Buenos Aires (Prensa Latina) A indústria argentina registra quatro meses de declínio contínuo, atingindo níveis observados há quase 18 anos, com 12 dos 16 setores manufatureiros registrando declínio, com forte impacto em alimentos e bebidas.
É o que refletem os números da Fundação Latino-Americana de Pesquisas Econômicas (FIEL) e do Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC), que mostram que a atividade industrial caiu 2,1% de março a junho, marcando quatro meses consecutivos de queda e atingindo patamar semelhante ao registrado em setembro de 2007.
De fato, a utilização da capacidade industrial permaneceu abaixo de 60% em junho pelo sétimo mês consecutivo.
O jornal Ámbito Financiero cita um estudo realizado pelo Centro de Pesquisa de Ciclos Econômicos (CICEc), que destaca que o setor passou por um período de recuperação de abril de 2024 a fevereiro deste ano, com uma alta de 9%. No entanto, a tendência se inverteu a partir de março, e a recuperação desacelerou para 4% na comparação anual.
O estudo também alerta que o desempenho atual está 13% abaixo do pico histórico de produção alcançado em novembro de 2011, durante o governo Cristina Fernández.
A volatilidade nas taxas de juros e na taxa de câmbio afetou a economia real e, em particular, a indústria manufatureira, de acordo com o CICEc.
Dos 16 setores que compõem o Índice de Produção Industrial de Manufatura (IPM), 12 registraram quedas de março para junho, sendo os mais afetados vestuário, couro e calçados, com queda inferior a 8,4%; produtos têxteis (queda de 7,4%); e máquinas e equipamentos (queda de 6,9%).
Em contrapartida, os únicos três setores que registraram variações positivas foram minerais não metálicos (6,6%), refino de petróleo (1,6%) e produtos de borracha e plástico (0,6%).
O setor de alimentos e bebidas, que representa 25% do índice geral, foi o que mais contribuiu para a queda, com uma queda de 0,7%. A queda neste setor é explicada principalmente pela redução da produção de produtos devido à queda do consumo causada pelo menor poder aquisitivo que afeta atualmente as famílias argentinas.