por Alcidio Torres
A Marinha dos EUA está a desviar o dinheiro dos salários dos seus próprios marinheiros para financiar a guerra contra o Irã, enquanto jovens de 19 e 20 anos estão presos no mar há 250 dias, sem tocar em terra, com a saúde mental em colapso.
O Pentágono retira fundos da conta destinada ao pagamento das tropas para cobrir operações de combate e tapa o buraco orçamental com outras verbas não gastas.
Um exercício de contabilidade de guerra, reveladora da crise de liquidez de um império sem dinheiro para pagar quem luta por ele.
Foi o jornal The Guardian que revelou o esquema, com base num memorando interno do Pentágono.
Famílias e jornais especializados como o Navy Times e o Stars and Stripes já reportaram várias tentativas de estes jovens marinheiros se atirarem ao mar, em desespero, depois de a missão ser prolongada várias vezes seguidas. Um jovem mecânico de aviação, de apenas 19 anos, foi resgatado a 3 de agosto depois de saltar borda fora.
Casas de banho avariadas, água contaminada, comida racionada, meses sem conseguir falar com a família. E agora, por cima do sacrifício e do sofrimento, desviam-lhes o próprio salário para financiar a guerra que os esgota.
Arriscar a vida dos seus combatentes, ignorar o colapso mental de muitos deles e, ainda, desviar-lhe o salário é próprio de um império em declínio.
Na verdade, este comportamento desumano só mostra que ser inimigo dos EUA é perigoso, mas ser filho ou amigo é fatal.
E ainda há quem defenda aumentar o orçamento militar americano.
Fontes: The Guardian; CNN; Navy Times; Stars and Stripes.
