da ONU. Com a recente posse de um governo de extrema direita, a situação se agravou ainda mais.
Em 26/02/2023, milicianos sionistas armados atacaram a cidade palestina de Hurawa, na Cisjordânia. Foi um "pogrom". A "Kristallnacht" da extrema direita nazissionista. O saldo foi de um morto (até agora), mais de cem feridos e dezenas de casas e veículos incendiados. Nem as galinhas escaparam da fúria das tropas de choque de Netanyahu.
Não foi um ato clandestino. Como no célebre "pogrom" nazista de novembro de 1938 tudo se deu à luz do dia e sob a proteção das autoridades. E assim como os camisas pardas nazistas de 85 anos atrás gritavam "morte aos judeus", os nazissionistas de hoje gritam "morte aos árabes". Está tudo filmado, gravado, fotografado. Compartilho abaixo algumas imagens do "pogrom", que certamente não serão vistas na mídia corporativa ocidental. Fiz uma busca nas seções internacionais da Folha de São Paulo e do New York Times e nada, é um não fato, ambos os veículos estão muito mais preocupados em apoiar a OTAN e outros neonazistas, os do Batalhão Azov, na guerra em curso na Ucrânia, infelizmente acompanhados por parte da esquerda ocidental, aquela que acredita no que vê nessa mesma mídia corporativa. Palestina? Onde fica mesmo?


