Crédito: Magnific
O tráfico de crianças é uma grave violação dos direitos humanos e está mais presente na sociedade do que muitas pessoas imaginam. Apesar de ser frequentemente associado ao deslocamento entre países, muitos casos ocorrem dentro do próprio território nacional, quando crianças e adolescentes são levados de uma cidade ou estado para outro para serem explorados.
Redes criminosas se aproveitam principalmente de situações de vulnerabilidade social, econômica e familiar para aliciar as vítimas. Com falsas promessas de trabalho, melhores condições de vida ou ajuda financeira, elas afastam crianças e adolescentes de suas famílias e comunidades, expondo-os a diferentes formas de violência e exploração.
Perfil das vítimas
Segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, 38% das vítimas de tráfico de pessoas identificadas no mundo são crianças, e o número de vítimas infantis aumentou 31% entre 2019 e 2022. As meninas são as principais vítimas de exploração sexual, enquanto meninos são mais explorados em trabalhos forçados e atividades criminosas.
No Brasil, o Ministério da Justiça e Segurança Pública reúne dados oficiais que mostram que o tráfico de pessoas ocorre tanto em rotas internas quanto internacionais, reforçando a necessidade de prevenção, denúncia e proteção das crianças e adolescentes.
Combate ao tráfico de crianças
O enfrentamento ao tráfico de crianças é responsabilidade de toda a sociedade, incluindo as famílias, as comunidades e a Igreja. É importante estar atento a situações suspeitas, conversar com as famílias, participar de ações de prevenção e fortalecer uma cultura de cuidado e proteção.
Diante de sinais de violência, exploração ou possível aliciamento, a denúncia pode ser feita gratuitamente pelo Disque 100, que funciona 24 horas por dia e permite o anonimato. Qualquer pessoa pode denunciar, e as informações são encaminhadas aos órgãos responsáveis.
O Conselho Tutelar do município também pode ser procurado e, em situações de emergência, flagrante ou risco imediato, deve-se acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.
Quando uma comunidade protege suas crianças, defende a vida e ajuda a interromper ciclos de violência e exploração.
Rede Um Grito Pela Vida
Fundada em 2006, a Rede Um Grito pela Vida é uma iniciativa intercongregacional composta por religiosas e religiosos de diversas congregações, além de leigas e leigos comprometidos com a erradicação do tráfico de pessoas. Clique aqui para conhecer.
Saiba mais sobre o tráfico de crianças
Para entender mais sobre os desafios do combate ao tráfico de crianças, confira a entrevista com Irmã Isabel do Rocio Kuss, coordenadora nacional da Rede Um Grito pela Vida.
Neste conteúdo, você vai encontrar:
O que é o tráfico de crianças?
Qual é a finalidade do tráfico de crianças? E que perfil de crianças os aliciadores mais procuram?
Que consequências podem sofrer as crianças traficadas, desaparecidas?
O que fazer se uma criança desaparece da família?
Que orientações devem ser dadas às crianças sobre como elas podem se proteger dos aliciadores?
Quais são as dicas de prevenção que os pais devem tomar para evitar ou dificultar o sequestro de crianças?
Como deve ser o acolhimento das crianças vítimas de tráfico?
O que a comunidade pode fazer para ajudar a combater o tráfico de crianças?
Irmã Isabel do Rocio Kuss
Entrevista com Irmã Isabel do Rocio Kuss, coordenadora nacional da Rede Um Grito pela Vida, rede que enfrenta o tráfico de pessoas.
Irmã Isabel, o que é o tráfico de crianças?
IRMÃ ISABEL:
O tráfico de crianças é uma grave e profunda violação da dignidade humana. Isso acontece quando crianças são recrutadas, transportadas, acolhidas ou mantidas para fim de exploração. Muitas vezes, ocorre por meio de falsas promessas, pelo engano, pela manipulação ou aproveitando situações de vulnerabilidade das famílias. E é importante lembrar que criança não é mercadoria, criança é sujeito de direitos e precisa ser protegida.
O que a comunidade pode fazer para ajudar a combater o tráfico de crianças?
IRMÃ ISABEL:
O enfrentamento ao tráfico de crianças é responsabilidade de toda uma sociedade. É responsabilidade da Igreja. É responsabilidade da família. A comunidade pode estar atenta a situações suspeitas. Participar de ações de prevenção. Orientar famílias e denunciar casos de violência ou exploração. Também precisamos fortalecer a cultura do cuidado. Quando uma comunidade protege suas crianças, ela protege o seu futuro e defende a vida. E proteger as crianças é a missão de todos nós. Leia a entrevista na íntegra.
Que mensagem a senhora gostaria de enviar para os nossos ouvintes?
IRMÃ ISABEL:
Convidamos você a conhecer a Rede Um Grito pela Vida. Rede que enfrenta o tráfico de pessoas principalmente de crianças, adolescentes, jovens e mulheres. Faça parte dessa rede de proteção e cuidado, visite as nossas Redes Sociais e conheça um pouco mais a nossa vida e nossa missão.

