CONSELHEIRO DO TCE COBRA FISCALIZAÇÃO DA PRIVATIZAÇÃO DA COPEL

CONSELHEIRO DO TCE-PR FAZ DISCURSO DURO SOBRE A COPEL E COBRA AÇÃO MAIS FIRME DO TRIBUNAL Por Lucas Santos na TVTJ Um dos momentos mais marcantes da sessão do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), realizada no dia 1º de julho de 2026, foi protagonizado pelo conselheiro Fabio Camargo. Em um discurso longo e contundente, ele fez críticas à situação da Copel após a privatização, questionou os benefícios prometidos à população e defendeu uma atuação mais firme dos órgãos de fiscalização. A fala repercutiu por abordar temas sensíveis para milhões de paranaenses, como aumento nas tarifas de energia, qualidade dos serviços prestados, prejuízos a produtores rurais e a responsabilidade do Estado na proteção do patrimônio público. “O PATRIMÔNIO NÃO É DO GOVERNO, É DO POVO” Uma das frases mais fortes do discurso foi a defesa de que a Copel representa um patrimônio construído ao longo de gerações pelos paranaenses. Segundo Fabio Camargo, governos são temporários, mas o patrimônio público pertence à sociedade e deve ser preservado independentemente de quem esteja ocupando cargos políticos. Para o conselheiro, o Estado não pode tratar bens estratégicos apenas como ativos financeiros, especialmente quando estão ligados a serviços essenciais como a energia elétrica. CRÍTICAS À PRIVATIZAÇÃO Durante sua manifestação, o conselheiro classificou o processo como uma espécie de “privatização camuflada” e demonstrou preocupação com os rumos adotados após a mudança no controle da companhia. Ele argumentou que o debate não deve se limitar à legalidade do processo, mas também aos resultados entregues à população. Em sua avaliação, a principal pergunta que precisa ser respondida é simples: A população recebeu, de fato, aquilo que lhe foi prometido? TARIFAS E QUALIDADE DO SERVIÇO Outro ponto de destaque foi a crítica ao aumento das tarifas de energia. Fabio Camargo questionou se a renda das famílias cresceu na mesma proporção dos reajustes enfrentados pelos consumidores e afirmou que esse impacto pesa diretamente no orçamento dos paranaenses. Além disso, o conselheiro mencionou reclamações sobre: Demora no restabelecimento da energia; Dificuldades no atendimento ao consumidor; Percepção de queda na qualidade dos serviços; Problemas enfrentados por moradores de áreas rurais. Segundo ele, quando ocorre uma interrupção no fornecimento de energia, quem sofre as consequências não é a empresa, mas a população que depende do serviço. PREJUÍZOS NO CAMPO Um dos trechos que mais chamou atenção foi a referência a casos de produtores rurais que teriam registrado prejuízos após falhas no fornecimento de energia. O conselheiro citou situações envolvendo criação de peixes e aves, afirmando que pequenos produtores podem ser duramente afetados quando enfrentam longos períodos sem eletricidade. A preocupação apresentada por ele é que problemas de energia não afetam apenas residências, mas também a produção agrícola, a geração de renda e a economia local. O PAPEL DO TRIBUNAL DE CONTAS Talvez o aspecto mais relevante da fala tenha sido a cobrança direcionada ao próprio Tribunal de Contas. Fabio Camargo defendeu que o TCE não deve se limitar a acompanhar os acontecimentos, mas também agir quando identificar situações que possam prejudicar a sociedade. Segundo ele, a fiscalização precisa ser efetiva e produzir resultados concretos. Em vários momentos do discurso, o conselheiro demonstrou preocupação com a imagem que a população tem dos órgãos de controle e destacou que os cidadãos precisam sentir que existe fiscalização ativa e proteção dos interesses coletivos. ESTADO DEVE CONTINUAR FISCALIZANDO Outro ponto importante abordado foi que a privatização não elimina a responsabilidade do Estado. Pelo contrário. Na visão do conselheiro, serviços essenciais continuam exigindo fiscalização rigorosa, transparência e mecanismos de proteção ao consumidor, mesmo quando são prestados por empresas privadas. Ele ressaltou que energia elétrica é um serviço fundamental para a vida moderna e que qualquer falha afeta diretamente famílias, empresas, produtores rurais, hospitais, escolas e toda a economia. DISCURSO REPERCUTE NO PARANÁ A manifestação de Fabio Camargo ocorre em um momento em que o debate sobre a privatização da Copel continua dividindo opiniões em todo o Paraná. Enquanto defensores do processo apontam modernização e novos investimentos, críticos argumentam que a população ainda busca respostas sobre tarifas, qualidade dos serviços e resultados efetivamente entregues. Ao final de sua fala, o conselheiro deixou uma mensagem clara: o Tribunal de Contas deve permanecer vigilante e demonstrar à sociedade que está atento aos impactos das decisões que envolvem patrimônio público e serviços essenciais. Independentemente das posições políticas sobre a privatização, o discurso trouxe novamente para o centro do debate uma pergunta que continua mobilizando muitos paranaenses: A privatização trouxe os benefícios prometidos para a população ou ainda existem questões que precisam ser respondidas?