Sandro e Greca fecham chapa, mas racha no Senado deixa Alvaro e Cristina de fora

Alvaro e Cristina são cortados da majoritária, enquanto Greca é confirmado por Ratinho. Foto: Blog do Esmael por Esmael Morais em seu blog A escassos cinco dias do encerramento do prazo regulamentar das convenções partidárias (5 de agosto), o cenário político paranaense viveu nesta tarde de sexta-feira (31) sua definição mais impactante até aqui. Em ato conjunto na sede do MDB do Paraná, ao lado do governador Ratinho Junior (PSD) e do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), o pré-candidato ao Palácio Iguaçu, Sandro Alex (PSD), anunciou formalmente o ex-prefeito da capital, Rafael Greca (MDB), como seu candidato a vice-governador nas eleições de 4 de outubro. Entretanto, a apuração de bastidores nos corredores do Palácio Iguaçu revela que o arranjo majoritário não avançou sobre as duas vagas para o Senado Federal da forma que se projetava originalmente: Recuo de Alvaro Dias (MDB): O ex-senador declinou da corrida ao Senado. Ele não compareceu ao evento sob a justificativa oficial, apresentada pelo presidente estadual do MDB, deputado federal Sergio Souza, de ter ficado acamado devido a uma crise de tosse. Redirecionamento de Cristina Graeml (PSD): A jornalista e pré-candidata não esteve na festa do MDB. Pelos bastidores palacianos, a fórmula acertada é que Cristina concorra a uma vaga na Câmara dos Deputados. Candidatura única com Alexandre Curi (PSD): Com as saídas de Alvaro e Cristina do pálio senatorial, a chapa governista unificará forças exclusivamente em torno do nome de Alexandre Curi (PSD) para a vaga no Senado Federal. Análise política de profundidade 1. O recuo estratégico no Senado: aposta isolada em Alexandre Curi A consolidação da vice para Rafael Greca trouxe alívio e musculatura eleitoral para Sandro Alex, somando a liderança de Curitiba e do MDB estadual. Contudo, a engenharia para o Senado sofreu uma forte desidratação. A desistência de Alvaro Dias (MDB) e a redistribuição de Cristina Graeml (PSD) para a Câmara Federal evitam uma “canibalização” de votos dentro do próprio palanque governista. Nos bastidores, a cúpula do Palácio Iguaçu avaliou que pulverizar votos entre dois nomes fortes enfraqueceria o grupo. Ao afunilar o apoio em Alexandre Curi, o governador Ratinho Junior garante um candidato único com entrada em todas as regiões do estado. Como ressaltou Sandro Alex durante a coletiva, ao defender a importância de Curi no Congresso Nacional: “O Alexandre Curi vai ser o nosso senador da República mais votado. Tanto eu quanto o Rafael Greca, ele não é só o nosso aliado, é o nosso grande amigo e foi o primeiro a trabalhar para que estivéssemos juntos […] Ele vai ser o nosso senador que vai inclusive nos auxiliar, porque hoje o Paraná tem a ausência de um senador que defenda os interesses do Estado.” Sandro lembrou de entraves históricos de infraestrutura, como o impasse no Ibama para a construção da terceira pista do Aeroporto Internacional Afonso Pena (necessária para voos diretos como a rota Curitiba-Lisboa), apontando que Curi terá a missão de fazer a articulação direta em Brasília. 2. A dupla “Sandro-Greca”: aliança de afinações e complementaridade Durante os discursos, Sandro Alex buscou traçar um paralelo entre a sua futura relação com Greca e a dobradinha que marcou a atual gestão do Estado entre Ratinho Junior e Darci Piana. “Rafael Greca não será só um vice-governador, ele vai ser um governador como Darci Piana também foi com Ratinho Junior […] Nós formamos uma grande dupla e vamos dar continuidade a um grande time. Se você tem a realização da área de exatas e prioridade humanas, é esta parceria que faz mover as pessoas. Você é o nosso representante da capital, eu sou representante do interior, mas nós formamos o Paraná.” Sandro também revelou a fusão dos planos de governo. O documento elaborado por Greca, intitulado Paraná Potência, será assimilado na proposta governista com o nome de “Paraná Terceira Potência”, focando no fortalecimento econômico, social e de infraestrutura do estado. Questionado por jornalistas se o acordo era fruto de mera conveniência eleitoral para driblar adversários, Sandro enfatizou se tratar de uma união programática e de afinidade: “Em primeiro lugar, é uma união pelo Paraná, mas também de afinidade […] Nós trabalhamos juntos, construímos juntos, licenciamos juntos e fizemos este Paraná avançar. Nós dois não abrimos mão de ver o Paraná seguir nesse ritmo e nessa velocidade. Nosso lema é: unidos e em paz, retroceder jamais.” 3. O Discurso de Greca: erudição, “Inteligência Original” e o manifesto paranista Fiel ao seu estilo oratório marcado por erudição e referências históricas, Rafael Greca usou da palavra para saudar o Paraná e brincar com os modismos tecnológicos, reafirmando seu compromisso com a gestão pública: “Sandro, pega o plano aí […] Ele não é fake, foi feito por inteligência original. Nós somos filhos do Papa Leão XIII, que diz que inteligência artificial não existe; ela é como uma velha máquina de xerox ou de fax que copiava o que estava escrito. É uma reprodutora […] Tudo o que o homem pensa é o que vira obra quando Deus quer, o homem sonha e a obra nasce.” Greca discorreu sobre gargalos históricos de infraestrutura que a futura gestão pretende enfrentar, citando a duplicação e triplicação da BR-277 em trechos críticos (como o Morro do Chapéu e o Rio das Mortes), a expansão da Ferroeste até Foz do Iguaçu e Guaíra, o contorno ferroviário de Curitiba, e a ampliação das fontes de energia limpa (como o biogás e a energia eólica em Palmas). Sobre a decisão de aceitar a vice-candidatura após ser convidado por Ratinho Junior e Darci Piana em sua própria residência, Greca relembrou a construção conjunta de grandes obras na capital, como o Bairro Novo da Cachimba e a Cidade das Ideias no Vale do Pinhão: “Tradição só vale se houver inovação, senão é família antiga falida que não acerta nada. Agora, família que pode avançar, que pode prosseguir, é a que pela inovação vai mudar o futuro.” 4. Fair Play na campanha e contatos políticos Indagado sobre sua maratona de reuniões recentes e conversas com lideranças como o senador Sergio Moro (PL), Rafael Greca adotou um tom democrático e republicano: “Era um dever meu com todos que me procuravam conversar, porque a democracia se faz através da conversa e do entendimento. Não é segredo que o senador Sergio Moro veio me visitar, eu agradeci a ele pessoalmente […] Como nós não somos inimigos, somos só adversários, acho que isso vai ser o tom inteligente da próxima campanha.” Unidos e em paz? Com o anúncio da chapa Sandro-Greca no MDB e a definição de Alexandre Curi como postulante único ao Senado, o grupo de Ratinho Junior entra na reta final pré-convenções com sua espinha dorsal montada. Resta saber como a oposição irá reorganizar suas peças e de que maneira o eleitorado paranaense absorverá o recuo de figuras tradicionais como Alvaro Dias e a composição entre a capital e o interior rumo a 4 de outubro. Segundo Sergio Souza, presidente do MDB, a chapa completa será oficializada no último dia, qual seja, na quarta-feira, 5 de agosto.