Joana Silva
Verdades e Factos
Perante o silêncio e cumplicidade da União Europeia e a cobertura da grande imprensa, Jon Kokura, sem ambiguidade e sem rodeios, atira uma pedrada no charco com uma visão crítica forte com a qual me identifico. Parabéns!
Jon Kokura (*)
Seja qual for o desfecho da guerra, a serpente nazi que há anos se vem incubando na Ucrânia já quebrou a casca.
Se lhe perguntarem quem foi Hitler, certamente será capaz de desfiar uma infinidade de adjectivos para definir tão sinistro personagem.
Se lhe perguntarem quem foi Fritz Gerlich, responderá: «Não faço ideia».
Fritz Gerlich foi um jornalista e escritor alemão que alertou o seu país para o perigo de Hitler e do partido nazi, 15 anos antes de o caudilho fascista deixar a tremenda cagada em toda a Europa.
Fritz Gerlich conheceu Hitler pessoalmente e cansou-se de denunciá-lo no seu jornal, «Münchner Neuste», como o mau bicho que era… Ninguém lhe deu ouvidos e o jornalista pagou com a vida a sua decidida oposição ao líder nazi.
Foi executado pelos nazis em 1934, no campo de concentração de Dachau. Gerlich tinha 51 anos.
Cinco anos depois da sua morte começou o horror que tanto denunciara. Hitler iniciava a 2.ª Guerra Mundial.
Na minissérie de TV «Hitler: A Ascensão do Mal», uma das personagens é Fritz Gerlich: o jornalista que dizia a verdade que ninguém quis ouvir.
À serpente nazi há que esmagá-la quando ainda está a incubar. Uma vez quebrada a casca, é sempre tarde.
Há anos que o nazismo se vem desenvolvendo na Ucrânia, perante o silêncio e a cumplicidade da União Europeia.
Chamam-se a si próprios «Batalhão Azov», «C-14», «Patriota da Ucrânia», «Pravy Sektor» (sector direito), «Corpo Nacional», «Partido Svoboda» (liberdade), etc.
Todos eles professam e partilham a doutrina nazi.
Não são «neonazis». São nazis e declaram-no com orgulho e de forma desafiante.
Você dirá: «São centenas de loucos, nada mais. Não podemos estigmatizar todos os ucranianos por causa de uma patota de nazis que marcha pelas ruas ostentando suásticas».
Engana-se. São milhares e milhares os ucranianos adeptos da ideologia nazi. E tiveram tempo e espaço para se entrincheirarem nos altos e médios comandos do exército da Ucrânia.
Por isso são eles que mandam nesta guerra.
Zelensky têm-no para fazer discursos para a televisão, umas vezes a choramingar, outras a fazer-se de matão do bairro.
Tampouco são loucos, improvisados ou «nazis de merda» que um dia leram «A Minha Luta» e, no dia seguinte, tiram selfies fazendo a saudação fascista.
Os nazis ucranianos têm uma ideia sólida do que querem e exprimem-na assim:
«Liderar as raças brancas do mundo, numa cruzada final contra os untermenschen (sub-humanos) liderados pelos semitas» (textual).
A cruzada nazi ucraniana não é um movimento hierárquico. Tem várias frentes e vários líderes, mas todos perseguem o mesmo objectivo a longo prazo.
Um dos seus líderes é o tenente-coronel da polícia da Ucrânia (uma espécie de Gestapo), Andriy Biletsky.
Um nazi de 43 anos que, aos 22, se licenciou com distinção na Faculdade de História da Universidade de Kharkiv.
E, aos 31 anos, numa entrevista que deu em 2010, dizia o seguinte:
Uma guerra com a Rússia era inevitável, porque a futura «Grande Nação Ária» na Europa, que denominou Eixo Báltico-Mar Negro, precisava dos recursos naturais da Rússia.
Soa-lhe a gás, petróleo e trigo, que hoje estão pelas nuvens…?
Na fotografia dos ários, lindos e brancos, o tenente-coronel Biletsky incluiu o Irão, porque os persas também são ários… e têm petróleo. E também juntou à fotografia 50 milhões de russos que são brancos e de qualidade (textual).
Ou seja, 100 milhões de russos ficaram de fora da fotografia. Não são branquinhos de olhos azuis… Veja lá.
O tenente-coronel nazi, na entrevista, deu umas alfinetadas à Alemanha, quando disse que os nazis ucranianos não tinham complexo algum por serem fãs de Hitler.
Por isso desfilam pelas ruas de Kiev, gritando: «Sieg Heil!» (viva Hitler), «Hitler Jugend!» (Hitler eterno) e outros cânticos nefastos contra judeus e imigrantes que, por decência, não vou reproduzir.
Por isso têm dezenas de acampamentos infantis (Azovets), onde se incute nas crianças a doutrina nazi e se lhes ensina o uso de armas, tácticas de guerra e disciplina militar.
Tudo isto à vista e com a complacência da União Europeia, a mesma que te mete na prisão se te virem com um retrato de Hitler debaixo do braço.
E também perante o olhar passivo e a cumplicidade dos próprios ucranianos, que permitiram que bandos de extrema-direita se apoderassem das suas vidas e do seu país, ao ponto de permitirem que a filosofia racista fosse incutida nos seus filhos.
90% dos meios de comunicação «ocidentais e cristãos». Desde a Disney até à Wagner, CNN, Fox e aos canais de desporto e entretenimento, estão nas mãos de consórcios financeiros sionistas. A família Rothschild, por exemplo.
A pergunta é: «Por que ocultam, ignoram, disfarçam e até aplaudem os nazis da Ucrânia…?»
«Será porque o negócio é a guerra e não importa pactuar com o diabo se for necessário…?»
Segundo Biletsky, o tenente-coronel nazi da Ucrânia, as suas projecções de uma «Grande nação ariana na Europa» são para muito longo prazo.
Num futuro sombrio, as crianças brancas e loiras dos acampamentos nazis Azovets serão as que encerrarão milhares de «sub-humanos» em campos de concentração.
Estamos condenados a repetir a história…
Houve um tempo em que um jornalista honesto e corajoso, chamado Fritz Gerlich, denunciava Hitler, quando este ainda se reunia numa cervejaria piolhenta com dezenas de fascistas que começavam a admirá-lo.
Quando a serpente ainda aninhava dentro da casca.
A Gerlich ninguém o escutou. E pagou com a vida o que estava diante dos olhos… Mas ninguém quis ver.
(*) Jon Kokura é um autor de opinião e comentador que publica textos de cariz geopolítico e crítico em meios alternativos de língua espanhola, nomeadamente na chilena Revista De Frente. Os seus artigos, geralmente de tom polémico e anti-imperialista, circulam também em sites de esquerda da América Latina e do Brasil.
