Ucrânia recruta até vulneráveis para uma guerra perdida

TVGGN: Sem recursos, Ucrânia recruta até vulneráveis para uma guerra perdida -------- Grávidas, jovens de 16 anos, idosos e deficientes físicos foram obrigados a exercer funções no conflito; Zelensky encara crise de imagem --------- por Camila Bezerra - TVGGN ------ Grávidas em funções administrativas em quartéis, pessoas com síndrome de down nos fronts. A Ucrânia não tem mais reservistas no país para recrutar e, por isso, agora conta com pessoas que deveriam ser protegidas pelo Estado para dar continuidade ao conflito com a Rússia com pouquíssimas possibilidades de vitória. A constatação é do jornalista e analista geopolítico Lucas Leiroz, convidado do programa TVGGN 20H da última sexta-feira (5). O entrevistado esteve, recentemente, na zona de conflito para conversar com civis e soldados. Os combatentes afirmam que os frontes estão paralisados, até porque a Rússia detém o controle da situação militar e é quem impõe o ritmo da guerra. Ao longo de 2023, a estratégia russa era a de manter os territórios já conquistados, entre eles o distrito de Marinka. “Temos um cenário bem consolidado, com pouco avanço territorial, linhas de defesa estão muito bem consolidadas, a Ucrânia não tem nenhum tipo de avanço territorial, a contraofensiva foi um fracasso absoluto, admitido pelos próprios ucranianos”, afirmou o analista geopolítico. --------- Situação desigual ------ Além de deter o domínio dos rumos do conflito, até pelo preparo desde 2014, a Rússia foi pouco impactada pelas sanções internacionais que sofreu desde fevereiro de 2022, quando iniciou a guerra. Na avaliação de Leiroz, países europeus sofrem mais as consequências das sanções do que a própria Rússia. A Alemanha, por exemplo, correu riscos de desabastecimento de gás depois que a Rússia interrompeu o fornecimento. A Ucrânia, em contrapartida, tem de enfrentar a escassez de recursos, até porque o mundo dividiu a atenção da guerra com o conflito em Gaza. Resta ao país recrutar até jovens a partir dos 16 anos e homens maiores de 65 para o front, além de conviver com uma grande crise de imagem do presidente, Volodymyr Zelensky. --‐----- Queda? ---- “A grande possibilidade de se preservar a imagem do Zelensky era o sucesso dessa contra ofensiva ucraniana. O fracasso da contra ofensiva e a ausência de conquistas territoriais, a nulidade de conquistas em 2023 acabou com a imagem do Zelensky.” ------- Lucas Leiroz ----- Sem êxitos no conflito, a imagem do presidente ucraniano começou a ruir, tanto que surgiram vozes críticas à gestão do ex-humorista e, para que o apoio ocidental à Ucrânia seja mantido, provavelmente terão de “mudar a figura pedindo esse apoio”, na avaliação de Leiroz. “A Ucrânia aceitou cumprir o papel de ser um proxy da Otan, sem condições de ter capacidade de sentar na mesa de negociações”, continua o entrevistado. Confira a entrevista na íntegra: https://www.youtube.com/live/nsVuJxfAG0U?si=dZ_yJnQWcK3o14fw