Alcidio Torres
O Mossad é Uma das Maiores Máquinas de Espionagem do Mundo — e o Irã Está a Desmontá-la
Um artigo do The Cradle põe a nu a selvagem máquina de guerra do Mossad, o serviço de espionagem israelita, considerado um dos maiores do mundo.
Além de matar quem se opõe à ocupação, a indústria de espionagem sionista trata os seus próprios agentes como matéria-prima descartável. Muitos começam sem saber para que servem os dados que recolhem, nem se há outros a fazer o mesmo trabalho ao lado deles.
Alguns morrem por engano, vítimas do próprio sistema que serviram. Outros, quando deixam de ser úteis, são simplesmente abandonados, não resgatados, não avisados, esquecidos onde caem.
Com base nos dados do The Cradle, enumero neste post alguns dos métodos usados por esta máquina de guerra para identificar, rastrear e eliminar alvos, desde cidadãos comuns a líderes da resistência islâmica.
A peugada da morte
Em setembro de 2024, Israel faz explodir, em simultâneo, milhares de pagers, em todo o Líbano. Não são armas, mas objetos do quotidiano, com uma pequena carga explosiva escondida lá dentro desde a fábrica, à espera do sinal certo. 42 mortos, 12 deles civis, até 4 mil feridos. Doze civis morreram sem nunca terem escolhido um lado.
Noutro caso, um agente palestiniano recebeu um par de botas militares com um rastreador escondido lá dentro. A única ordem: caminhar pelos túneis. Foi assim, através de um homem que nem sabia o que carregava nos pés, que Israel mapeou uma rede inteira de túneis em Gaza.
Num terceiro caso, um único infiltrado numa oficina de foguetes passou anos a sabotar a potência dos explosivos e a plantar rastreadores nas ogivas que ele próprio ajudava a fabricar. Pelo menos 30 combatentes mortos, um a um, sem que ninguém percebesse porquê.
Nada do que é relatado neste post é ficção ou improviso. Israel tem universidades a formar pessoal para este ecossistema de espionagem, a avaliar o desempenho dos serviços de informação, a dissecar a própria espionagem como disciplina académica.
Para sustentar esta máquina infernal, Israel ocupa 7 mil funcionários e gasta anualmente 2,73 mil milhões de dólares.
Um novo intruso na história
O problema desta engrenagem é que a impunidade de que sempre gozou está a chegar ao fim. Não porque Israel se tenha tornado menos competente, mas porque o Irão nunca dependeu de tecnologia importada.
Pelo contrário, apostou na coesão social, na memória histórica e num sistema judicial que processa sem piedade. Enquanto o Mossad forma espiões em universidades, o Irão forma denunciantes nos bairros.
O Irão faz isto sob sanções, isolado internacionalmente, sem o acesso a tecnologia ocidental, que Israel tem, o que torna a resposta ainda mais notável.
Até agora, esta máquina de guerra sionista conseguia matar os seus inimigos quando e onde queria. Só que, durante os 12 dias de guerra entre Israel e o Irão, em junho de 2025, o governo iraniano deteve 700 pessoas acusadas de espionagem para Israel. Doze dias. Setecentas pessoas.
E não parou. Ao longo de 2026, o Irão manteve o ritmo, com detenções, julgamentos e execuções públicas sucessivas.
Setecentas pessoas, num só país, em doze dias, um número que, por si só, revela a escala da rede que o Mossad tinha construído no Irão ao longo de anos.
O Mossad não constrói lealdade, constrói dependência. E a dependência, quando descoberta, transforma-se em execução sumária.
O Mossad continua a gastar o que for preciso (anos, milhões, identidades falsas) para colocar um homem no sítio certo. O Irão responde com vigilância em massa, denúncia popular e tribunais a tempo inteiro.
Israel construiu, ao longo de décadas, uma vantagem tecnológica que parecia incontestável. Hoje, os seus soldados penduram redes de pesca sobre os veículos no sul do Líbano, na esperança de travar drones baratos do Hezbollah. A maior potência militar da região, reduzida a uma defesa de aldeia de pescadores.
E, do outro lado, os seus próprios espiões caem, um a um, nas malhas apertadas da inteligência iraniana.
Se o Mossad, com todo o seu orçamento, aliados ocidentais e impunidade diplomática, está a ser desmontado por um país sancionado, isolado e tecnologicamente inferior, então o que estamos a testemunhar não é apenas uma derrota tática. É o fim da arrogância de uma potência que sempre achou que podia matar e espiar sem consequências.
A máquina que descarta os seus começa, finalmente, a ser ela própria apanhada na rede.
Fonte: Com base em reportagem do The Cradle ("Por dentro da pirâmide de espiões de Israel", 7 de agosto de 2026), com dados adicionais sobre o ataque aos pagers no Líbano, o orçamento do Mossad e as detenções de espiões no Irã.
