Guilherme Boulos
Crédito: Ruy Castro ASCOM/SGPR
Guilherme Boulos à TV 247: “eleição será entre um estadista e um meliante”
“De um lado, você tem a biografia e a trajetória da maior liderança política da história do Brasil. Do outro lado, você tem um meliante com uma ficha corrida gigantesca”, disse ele
247 — Em uma entrevista contundente concedida ao canal TV 247 na noite desta quinta-feira (30), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, traçou o diagnóstico central da disputa presidencial de 2026. Para o ministro, o cenário eleitoral do país não se resumirá a uma mera divisão partidária, mas sim a um embate ético, de projeto de nação e de soberania internacional.
“De um lado, você tem a biografia e a trajetória da maior liderança política da história do Brasil. Do outro lado, você tem um meliante com uma ficha corrida gigantesca”, afirmou Boulos, ao fazer um contraste direto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o pré-candidato da extrema-direita, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O verdadeiro contraponto: Lula contra os interesses de Trump
Segundo o ministro, limitar a leitura da eleição de 2026 a um embate regional contra o filho do ex-presidente é reduzir o tamanho das forças globais em jogo. Boulos advertiu que a extrema-direita brasileira atua subordinada à estratégia geopolítica do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que busca avançar sobre os recursos naturais do Sul Global.
“O nosso adversário em outubro não é o Flávio, é o Trump. O que está em jogo é se o Brasil permanecerá uma nação soberana ou se vai ficar ajoelhado diante de interesses imperialistas e neocoloniais”, enfatizou o ministro durante a transmissão ao vivo do programa Boa Noite 247.
Ele destacou que o apetite das potências sobre o Brasil diz respeito diretamente às reservas de minerais críticos e terras raras — matérias-primas indispensáveis para a transição energética e a indústria de semicondutores e inteligência artificial. Boulos lembrou que a postura firme do presidente Lula em exigir processamento interno, valor agregado e transferência de tecnologia foi o divisor de águas que desencadeou retaliações tarifárias e tentativas de desestabilização da soberania brasileira por parte dos EUA.
Ações contra o reordenamento das Big Techs e o ‘Gabinete do Ódio’
Ao abordar os riscos que cercam o pleito de 2026, Guilherme Boulos apontou o uso de desinformação automatizada e a articulação das grandes corporações de tecnologia como o principal campo de batalha. O ministro alertou que o algoritmo das redes sociais não é neutro e opera associado a interesses financeiros e políticos de extrema-direita.
O ministro destacou a importância de uma resposta institucional rápida e vigilante por parte da Justiça Eleitoral diante de práticas ilícitas, citando ferramentas de inteligência artificial utilizadas de forma fraudulenta, a disseminação de deepfakes e o uso irregular do poder de alcance de novas arquiteturas do chamado “Gabinete do Ódio”. Para Boulos, é fundamental que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aja com rigor desde o início do período de campanha para impedir o contágio do processo democrático por mentiras e impulsionamentos ilegais.
Balanço de gestão: 6×1, informalidade e ‘Governo na Rua’
No âmbito das ações à frente da Secretaria-Geral da Presidência, Boulos apresentou um balanço dos seus primeiros nove meses no cargo, enfatizando a aproximação com os movimentos sociais e a nova classe trabalhadora urbana. Entre as prioridades, o ministro cravou que o governo manterá pressão total pela votação do fim da escala 6×1 no Congresso Nacional antes das eleições.
“O fim da escala 6×1 é uma pauta que o governo do presidente Lula comprou. Veio da sociedade, do movimento VAT e do empenho dos trabalhadores. O nosso entendimento é de que precisa ser pautado antes da eleição para que os parlamentares sintam a responsabilidade perante o povo”, defendeu.
Boulos ressaltou ainda a criação do programa Move Brasil, focado na concessão de financiamento desburocratizado com apoio do Fundo Garantidor para motoristas e entregadores de aplicativos adquirirem veículos próprios com juros reduzidos, além da implantação das Paradas Certas (pontos de apoio e descanso nas capitais) e das ações itinerantes do programa Governo na Rua, que levou atendimento do INSS, Cadastro Único e Pé-de-Meia diretamente às periferias brasileiras.
