Receita Federal (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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Receita Federal investiga esquema criminoso do PCC envolvendo fundos de investimento, postos de combustíveis e empresas financeiras
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por Guilherme Levorato no Brasil 247 -------
A Receita Federal revelou, nesta quinta-feira (28), que o Primeiro Comando da Capital (PCC) controla ao menos 40 fundos de investimentos com um patrimônio superior a R$ 30 bilhões. Segundo o órgão, as operações criminosas estavam concentradas no mercado financeiro de São Paulo, mais especificamente na área da Faria Lima, uma das regiões financeiras mais conhecidas do Brasil. Os fundos de investimentos operavam como uma verdadeira estrutura de ocultação de patrimônio, com membros infiltrados no sistema para encobrir o fluxo de recursos ilícitos, informa o g1.
De acordo com as investigações, esses fundos de investimento eram fechados, com um único cotista, geralmente outro fundo de investimento. A estratégia visava criar camadas de ocultação para os valores, dificultando a rastreabilidade do dinheiro originado de atividades criminosas.
Entre os bens adquiridos com esses recursos, destacam-se a compra de um terminal portuário, quatro usinas de álcool e a aquisição de 1,6 mil caminhões para transporte de combustíveis. O esquema também financiou mais de 100 imóveis, incluindo fazendas no interior de São Paulo, avaliadas em R$ 31 milhões, e uma residência de luxo em Trancoso, na Bahia, adquirida por R$ 13 milhões.
Outro ponto crítico da operação envolve uma fintech que atuava como banco paralelo da organização criminosa. Essa empresa movimentou, sozinha, R$ 46 bilhões em recursos não rastreáveis entre 2020 e 2024. As autoridades fiscais indicam que as fintechs, juntamente com empresas importadoras de produtos como nafta e hidrocarbonetos, financiavam a compra de combustíveis no exterior. Esses produtos eram então comercializados em mais de mil postos de combustíveis espalhados por dez estados brasileiros, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Goiás.
“A maioria desses postos servia para realizar a lavagem de dinheiro, utilizando maquininhas de cartão para transitar recursos ilícitos nas contas bancárias”, afirmou a Receita Federal em um comunicado. O órgão revelou ainda que entre 2020 e 2024, o valor movimentado pelos postos investigados chegou a R$ 52 bilhões, com tributos pagos incompatíveis com o volume de atividade. Além disso, cerca de 140 postos não apresentaram movimentação financeira, mas receberam mais de R$ 2 bilhões em notas fiscais de combustíveis, possivelmente para esconder a origem dos valores.
A megaoperação de desarticulação desse esquema, chamada Operação Carbono Oculto, mobilizou cerca de 1,4 mil agentes da Receita Federal, Polícia Federal e outros órgãos de segurança pública. A operação ocorre em sete estados brasileiros: São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Ao todo, mais de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, são investigados por crimes como lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, adulteração de combustíveis e crimes ambientais.
O esquema criminoso, segundo os auditores fiscais, provocou um prejuízo de mais de R$ 7,6 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais não pagos, afetando tanto os consumidores como toda a cadeia econômica do setor de combustíveis. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e outros órgãos de justiça também estão envolvidos na operação, que visa desarticular as atividades da facção criminosa que permeiam setores vitais da economia brasileira.
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