BANCO MASTER: A ROUBALHEIRA POLÍTICO-EVANGÉLICA

por Thomas de Toledo ------------ A extrema direita funciona como um polvo de três tentáculos coordenados: o econômico, o religioso e o político. Um alimenta o outro, se protegem mutuamente e avançam juntos sobre os recursos do Estado. A CPMI do INSS começa a trazer à tona indícios de um possível esquema que o bolsonarismo sempre tratou como intocável: a provável interpenetração entre esses três campos, vendida ao público como fé, patriotismo e empreendedorismo, mas que, segundo as investigações em curso, pode ter operado como negócio privado e mecanismo de blindagem de poder. As apurações em andamento relacionam o Banco Master, a Igreja Batista da Lagoinha e a fintech Clava Forte Bank a suspeitas de fraudes bilionárias que atingiram diretamente aposentados e pensionistas. No centro desse arranjo aparecem indícios de vínculos financeiros, familiares e empresariais envolvendo Daniel Vorcaro, lideranças religiosas e figuras políticas associadas ao bolsonarismo. Caso essas suspeitas se confirmem, a investigação pode revelar a existência de uma rede estruturada, na qual recursos circulam, influência política se reproduz e discursos morais funcionam como instrumento de legitimação pública. Dentro dessa lógica, o que se observa é um modelo recorrente no Brasil contemporâneo: agentes do sistema financeiro, lideranças religiosas e representantes políticos atuando de forma complementar, cada qual exercendo um papel específico na sustentação simbólica, econômica e institucional do projeto de poder. Não se trata de uma afirmação conclusiva, mas de uma hipótese investigativa que merece apuração rigorosa e transparente. A eventual quebra de sigilos, as convocações e as operações da Polícia Federal tendem a esclarecer se estamos diante de perseguição religiosa ou, como tudo indica até aqui, de uma investigação sobre práticas concretas envolvendo dinheiro público, influência política e uso instrumental da fé. Se confirmadas as irregularidades, ficará evidente que não se trata de crença ou ideologia, mas de organização de poder. Quando religião se confunde com negócio e política passa a funcionar como mecanismo de proteção, o resultado é previsível: poucos concentram ganhos, muitos arcam com prejuízos, e os mais vulneráveis correm o risco de serem instrumentalizados economicamente e politicamente em nome de uma fé transformada em ativo eleitoral.