FALA O EMBAIXADOR DA RÚSSIA

Entrevista do Embaixador da Rússia no Brasil, Alexey Labetskiy, à plataforma AUVP Atlas 🔶As nossas relações com o Brasil são relações de parceria estratégica que estamos desenvolvendo há mais de 20 anos. A primeira base sólida é o respeito à soberania e à identidade de cada um. A segunda é a necessidade de encontrar caminhos para o desenvolvimento de relações econômicas mutuamente vantajosas. E a terceira é a negação de qualquer tentativa de voltar às épocas de ditaduras, de imposição, de neocolonialismo, racismo e nacional-socialismo; 🔶Para nós, a Grande Guerra Patriótica foi uma guerra de defesa da identidade, da cultura e dos povos da antiga União Soviética contra o nazismo. Nós apreciamos muito o fato de o Brasil ter sido o único país latino-americano que participou ativamente, com suas forças, no combate ao nazifascismo; 🔶Não vejo nenhum processo de ruptura inesperada nas relações entre a Rússia e o Ocidente. Desde o final dos anos 1990, estamos dizendo ao Ocidente que temos preocupações de segurança. Em 2007, em Munique, voltamos a dizer claramente: temos essas preocupações e não podemos aceitar novos avanços da OTAN; 🔶Ainda no período final da União Soviética, os americanos prometeram quea OTAN não avançaria. Mas quando temos mísseis que podem chegar até Moscou em oito minutos, isso não significa que temos condições iguais de segurança. A nossa resposta foi bem clara: não podemos permitir a existência disso; 🔶O maior problema com a Ucrânia é o problema da segurança. Russos e ucranianos têm uma história comum, hábitos comuns e vínculos culturais muito próximos. As tentativas de separar o russo do ucraniano são a mesma coisa que separar o carioca do baiano; 🔶Outro problema é a situação da população russofalante. Não podemos aceitar as tentativas de restringir a língua russa e de romper os vínculos históricos e culturais que existem entre os povos russo e ucraniano; 🔶Nós estamos abertos para falar com o Ocidente, mas com base na igualdade. Quando alguém em Londres ou Washington pretende nos ensinar como devemos viver, isso não é aceitável para nós; 🔶A maior conquista dos BRICS, naquele tempo e agora, consiste no fato de que esses Estados conquistaram e fortaleceram a sua própria identidade, apesar do colonialismo, do neocolonialismo e das tentativas de dominação. Os países dos BRICS nunca pretenderam impor uns aos outros a sua vontade ou a sua maneira de fazer negócios; 🔶Os Estados Unidos gostariam de dominar o mercado mundial de hidrocarbonetos e, por isso, empreenderam esforços junto com Israel contra o Irã. Mas esqueceram que estão lidando com uma civilização milenar, com identidade própria, capaz de defender os seus interesses, a sua cultura e a sua história; 🔶As restrições ao acesso da Rússia aos mecanismos financeiros tradicionais não paralisaram a nossa economia. As sanções criaram dificuldades para determinadas operações em dólares e euros, mas essas dificuldades podem ser superadas. Podemos ampliar os pagamentos não apenas em dólares ou euros, mas também em rublos e reais; 🔶Os empresários brasileiros compreendem muito bem que chegou o momento de diversificar. O dólar continua sendo utilizado, mas precisamos desenvolver alternativas que garantam maior independência e segurança às relações comerciais e financeiras; 🔶As trocas comerciais entre a Rússia e o Brasil estão em torno de 11 bilhões de dólares, mas poderiam ser muito maiores. Existe um grande potencial para diversificar esse comércio; 🔶Estamos abertos não apenas a fornecer fertilizantes ao Brasil, mas também a investir, caso seja do interesse brasileiro, na produção de fertilizantes no próprio país. Existem ainda grandes perspectivas nas áreas de energia, energia nuclear, transmissão de energia, infraestrutura e tecnologias modernas. 🔗Assista na íntegra: https://youtu.be/HJE-FXOkVpE?si=QKf3xFdUmV5i0OtI