Gleisi lança ofensiva contra Moro e extrema direita na estreia da campanha ao Senado

por Esmael Morais em seu blog A deputada federal e candidata ao Senado, Gleisi Hoffmann (PT), fez um discurso de forte enfrentamento político durante a homologação da Federação Brasil da Esperança, na noite de quarta-feira (5), na Sociedade Thalia, em Curitiba. Ao lado de Requião Filho (PDT), candidato ao Governo do Paraná, ela apresentou seus suplentes, o empresário Assis Gurgacz Neto (PDT) e Aldacir Rizzi (Rede-PSOL), defendeu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atacou Sergio Moro (PL), criticou as privatizações da Copel e da Sanepar e convocou a militância para impedir o retorno da extrema direita ao poder. A homologação da Federação Brasil da Esperança transformou-se em um ato de mobilização eleitoral e de contraponto ao campo conservador no Paraná. Em um discurso de cerca de 13 minutos, Gleisi Hoffmann concentrou ataques aos principais adversários da esquerda na disputa estadual e nacional, vinculando a eleição de 2026 à defesa da democracia, da soberania nacional e dos programas sociais do governo Lula. A candidata apresentou oficialmente sua chapa ao Senado, formada pelo empresário Assis Gurgacz Neto (PDT) como primeiro suplente e Aldacir Rizzi (Rede-PSOL) como segundo suplente. Também dividiu o palanque com o médico Rosinha (PT), candidato ao Senado, e com Requião Filho, homologado candidato ao Palácio Iguaçu. O primeiro grande eixo do discurso foi a defesa da continuidade do governo federal. Gleisi afirmou que a disputa presidencial será decisiva para preservar programas sociais, investimentos públicos e a soberania nacional. “Nós temos a obrigação histórica de não permitir que a extrema direita volte a governar o país.” Na sequência, reforçou o apoio à candidatura de Lula. “Lula é o nosso candidato e vai subir pelas nossas mãos outra vez a rampa do Palácio do Planalto.” Ataques a Ratinho Junior e às privatizações A candidata ao Senado também direcionou críticas à gestão estadual, especialmente pela privatização da Copel e pela intenção de privatizar a Sanepar. Segundo Gleisi, o Paraná perdeu um patrimônio estratégico ao vender a companhia de energia. “Não é possível que o Paraná tenha privatizado uma das maiores companhias de energia elétrica do Brasil.” Ela afirmou que o projeto representado por Requião Filho pretende unir investimentos em infraestrutura com políticas sociais e acusou a atual administração de privilegiar a entrega do patrimônio público. “Nós não queremos esse tipo de administração do atraso, que não pensa na nossa gente, que não pensa no nosso desenvolvimento, a não ser na entrega do nosso patrimônio econômico.” O ataque mais duro contra Sergio Moro O momento mais contundente do pronunciamento ocorreu quando Gleisi voltou suas críticas ao senador Sergio Moro (PL), provável adversário na sucessão estadual. Sem economizar nas palavras, ela responsabilizou o ex-juiz pelo fortalecimento da extrema direita no país. “Não deixar também que aquele que deu causa a tudo que nós estamos vendo de ruim, abriu as portas do inferno para a extrema direita entrar, possa governar o Paraná.” Logo em seguida, fez um apelo direto à militância: “Nós não queremos e não podemos deixar Sergio Moro ganhar a eleição. E não vamos deixar.” Foi um dos trechos mais aplaudidos da noite. Críticas ao Senado e promessa de protagonismo Gleisi também sustentou que o Paraná perdeu influência política em Brasília nos últimos anos. Segundo ela, o Estado deixou de exercer protagonismo nacional. “A gente não tem senador que representa esse Estado.” A petista afirmou que o Paraná vive um período de esvaziamento político. A petista fez um aceno a Alvaro Dias (MDB) ao afirmar que a presença do ex-senador qualificava o Senado. “Nós estamos perdendo tempo há oito anos”, disse ela, fazendo uma ressalva sobre a atuação de Flávio Arns (PSB), que, segundo ela, atua com dedicação na área da educação especial. Como candidata ao Senado, prometeu atuar para fortalecer a articulação política do Estado, ampliar investimentos federais e defender pautas ligadas às mulheres, saúde, educação e universidades. Defesa dos direitos das mulheres Outro momento de confronto ocorreu quando Gleisi criticou setores conservadores que, segundo ela, tentam restringir direitos femininos. Em tom de ironia, afirmou: “Essa extrema direita que agora está usando, inclusive, o discurso de que nós não devemos ter direito ao voto… ‘voltem para a casinha de onde nunca deviam ter saído’. Nós não vamos admitir isso.” Convocação à militância Nos minutos finais, a candidata a senadora transformou o discurso em uma convocação para a campanha eleitoral. Ela pediu mobilização presencial e digital. “Vamos pegar nossa bandeira, vamos pegar nosso celular, vamos para a rua e vamos falar com o povo.” Também incentivou o enfrentamento político. “Não tenham medo de fazer o enfrentamento.” Ao encerrar, associou uma eventual vitória da chapa liderada por Requião Filho à defesa da democracia, da soberania nacional e da justiça social. “Nós vamos, no dia 4 de outubro, comemorar nossa vitória, que é a vitória da democracia, da soberania e da justiça social.” A homologação da Federação Brasil da Esperança marcou oficialmente o início da campanha de Gleisi Hoffmann ao Senado e de Requião Filho ao Governo do Paraná, consolidando uma estratégia baseada no confronto direto com a direita paranaense, na defesa do governo Lula e na tentativa de recolocar o Estado no centro da articulação política nacional.