Assembleia do Paraná aprova reajuste escalonado de 37% para deputados enquanto magistério soma 15% de ganho real em quatro anos
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A análise das finanças públicas do Paraná entre 2023 e 2026 revela um cenário de contrastes profundos na política de valorização profissional. Enquanto os 54 parlamentares da Assembleia Legislativa (Alep) garantiram um aumento automático vinculado ao teto federal, os profissionais da educação básica travaram disputas anuais para recompor perdas inflacionárias e garantir avanços na carreira.
O salto dos parlamentares: 37,1% de aumento
Diferente das demais categorias, os deputados estaduais não dependem de negociações anuais de data-base. No final de 2022, a Assembleia aprovou um reajuste escalonado que elevou o subsídio mensal de R$ 25,3 mil para R$ 34,7 mil até fevereiro de 2026.
Este modelo de “gatilho” permitiu que a classe política acompanhasse o teto dos deputados federais sem novos desgastes de votação a cada ano, garantindo uma valorização total superior a 37% no período de uma legislatura.
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A realidade da educação: Entre o piso e a data-base
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Para os docentes da rede estadual, a evolução salarial seguiu uma lógica de pressão sindical e ajustes pontuais no Piso Nacional do Magistério. Em quatro anos, o reajuste acumulado para a categoria ficou em torno de 15,5% (considerando ganhos reais acima da inflação), embora os índices variem conforme a classe e o nível do professor.
Piso Nacional: O governo estadual aplicou as atualizações do Ministério da Educação, o que garantiu que nenhum professor recebesse menos que o valor nacional por 40 horas semanais.
Data-base: Em 2026, o reajuste linear concedido a todo o funcionalismo foi de 5%, índice que a APP-Sindicato classifica como insuficiente para cobrir as perdas históricas acumuladas desde 2016.
Comparativo de reajustes (2023-2026)
Categoria Percentual Acumulado Valor Final (Aprox.).
Deputados Estaduais 37,1% R$ 34.774,64 /
Docentes (Média) 15,5% R$ 5.400,00 (40h)
/ Inflação (IPCA Est.) 14,8% –
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Produtividade e Justiça Salarial
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Os deputados defendem que a produtividade da Casa atingiu níveis históricos em 2025 e 2026, com a aprovação de pacotes de infraestrutura e redução de impostos, como o IPVA. No entanto, para os educadores, a conta não fecha.
“Enquanto os deputados criaram uma escada rolante para os próprios salários, os professores precisam subir degrau por degrau em uma escada quebrada”, afirma a liderança sindical da categoria.
O governo estadual, por outro lado, sustenta que o Paraná possui um dos maiores salários iniciais para professores no Brasil e que a concessão de reajustes superiores aos deputados colocaria em risco a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), dado o tamanho da folha de pagamento da educação, que conta com mais de 100 mil profissionais entre ativos e inativos.
