Roubalheira no pedágio, imprensa paranaense medíocre e outros temas abordados pelo deputado Requião Filho
Nem só de políticos adesistas e oportunistas vive o Paraná. Entre os nomes que se destacam como honrados e corajosos - e são poucos -, está o deputado estadual Requião Filho, herdeiro natural da combatividade e firmeza do pai, Roberto Requião, ex-governador e ex-senador do Paraná.
Confira a seguir a entrevista exclusiva do deputado Mauricio Thadeu de Mello E Silva, o Requião Filho (PT) para o nosso jornal:
1 - Como avalia o governo Ratinho Junior?
Dep. Requião Filho -
Chega a ser triste avaliar algo que não existe. O governador tem vendido tudo o que pode para ter menos responsabilidades. Vendeu nossa internet, quer vender nossa eletricidade e ainda tenta largar mão do gás. Retorno a pergunta para o leitor, o que acha da luz mais cara? Do gás mais caro? É isso que vai acontecer nos próximos quatro anos de Ratinho. Um governo ilusionista, pautado em grandes propagandas, verbas pomposas de rádio e TV para que falem bem de algo que, simplesmente, não existe. É incrível como uma boa propaganda faz as pessoas acreditarem em melhorias do estado, sendo que se você tentar lembrar de apenas uma obra, de orçamento vindo do governo do Paraná e iniciado na gestão do atual governador você não lembra... Claro, fica difícil quando ela não existe.
2 - Por que os paranaenses pagavam o pedágio mais caro do país?
Dep. Requião Filho -
O governo Lerner amarrou os contratos do pedágio durante décadas, contratos eram feitos beneficiando as empresas e não a população. História parecida com o atual governo, que prioriza os grandes empresários. No nosso governo, diversos processos foram travados contra as pedageiras, com a justiça sempre ficando ao lado das concessionárias, ao contrário do interesse da população. Querem repetir o mesmo modelo e temos lutado diariamente para que isso não ocorra nunca mais.
3 - Por que os políticos envolvidos na corrupção das pedageiras não aparecem na mídia?
Dep. Requião Filho -
Essa é uma pergunta que deveria ser feita aos donos dos veículos de comunicação, o porquê deixaram de lado o jornalismo investigativo e deixaram de divulgar os verdadeiros culpados, e todas as ações que foram realizadas para combater os abusos do pedágio no nosso Estado. A própria Lava Jato denunciou escândalos envolvendo políticos que sempre defenderam o pedágio e se beneficiaram em suas campanhas, com dinheiro do pedágio. Agora, no fim dos contratos, a própria Agepar levantou valores vultuosos de quase 10 bilhões de reais que as pedageiras saíram devendo ao Estado, referentes ao que foi cobrado a mais e não foi revertido em obras. Quase não vimos manchetes sobre isso na mídia. Por que será? Fizemos diversas denúncias e pouco repercutiu. Quem decide a pauta do jornalismo paranaense são os donos dos veículos.
4 - A grande imprensa de Curitiba merece que nota de 1 a 10?
Dep. Requião Filho -
Atualmente, merece uma nota 6. Há bons jornalistas, bem intencionados, querendo investigar, produzindo conteúdo de qualidade, mas nem sempre são permitidos pelos donos dos veículos que recebem verbas do Governo do Estado. São profissionais excelentes que, na maioria das vezes, têm suas vozes caladas e são desvalorizados por questões de mercado. Já vi muito repórter apurar denúncias que fizemos, coletar todas as provas e não terem autorização para publicar ou divulgar em seus veículos, por divergências políticas internas da própria redação. É uma barreira ainda a ser quebrada, sem dúvidas um grande desafio!
5 - Comprar políticos é a atual fase da democracia no Paraná?
Dep. Requião Filho - Entrei na política para fazer a diferença e estar livre para votar de acordo as bandeiras que defendo em meu mandato, em defesa do povo paranaense. Quero ter a liberdade de votar com a minha consciência, sem me preocupar com troca de favores, cargos ou outras facilidades. Quero poder avaliar os projetos com autonomia e tranquilidade para decidir meu voto, não como manda o Governador. Não somos uma chancelaria, essa velha maneira de fazer política tem que acabar. Somos uma Casa de debates, de projetos, e a nossa responsabilidade é muito grande porque representamos uma parcela da população que nos elegeu e que espera isso de nós. Nossas ações mudam a vida das pessoas.
