Sonia Almada
Célio Antônio Morais
"O Irã virou o jogo contra os Estados Unidos, e isso está deixando Donald Trump em uma situação cada vez mais complicada.
E tem um detalhe que pouca gente percebeu: os Estados Unidos já usaram as três cartas que tinham na manga para driblar a escassez de munição.
A primeira carta foi recorrer aos estoques da Coreia do Sul e do Japão. Parte do material foi redirecionada para manter o ritmo das operações, dando um fôlego temporário.
Quando isso já não era suficiente, veio a segunda carta. Washington desviou um grande carregamento de armamentos que tinha como destino Taiwan. Mais uma vez, ganhou tempo.
Depois veio a terceira e última carta. Os Estados Unidos passaram a buscar munições e interceptadores disponíveis em países europeus, como Alemanha, Espanha e Reino Unido, tentando manter o mesmo volume de operações.
Só que agora o problema é outro.
Não existe mais um estoque fácil de onde retirar equipamentos sem gerar impacto em outro lugar. E, enquanto isso, o Congresso continua sem aprovar novos recursos para recompor os arsenais.
Mas o que realmente mudou foi o comportamento da guerra.
No começo dessa escalada, os Estados Unidos atacavam quando queriam. O Irã respondia. Quando Washington interrompia os ataques, Teerã também reduzia imediatamente suas ações.
Agora o cenário é diferente.
Os Estados Unidos anunciam uma pausa... e o Irã continua atacando.
Trump adia operações, fala em negociação, muda o discurso. Do outro lado, Teerã mantém a pressão militar e segue cumprindo a estratégia que anunciou desde o início.
Na prática, a impressão é que o ritmo da guerra deixou de ser definido por Washington. Hoje, quem dita quando a tensão sobe ou diminui é o Irã.
E é justamente essa mudança que pode ser o maior problema para Trump daqui para frente.
