IGREJAS DA PICARETAGEM

por Fabiano da Costa Há muito tempo, temos advertido para o descalabro completo que há entre Estado Laico, liberdade de credo e completa impunidade que cercam os grupos religiosos, sobretudo os neopentecostais. Com uma imunidade tributária, prevista em lei, as igrejas não pagam impostos como IPTU e IPVA e não declaram Imposto de Renda. Pior ainda, é que a Bancada da Bíblia aprovou. na Câmara, em maio, a ampliação destas isenções. Se aprovadas as novas regras no Senado, igrejas não pagarão mais contas de energia, impostos em eletrônicos, ou materiais de construção, visando facilitar a construção de templos pelo país. Obviamente, não se discute a liberdade de credo e nem que as Igrejas têm projetos sociais sérios e de utilidade pública. O problema no desregule se dá quando criminosos, vestidos de pastores, se utilizam disto para driblar a lei. Não existem dados certeiros de quanto as isenções das igrejas custam ao país (podem superar os 10 bilhões de reais), mas segundo auditores fiscais, este "novo presente" dados às igrejas, terá um impacto nos cofres públicos, que poderá chegar a 50 bilhões de reais anuais. Ou seja: enquanto nós precisamos de 15 bilhões de reais para melhorar a Educação pública, abriremos mão destes impostos para dar de presente às Igrejas. Mas o problema não se resume a isto: algumas igrejas se utilizam de isenções fiscais e da sua liberdade de trânsito para construir redes de lavagem de dinheiro e cooperação com o Crime organizado. Um exemplo disto, aconteceu na última quinta-feira, 16 de julho, quando a Polícia Civil de Mato Grosso realizou operação em mais uma Igreja evangélica. Desta vez, na Operação Fariseus, foi presa a missionária Rhavenna Barcelos de Almeida (à direita). Os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida (à esquerda), foram alvos de mandados de busca e apreensão. Comandando um projeto missionário em presídios, os pastores se utilizavam de seu trânsito para carregar informações e facilitar a lavagem de dinheiro para o Crime organizado. E ainda manchavam a reputação de missionários sérios, que atuam na comunidade carcerária. Qual será o limite factível entre liberdade de credo e interesse público?