por jornalista e escritor Paulo de Carvalho
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Quando o ministro Flávio Dino falou em "mandantes", em vez de um só "mandante", no assassinato de Marielle, e uma deputada estadual afirmou semana passada que a revelação do nome do real mandante do crime abalaria o Rio, as especulações passaram a correr soltas.
Falam que um importante militar estrelado seria o mandante do assassinato de Marielle e Bolsonaro teria intermediado a contratação dos executores com seus públicos contatos com milicianos. Não com a escória no varejo, seus vizinhos de condomínio, mas com quem comanda a ralé no atacado.
A vereadora estaria para denunciar envolvimento de militares das FA no grande tráfico de drogas no Rio, o que não é novidade. Um dos mais poderosos traficantes do passado recente foi o capitão Guimarães, do Exército, também membro do Esquadrão da Morte, junto com outros militares e policiais, como Mariel Mariscott.
Assim como a PF descobriu recentemente oficiais comandando tráfico e contrabando na Amazônia e até no avião presidencial.
Além de ela insistir na continuação da Comissão da Verdade, que jogaria na cena o nome de mais um alto oficial atuante no Regime de Terror implantado em 64 pelo Exército até então ocultado.
Segundo comentam-se nas ruas do Rio, Bolsonaro teria sido o elo por sua ligação com milicianos. Juntaria a vontade de todos eles contra ela. Até porque, ele não tem inteligência, coragem e nem equilíbrio psicológico para tamanha empreitada sozinho.
A suspeita se fortalece devido ao estado de intervenção do Exército no Rio, em fevereiro, justamente na época do assassinato, quando os militares assumiram total controle da Segurança Pública do Estado. Marielle foi assassinada um mês após a intervenção militar, em março daquele ano.
O motorista Anderson foi vitima lateral do crime e a assessora escapou por um triz e só agora, no atual governo federal, foi ouvida como testemunha e sobrevivente do crime.
O pretexto dos mlitares era combater a criminalidade, porém, nada mudou após a saída deles.
O Exército ficou no Rio ostensivamente até dezembro de 2018. Nesse meio tempo, também executou, por estupidez, o músico Evaldo e um passante que foi ajudar a socorrer a família de dentro do carro, onde estava um bebê.
Os militares mandaram mais de 80 projéteis contra o veículo e depois alegaram que os ocupantes haviam atirado neles antes. A mentira foi logo desfeita pela Polícia Civil.
A ex-Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, dá entrevista hoje relatando que, apesar do empenho e poder da PGR, ela nada conseguiu nas polícias do Rio para elucidar o crime. Segundo a ex-procuradora, estava tudo bloqueado e sendo infinitamente adiado.
Quem teria poderes tão fortes para impedir o judiciário federal de chegar aos mandantes? Certamente não apenas o governador do Estado, que é figura transitória a cada quatro anos. Isso sem falar no porteiro do Vivendas.
O ministro Flávio Dino parece já ter todos os nomes dos criminosos, pois a PF, apesar do bloqueio imposto entre 2018 e 2022, continuou a trabalhar na surdina. Está reunindo provas sólidas para botar as algemas neles, sendo fardados estrelados ou não.
E tudo leva a crer que são vários sobrenomes curiosamente iniciados pela letra B.
