Itamaraty pode convocar embaixador argentino e retirar embaixador brasileiro de Buenos Aires após insultos de Milei ao Brasil

Palácio do Planalto avalia resposta diplomática após o repugnante presidente argentino atacar Lula e os chefes de dois dos três Poderes da República em território brasileiro 247 – Os ataques desferidos pelo repugnante presidente argentino Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contra o ministro Alexandre de Moraes em solo brasileiro podem provocar a mais grave crise diplomática entre Brasil e Argentina desde a redemocratização. Segundo informações obtidas junto a fontes diplomáticas, o Palácio do Planalto e o Itamaraty avaliam medidas de resposta que incluem a convocação do embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos e até mesmo a retirada do embaixador brasileiro em Buenos Aires. De acordo com as fontes, os episódios ocorridos durante a passagem de Milei pelo Brasil, durante a convenção do candidato de extrema-direita Flávio Bolsonaro, foram considerados de extrema gravidade por representarem uma afronta direta às instituições brasileiras e ao Estado nacional, ultrapassando os limites das divergências políticas entre governos. Governo estuda resposta diplomática Entre as medidas em análise está a convocação do embaixador da Argentina em Brasília para que o governo brasileiro formalize seu protesto. Em um cenário de maior escalada, também não está descartada a retirada do embaixador brasileiro na Argentina para consultas — um gesto diplomático que sinaliza profundo desgaste nas relações bilaterais. Segundo interlocutores do governo, as decisões deverão levar em conta a necessidade de preservar a dignidade institucional do Estado brasileiro diante das declarações do presidente argentino. Relação bilateral entra em momento crítico Diplomatas ouvidos afirmam que os ataques de Milei tendem a produzir impactos que vão muito além do campo político. A expectativa é de deterioração das relações bilaterais, com possíveis reflexos sobre temas estratégicos como comércio, integração regional e cooperação militar. Brasil e Argentina são os dois maiores parceiros econômicos da América do Sul e compartilham uma extensa agenda de integração no âmbito do Mercosul, além de diversos programas de cooperação nas áreas de defesa, energia, infraestrutura e ciência. “Paciência estratégica” teria se esgotado Segundo fontes diplomáticas, o episódio marcou o fim da chamada “paciência estratégica” que vinha orientando a postura brasileira diante das sucessivas provocações do governo Milei, que produziu uma catástrofe econômica e social na Argentina e se julga no direito de insultar o Brasil. Desde o início do mandato do presidente argentino, o governo Lula evitou ampliar publicamente os atritos, preservando os canais institucionais entre os dois países. No entanto, a avaliação predominante em Brasília é de que os insultos dirigidos por Milei ao presidente da República e a outros chefes de Poderes brasileiros em território nacional ultrapassaram um limite considerado inaceitável. Caso as medidas em estudo sejam efetivamente adotadas, Brasil e Argentina passarão a viver um dos momentos de maior tensão diplomática das últimas décadas, com consequências que poderão repercutir sobre toda a agenda bilateral e sobre o futuro da integração sul-americana.