BALANÇO PARCIAL DA DERROTA DOS EUA NO GOLFO PÉRSICO

por Manuel João Ramos O sendeiro com pés de barro Ao fim de treze noites seguidas de bombardeamentos, os Estados Unidos suspenderam a campanha aérea contra o Irão. Como justificação, o Pentágono alega ter ficado sem munições de defesa aérea na região, nomeadamente interceptores Patriot. As contas destes cinco meses de guerra são pesadas. Dezenas de militares norte-americanos morreram. 500 ficaram feridos, um quinto deles desde 7 de Julho, em bases na Jordânia e no Kuwait. A Força Aérea perdeu mais de 40 aeronaves, entre os quais quatro F-15E Strike Eagle abatidos, um E-3 Sentry AWACS destruído, sete aviões de reabastecimento KC-135 fora de combate, dois MC-130 de operações especiais destruídos no solo. As perdas totais de drones MQ-9 Reaper rondam os 60. O gasto de munições é astronómico. Os norte-americanos dispararam mais de 1000 mísseis de cruzeiro Tomahawk, quando a produção anual ronda os 86. Lançaram mais de 1100 mísseis furtivos JASSM-ER. Gastaram 290 interceptores THAAD (40% do stock total), que custam 15 milhões e meio de dólares cada. Mais de metade dos stocks de Patriot foram usados. Em apenas 16 dias, foram disparados 320 mísseis tácticos PrSM e ATACMS, esgotando quase por completo esse arsenal. As infra-estruturas das 15 bases americanas na região estão praticamente destruídas. Imagens de satélite mostram danos em pelo menos 228 edifícios e equipamentos. O Centro de Operações Aéreas de Al Udeid, no Qatar, deixou de funcionar. Um centro de dados da Amazon Web Services no Bahrain foi atingido. Vários abrigos reforçados, hangares de drones e radares na Jordânia, Kuwait e Arábia Saudita ficaram destruídos. O Pentágono refere perdas de 37 mil milhões de dólares, mas estimativas independentes, contando com o impacto do preço dos combustíveis nos consumidores, apontam para valores entre 72 mil milhões e 132 mil milhões. Com os depósitos de Patriots vazios no teatro de operações e as linhas de produção incapazes de responder à procura, continuar a bombardear seria deixar as bases ainda existentes na Jordânia e em Israel sem qualquer protecção contra retaliações iranianas. O Irão fabrica drones Shahed por cerca de cinquenta mil dólares cada. Os mísseis que os abatem custam vários milhões. Ao fim de cinco meses, as contas falaram mais alto que a prosápia.