por Julio Take no expressobr ----------
Uma grave denúncia de irregularidades no Consórcio Intermunicipal de Saúde do Litoral do Paraná (CISLIPA), responsável pelo serviço do SAMU, abalou a região. As acusações, que apontam para desvio de recursos públicos, sucateamento de serviços essenciais e uso da instituição como “cabide de empregos”, foram encaminhadas a diversas autoridades, incluindo o Tribunal de Contas do Estado (TCE/PR), o Ministério Público do Paraná (MP/PR), a Secretaria de Saúde do Estado do Paraná e órgãos de fiscalização como o COREN e o CRM.
A denúncia, protocolada por um grupo de profissionais e cidadãos indignados com a situação, detalha uma série de condutas que, segundo os autores, estão prejudicando a população e os servidores públicos. A motivação é clara: exigir a punição dos responsáveis e a devolução dos valores lesados, que deveriam ser revertidos em melhorias para o SAMU e a saúde do litoral.
------------------
Irregularidades Gotejam: Denúncias Exclusivas Expostas
------‐------------
O documento de denúncia descreve o de desrespeito à legislação e aos princípios da administração pública. As acusações se concentram principalmente em duas áreas:
-------‐----------
1. Descumprimento de Carga Horária e Ponto “Manipulado”
--------------
O ponto eletrônico, que deveria garantir o cumprimento da jornada de 40 horas semanais dos cargos comissionados, é descrito como uma ferramenta de fachada. Segundo a denúncia, é prática comum que esses funcionários cheguem atrasados, saiam mais cedo ou se ausentem durante o expediente para realizar atividades pessoais, como ir ao supermercado.
A situação é ainda mais grave, pois o ponto eletrônico, de acordo com o denunciante, seria manipulado para excluir faltas e atrasos, e incluir marcações manuais, resultando em nenhum desconto salarial para os comissionados desde meados de 2021.
A denúncia cita exemplos específicos:
O Chefe de Recursos Humanos se ausentaria pelo menos duas vezes por semana, sem justificativa, e só começaria a trabalhar após o almoço.
A Chefe de Frotas iniciaria sua jornada às 10h e a encerraria antes das 17h.
O Chefe de Enfermagem também teria a prática de sair mais cedo devido a outros empregos.
A denúncia salienta que essa prática é generalizada entre todos os cargos comissionados, que teriam acordos verbais para não cumprir a jornada integral.
--------------‐
2. Omissão e Descaso na Gestão de Serviços Essenciais
-----------
O serviço do SAMU, vital para o atendimento de urgência e emergência, estaria sendo negligenciado. A denúncia aponta para a falta de insumos, manutenção precária das ambulâncias e uma estrutura básica deficiente, como cadeiras quebradas e problemas de encanamento nas bases.
A gestão do serviço, por sua vez, é descrita como ausente. O Diretor Médico do SAMU, por exemplo, um funcionário concursado que atua em função gratificada desde 2017, é acusado de comparecer à instituição apenas uma vez por semana, durante seu plantão de 24 horas.
A denúncia questiona a qualidade do trabalho desse profissional, que, segundo o texto, realiza suas funções “à distância” e nos “intervalos” de seus múltiplos vínculos de trabalho, incluindo plantões, aulas na Faculdade Pequeno Príncipe e a ministração de cursos. A denúncia ressalta que um serviço de emergência de sete municípios não pode ser tratado como uma atividade secundária.
-----------------
O Que Acontece Agora?
------------
As denúncias, acompanhadas de supostas comprovações obtidas em diários oficiais e sites, pedem uma “dura punição” para os envolvidos, com multas e devolução dos valores lesados. A sugestão é que esses gestores sejam impedidos de assumir cargos comissionados ou eletivos no futuro.
A comunidade e as autoridades aguardam uma resposta efetiva e uma investigação completa sobre as denúncias para determinar se as acusações são procedentes e, se for o caso, tomar as medidas cabíveis.
