O RADICAL ERA INFILTRADO DO FBI

Enfim, Ciência Em 2006, o FBI colocou em prática uma operação secreta que acabaria tomando um rumo inesperado. A agência recrutou Craig Monteilh, um personal trainer com antecedentes criminais, para se infiltrar na comunidade muçulmana de Orange County, na Califórnia. Usando o nome “Farouk”, ele fingiu ter se convertido ao islamismo e passou a frequentar mesquitas, incluindo o Islamic Center of Irvine. Monteilh rezava ao lado dos fiéis, participava de encontros, era recebido em suas casas e, enquanto conquistava a confiança da comunidade, gravava conversas escondido. Segundo documentos judiciais, ele carregava dispositivos ocultos e chegou a instalar equipamentos de gravação em diferentes locais para obter informações sobre os frequentadores. Mas a operação começou a sair do controle quando o próprio informante passou a falar repetidamente sobre jihad e violência. As pessoas ao seu redor tentaram inicialmente corrigi-lo, mas seu comportamento acabou parecendo tão preocupante que os fiéis decidiram denunciá-lo como uma possível ameaça. E fizeram a denúncia justamente ao FBI. Em 2007, a preocupação chegou ao ponto de o Islamic Center of Irvine conseguir uma ordem de restrição contra Monteilh. Só anos depois os membros da comunidade descobriram a ironia por trás de tudo: o homem que haviam denunciado como possível extremista era, na verdade, o informante enviado pelo próprio FBI para procurar extremistas entre eles. A revelação deu origem a uma longa disputa judicial envolvendo vigilância religiosa, privacidade e direitos civis, que acabou chegando à Suprema Corte dos Estados Unidos. No fim, uma operação criada para identificar possíveis radicais produziu uma situação quase absurda: para a comunidade investigada, o homem que mais parecia radical era justamente o infiltrado do FBI.