por Professor Celio de Morais
A declaração foi emitida pela Guarda Revolucionária nesta quarta-feira, 15 de julho. A mensagem é clara e direta: "a exportação de petróleo e gás desta região pertencerá a todos ou a ninguém".
Teerã ativou oficialmente a chamada Doutrina de Destruição Mútua Assegurada Econômica.
Isso não é retórica. É uma ameaça baseada em ações coordenadas para estrangular o fluxo de energia do planeta se o Irã for impedido de vender seu petróleo.
O mecanismo do duplo bloqueio:
Até agora, o principal medo do Ocidente era o fechamento do Estreito de Hormuz, por onde passa quase 20% do petróleo mundial. O Irã já rebloqueou essa passagem.
Mas a ameaça de hoje vai além. O Irã ameaça fechar todos os outros corredores que beneficiam os EUA e seus aliados. Isso inclui Bab el-Mandeb, o gargalo que dá acesso ao Canal de Suez, usando os Houthis no Iêmen.
Fechar simultaneamente Hormuz e Bab el-Mandeb significa cortar duas das quatro principais artérias marítimas de energia do planeta.
A quem o Irã está atingindo?
Não são os EUA — que são autossuficientes em xisto. São os vizinhos árabes aliados de Washington: Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Catar e Bahrein. Sem essas rotas, o petróleo deles fica preso na terra.
E o alvo principal é a Ásia. Cerca de 80% do petróleo que passa por ali vai para China e Índia. O Irã usa isso como alavanca para fazer Pequim pressionar os EUA a recuar do bloqueio.
O impacto econômico:
Analistas estimam que o preço do barril Brent dispararia para US$ 200. Isso causaria um choque inflacionário global, racionamento de energia e uma recessão mundial em semanas.
O resumo da ópera:
O Irã está dizendo a Washington: "Se vocês usarem a força naval para asfixiar nossa economia, nós usaremos nossa posição geográfica e tecnologia de mísseis para quebrar o sistema financeiro global junto conosco. Se nós afundarmos, o mundo inteiro afunda junto."
A pergunta que a mídia não faz: Trump está disposto a apostar o abastecimento global de energia nesse jogo de azar?
