Reportagem baseada em versões sem comprovação expõe alinhamento da Folha a setores bolsonaristas da PF na ofensiva política contra Lula
--------------------------
por Jeferson Miola no Brasil 247 ---------
Em matéria assinada pela jornalista Mônica Bergamo [8/3], o jornal Folha de S. Paulo afirma que “a possibilidade de a PF [Polícia Federal] pedir a prisão de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, divide a corporação e está elevando a tensão em Brasília”.
Esta afirmação, totalmente disparatada e inventada, é produto de versões produzidas por bolsonaristas incrustrados na PF, não um desdobramento de investigações em andamento.
A própria matéria reconhece isso ao dizer que, devido ao sigilo do processo que tramita no STF, “não é possível saber oficialmente se, junto com o pedido de quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha, autorizado por Mendonça, os policiais encarregados da investigação solicitaram também que ele fosse preso”.
Embora a Folha reconheça que “não é possível saber oficialmente” se foi solicitada a prisão, diz que “a discussão interna, no entanto, existe” e que “delegados que têm trânsito no gabinete do ministro do STF André Mendonça defendem a ideia”.
Ora, o próprio jornal assumiu que não sabe se o pedido de prisão é realidade ou fantasia, mas, mesmo assim, transformou em notícia o que não passa de manipulação criminosa de policiais bolsonaristas da PF interessados em atingir o presidente Lula e comprometer a reeleição dele.
A Folha de S. Paulo precisa esclarecer por que dá publicidade não a um fato, mas a uma nítida manipulação de um fato, sabendo de antemão dos efeitos altamente prejudiciais dessa mentira para o governo e para a imagem do presidente da República?
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, da defesa de Fábio Luís, manifestou perplexidade e indignação. Ele declarou à Folha acreditar “que tudo não passe de fofoca. Não havia nem sequer justificativa para a PF fazer o pedido de quebra dos sigilos, já que o Fábio havia comunicado ao Supremo a disposição voluntária, espontânea e efetiva de colaborar com as investigações”.
A Folha de S.Paulo assumiu a posição política e editorial de combate sem tréguas a Lula, do mesmo modo que, há duas semanas, assumiu a vanguarda da reação patronal-escravocrata ao fim da jornada 6×1 – ou seja, um lado claro da história.
O Grupo Folha, assim como Globo, Estadão e outras famílias da mídia dominante, sentiu “cheiro de sangue” com a recuperação da expectativa eleitoral do bloco anti-Lula. Nesse “cenário de oportunidade”, se jogaram de cabeça com seus jornalismos de guerra.
Nessa guerra, a mídia emprega armas sujas e não tem limite para as imundícies a que lança mão. Exemplo notório foi a edição impressa da Folha da sexta-feira passada, 6/3, que destacou como escândalo que “Filho de Lula movimentou R$ 19,5 milhões em 4 anos”.
A Folha agiu assim, com essa manchete de capa criminalizadora, mesmo depois de receber dos advogados de Fábio Luís os esclarecimentos com informações concretas que desmentem categoricamente a matéria baseada em dados manipulados e vazados criminosamente por alguém – ou pela CPMI, ou pela PF.
Portanto, é óbvio que, depois de ter conhecido no dia anterior os esclarecimentos, a Folha jamais poderia estampar na capa da edição do dia seguinte a manchete falsa sobre suposta movimentação financeira irregular do filho do presidente.
No entanto, a Folha fez isso, como faz novamente agora, com essa insinuação canalha sobre a prisão de Fábio Luís.
Este jornal, que um dia classificou a ditadura sanguinária como “ditabranda”, assumiu o posto de porta-voz dos setores bolsonaristas da PF que querem destruir Lula para abrir caminho para a barbárie com Flávio Bolsonaro.

