Gleisi reage aos ataques de Flávio a Lula em ato flopado na Paulista: “Já colocamos uma vez vocês no devido lugar”
- Flávio Bolsonaro durante manifestação na avenida Paulista (Foto: Marina Uezima/Brazil Photo Press/Folhapress)
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Manifestação bolsonarista, a primeira de Flávio Bolsonaro como pré-candidato à presidência, teve adesão abaixo do esperado
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Por: Ivan Longo ---------
ministra das Relações Institucionais Gleisi Hoffmann (PT) reagiu aos ataques feitos ao presidente Luiz Inacio Lula da Silva pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante ato da extrema direita realizado neste domingo (1) na avenida Paulista, em São Paulo.
Convocado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) sob o mote “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”, a manifestação teve adesão abaixo do esperado e foi marcada por ataques dos presentes não só a Lula mas também a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Vestindo um colete à prova de balas, Flávio prometeu articular a derrubada do veto de Lula ao PL da Dosimetria, projeto que prevê a redução das penas dos golpistas, disse que, se eleito, concederá anistia ao seu pai Jair Bolsonaro e fez comparações entre o governo de seu pai e a atual administração federal.
“O Lula é uma mercadoria vencida. Ninguém vai conseguir mais engolir essa picanha podre e essa cervejinha choca, porque é nisso que o Lula se transformou e nós vamos apresentar um projeto para o Brasil voltar para o caminho da prosperidade”, disparou o senador.
Gleisi reagiu afirmando que os bolsonaristas, vestidos de verde e amarelo, estavam “fantasiados de brasileiros” e afirmou que os ataques não intimidam o governo Lula.
“Fantasiados de brasileiros, país que entregaram a Trump no tarifaço pra salvar o pai, bolsonaristas vão a paulista emular besteiras, mentir que é a arma deles, para atacar Lula. Perderam a eleição e tentaram um golpe. Flávio Bolsonaro envolvido em negócios escusos tem de explicar a coordenadora de seu escritório que é cunhada do careca do INSS”, escreveu a ministra em suas redes sociais.
“Deste embate não temos medo, já colocamos uma vez vocês no devido lugar, seus lesa pátrias. O povo brasileiro nao vai permitir que voltem! Há mais de 3 anos o Brasil acordou do pesadelo em que Bolsonaro tinha mergulhado o país, que custou centenas de milhares de vítimas na pandemia e suas políticas de destruição da economia e dos programas sociais. O BRASIL ESTÁ BEM ACORDADO!!!”, prosseguiu.
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Ato flopado
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O que era para ser uma demonstração de força na avenida Paulista, neste domingo (1º), na maior metrópole do Brasil, acabou virando um exercício de criatividade cinematográfica para o clã Bolsonaro. Com uma adesão visivelmente aquém das expectativas, sobrou para o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a tarefa de tentar “inflar” o movimento nas redes sociais com edições que desafiam a realidade geográfica de São Paulo.
Os fatos, registrados até por lentes de veículos simpáticos ao movimento, mostram um cenário desolador para quem esperava uma “maré humana”. O público real restringia-se a um bloco de quatro ou cinco centenas de pessoas concentradas atrás do trio elétrico, além de uma faixa de “multidão” um pouco mais densa à frente do caminhão, estendendo-se por parcos 30 metros, chegando quase à frente ao MASP.
Dali em diante, o que se via era o asfalto cinza da Paulista salpicados por camisas da seleção brasileira. Da calçada do MASP para baixo, o público era totalmente disperso e baixíssimo, com pedestres circulando normalmente, a maior parte deles com trajes amarelos, a perambular pela avenida interditada, sem qualquer densidade que justificasse o barulho digital.
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A “mágica” de Flávio no X
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Percebendo o fiasco, Flávio Bolsonaro correu para o X (antigo Twitter) para postar um vídeo em tom apoteótico. A edição, no entanto, beira o amadorismo estratégico. O drone utilizado na gravação percorria uma faixa de pouquíssimos metros, focando obsessivamente no mesmo ponto da aglomeração. A tática era clara: não abrir o ângulo para evitar mostrar que, poucos metros para o lado, o deserto começava.
O detalhe curioso: Em uma das tomadas aéreas, a “multidão” parece ganhar um reforço tecnológico. A impressão de quem analisa o vídeo é que a quantidade de público foi “anabolizada” com o auxílio de Inteligência Artificial, criando um preenchimento digital que o calor das ruas não foi capaz de entregar.
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Nikolas ameaça Moraes ------
A extrema direita prometeu, mas não entregou. Numa avenida Paulista esvaziada e longe do “mar de gente” prometido pelos organizadores, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) subiu ao trio elétrico neste domingo (1º) para destilar o roteiro repetitivo de sempre: ataques ao Judiciário, ofensas pessoais e o tom messiânico de quem fala para uma bolha cada vez mais radicalizada.
O parlamentar mineiro, conhecido pela agilidade em viralizar cortes nas redes sociais, subiu o tom contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em meio a gritos de ordem, Nikolas disparou que o magistrado não deveria apenas sofrer um processo de afastamento. Sim, ele fez uma ameaça a uma das maiores autoridades constituídas da República.
“O destino do Alexandre de Moraes não é impeachment, não. O destino do Alexandre de Moraes é cadeia”, bravateou o deputado.
Mesmo recorrendo ao habitual discurso religioso, Nikolas não economizou nos adjetivos. Em um momento de nítida contradição, afirmou: “Como sou crente, não posso xingar”, para, logo em seguida, chamar o ministro do Supremo de “pateta” e “panaca”. O show de insultos seguiu com o deputado puxando coros contra o ministro Dias Toffoli e o presidente Lula (PT), reforçando o isolamento institucional do grupo extremista.
O pastor Silas Malafaia, financiador do evento, seguiu a mesma linha radicalizada. Sem apresentar provas, acusou Moraes de corrupção e atacou a esposa do ministro, repetindo teorias que circulam em grupos de mensagens da ala bolsoafetiva.
Apesar do esforço de mobilização, os números mostram um movimento em declínio. O que deveria ser a ocupação de “um milhão de pessoas” virou uma aglomeração minguada, estimada entre 15 mil e 20 mil presentes. Nas redes sociais, as imagens aéreas da Paulista com clarões imensos foram tratadas como um vexame político.
O tom repetitivo e as pautas focadas em blindagem jurídica de líderes bolsonaristas parecem não ter mais o mesmo apelo popular de outrora, transformando o ato no que críticos apelidaram de uma “micareta da indignação seletiva”.
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Oportunismo em Minas Gerais
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A postura agressiva de Nikolas na Paulista contrasta com sua atuação recente em seu estado natal. Como a Fórum antecipou com exclusividade e mostrou em vídeo, o deputado foi alvo de pesadas críticas ao tentar transformar a tragédia das chuvas em Minas Gerais em palco para videozinhos de autopromoção.
Enquanto a população sofria com os desabrigados e a lama, Nikolas focava em produzir conteúdo para suas redes sociais, priorizando o engajamento digital em detrimento de soluções reais para a crise. O episódio ficou marcado como um dos momentos mais escandalosos de sua trajetória, expondo a face de um mandato que sobrevive de cliques, seja no caos climático de Minas ou no asfalto da Paulista.
