Alcolumbre de férias e o trabalhador segue ferrado na escala 6×1

Por Milton Alves* Após meses da aprovação da PEC pelo fim da escala 6×1 na Câmara de Deputados, com uma esmagadora votação a favor da medida, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, obedecendo as ordens do empresariado barrou a tramitação da proposta. A ação sabotadora de Alcolumbre, que sequer encaminhou a proposta para exame da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), contrariou a vontade de milhões de trabalhadores e, ao mesmo tempo, enterrou a compulsão ilusionista dos dirigentes das centrais sindicais e parlamentares de esquerda, que apostaram nos conchavos e cafezinhos no Congresso ao invés de impulsionar a mobilização da classe trabalhadora. A nova promessa de tramitação da PEC em agosto, em pleno processo eleitoral, é mais uma maracutaia procrastinadora de Alcolumbre, um dos maestros do Centrão corrupto, serviçal do ex-banqueiro Vorcaro. Congresso inimigo do povo Agora, Alcolumbre e seus nobres colegas gozam de férias nababescas em resorts de luxo – aqui e no exterior – ou em suas opulentas mansões em áreas exclusivas de cidades do litoral, com os bolsos recheados por um generoso salário de R$ 46 mil reais por mês e milhões de reais de emendas secretas à disposição para corromper agentes políticos e perpetuar as oligarquias partidárias, como comprovam os recentes escândalos envolvendo as figuras carimbadas de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e do mercurial Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, durante o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. Enquanto isso, no chão de fábrica, lojas, aplicativos e escritórios, os trabalhadores enfrentam as extenuantes jornadas de trabalho, baixos salários e metas desumanas de produção, um universo distante dos privilégios de Alcolumbre e dos demais senadores. A atual composição patronal e direitista do Senado indica que o futuro da PEC pelo fim da escala 6×1 está em questão. A saída é retomar a pressão por baixo, a mobilização nas ruas e nas redes sociais. Alguns setores sindicais defendem a proposta da organização de um acampamento em Brasília no início dos trabalhos legislativos para pressionar os senadores. Nas eleições de outubro, a demanda por uma reforma política radical é uma pauta irrecusável para abrir caminho na direção de mudanças profundas das instituições políticas do país, que, atualmente, apenas favorecem a dominação do ‘andar de cima’ em detrimento dos legítimos anseios do povo trabalhador. *É jornalista e escritor, atua também na imprensa sindical e integra o diretório estadual do PT-PR. Tem Pós-graduação em Ciência Política