por Alcidio Torres
Falhou a guerra contra o Irã. Resta a bomba. E ninguém avisou Trump.
"O presidente dos EUA já ameaçou, duas vezes, 'acabar com a civilização iraniana', antes da guerra, e depois do ataque ao carregueiro Ever Lovely. A via convencional já falhou, os EUA capitularam. Resta a nuclear."
Se os EUA usarem armas nucleares contra o Irão, quem os vai parar?
A Rússia, a China, o Paquistão e a Coreia do Norte têm o dever de avisar Washington de que responderão na mesma moeda se ele apertar o gatilho nuclear contra o Irão.
A verdade é nua e crua: Se o tabu nuclear for quebrado, a ordem mundial colapsa.
Mas o aviso não é simples.
A China observa o desgaste americano com satisfação, mas também perde, porque o Irão é seu fornecedor de petróleo. A dissuasão nuclear está acima do comércio.
Se os EUA quebrarem o tabu, dezenas de milhões de iranianos pagarão com a vida. As potências nucleares têm de avisar Trump. O comércio recupera-se. As vidas, não.
Entretanto, os EUA mantêm no Médio Oriente mais de 50 mil militares, 100 aviões-tanque e dois grupos de porta-aviões. Não é uma pausa. É a infraestrutura de uma guerra pronta a recomeçar.
Dissuasão e preparação não se excluem: são a mesma coisa, vista de ângulos diferentes.
E há uma segunda incoerência: o Ocidente ainda não venceu a Rússia na Ucrânia, e dificilmente o conseguirá. Abrir uma segunda frente nuclear antes de fechar a primeira convencional não é estratégia. É embriaguez de poder.
O aviso das potências nucleares é a última barreira. É também a mais perigosa, porque se os EUA ignorarem, começa a Terceira Guerra. Se ninguém avisar, acontece o genocídio.
Quem tem coragem de dar o aviso? E quem tem coragem de o ouvir?
Se o genocídio acontecer, não será por acaso. Será porque ninguém avisou. E ninguém ouviu.
