Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Crédito: Ricardo Stuckert
Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito diz que reeleição de Lula está alinhada a valores cristãos e aponta riscos autoritários em candidatura do PL
por Otávio Rosso no Brasil 247
Um grupo de evangélicos progressistas divulgou uma carta aberta em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em meio à ofensiva do petista para ampliar sua presença junto ao eleitorado religioso e reduzir a vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) nesse segmento. A informação foi publicada pela CNN Brasil.
O documento é assinado pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, movimento formado por pastores e teólogos de diferentes regiões do país. Na carta, o grupo afirma que a continuidade de Lula no governo está em sintonia com valores cristãos e faz críticas diretas à candidatura de Flávio, associada pela entidade a um projeto de “autoritarismo” e de defesa de “benefícios dos mais ricos”.
“Não podemos normalizar forças políticas que atacam as instituições, questionam o resultado das urnas, estimulam a violência e ameaçam os direitos fundamentais. A Bíblia nos ensina que ‘Deus não é Deus de desordem, mas de paz’”, afirma o texto.
A manifestação ocorre em um momento em que a campanha de Lula busca enfrentar um dos principais desafios eleitorais do presidente: a resistência de parte expressiva do público evangélico. Segundo pesquisas citadas pela CNN, Flávio Bolsonaro mantém ampla vantagem sobre Lula entre eleitores religiosos, o que levou o PT a intensificar a aproximação com lideranças do segmento.
Na carta, a Frente também defende a atuação de Lula na preservação da democracia e da soberania nacional, especialmente diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil. Para o grupo, a conjuntura recente reforçou o papel do presidente na contenção de ameaças à ordem institucional.
“A experiência recente demonstrou a importância da liderança do presidente na articulação da consciência democrática e na resistência às forças que ameaçaram romper definitivamente a ordem constitucional. E isso não apenas no âmbito nacional mas também na esfera global”, diz outro trecho do documento.
Apesar do apoio formal à reeleição, a entidade afirma que a posição política não elimina sua independência. O movimento ressalta que o apoio “não retira da Frente sua autonomia” nem sua “capacidade de diálogo”.
A aproximação de Lula com evangélicos também tem contado com a participação da primeira-dama Rosângela Silva, a Janja. Como parte da estratégia de campanha, ela lançou um comitê voltado ao público evangélico e um jingle de inspiração gospel para reforçar a comunicação com esse eleitorado.
Além disso, Lula pretende realizar um encontro com pastores evangélicos e se reunir com o deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ), que já declarou apoio ao presidente em uma eventual disputa de segundo turno contra Flávio Bolsonaro.
A iniciativa busca ampliar pontes com lideranças religiosas e disputar um campo em que a direita bolsonarista consolidou presença nos últimos anos. Ao obter o apoio de pastores e teólogos progressistas, a campanha petista tenta mostrar que a agenda democrática e social do governo também encontra respaldo em setores evangélicos organizados.
