"Escola não é lugar de quartel”, afirma o educador Carlos Abicalil

Abicalil também condenou a privatização das redes públicas de ensino por meio de programas como o Parceiro da Escola, implantado no Paraná. Foto: Altvista / APP-Sindicato. Ex-presidente da CNTE, professor foi responsável pela palestra magna no primeiro dia da Conferência Estadual de Educação APP Sindicato O professor Carlos Abicalil criticou a expansão do modelo de ensino cívico-militar país afora, como é o caso do Paraná. “Escola não é lugar de quartel”, disse o ex-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Ele realizou a palestra magna da abertura da 9ª Conferência Estadual de Educação, nesta sexta-feira (10), no Expotrade, em Pinhais, na Grande Curitiba. “O coração civil é o lugar de protesto, de mudar situações, concepções de mundo”, afirmou Abicalil. A partir da curiosidade, da escuta, da diferença, portanto, o indivíduo se constrói. E daí, segundo ele, é preciso conduzir a existência com alegria, que traz esperança. Por isso, avalia o educador, o tema da conferência acerta ao propor que a escola seja pública, democrática, crítica e emancipadora. Abicalil também exibiu vídeos para ilustrar como as redes sociais são usadas para impedir o debate que constitui direitos. Ele criticou influenciadores digitais que exaltam empresários e atacam o estado por meio da manipulação de informações. “Ridicularizar o que é público é negar o sujeito coletivo”, observou o professor. “A comunicação é importante para defender a ampliação e a garantia de direitos”, acrescentou. Além do modelo cívico-militar, Abicalil condenou a privatização das redes públicas de ensino por meio de programas como o Parceiro da Escola, implantado no Paraná. De acordo com ele, essas iniciativas colocam escolas em balcões de negócio e guardam relação com a precarização do trabalho de professores(as) e funcionários(as) vigiados(as) com base em “desempenho”. “O filme aponta para o fim da gratuidade do ensino superior”, alertou o professor. Para ele, o mercado até aceita o ensino básico gratuito, mas não o superior. “Os desafios são enormes”, reforçou Abicalil, para quem o cenário exige esforço e mobilização de trabalhadores e sindicatos para assegurar um financiamento ainda maior da educação pública. “Entre nós estão as vozes”, convocou Abicalil. Essas vozes seriam capazes de conter o avanço de ideias e teses como escola sem partido, “sem partes, de uniformes, de fardas, de marcha, de ordem unida”. O professor acentuou: “Vivemos tempos de ataques à democracia – e a escola é a fábrica de democracia”. Em tom emotivo, incentivados pelo palestrante, os(as) participantes da conferência juraram defender a educação. Histórico Carlos Abicalil tornou-se reconhecido pela forte atuação em políticas públicas de defesa da educação básica no Brasil. Foi deputado federal pelo PT do estado de Mato Grosso entre os anos de 2003 e 2011. Hoje, é chefe de gabinete da senadora Teresa Leitão (PT-PE). Teve participação direta nos debates estruturais sobre o Plano Nacional de Educação (PNE), o regime de colaboração entre entes federativos e as regulamentações orçamentárias do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Antes de ingressar na política partidária, foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT).