A dupla moral da mídia hegemônica quando o assunto é Palestina, Irã ou Rússia.

por Sayid Tenório no Al-Quds Global A ONU aponta crimes de guerra dos EUA no Irã. E agora? Onde estão os jornalistas e comentaristas que, diante do ataque à escola de Minab, correram para fabricar dúvidas sobre a responsabilidade norte-americana? Antes de cobrar explicações dos Estados Unidos, sugeriram que poderia ter sido o próprio Irã ou até um míssil dos EUA desviado pela defesa iraniana. Quando o agressor é aliado do Ocidente, a dúvida vira escudo. A regra parece simples. Se Rússia ou Irã atacam, primeiro se acusa e depois se investiga. Se EUA ou “Israel” atacam palestinos ou iranianos, primeiro se relativiza, depois se reproduz a versão militar do agressor e, quase nunca, se volta ao assunto quando surgem novas evidências. Gaza escancarou esse método. Hospitais e escolas eram destruídos, civis morriam, e alegações sobre “túneis do Hamas” frequentemente ganhavam destaque imediato, enquanto as vítimas palestinas eram submetidas a um interminável tribunal de credibilidade. Isso não é rigor jornalístico. É um duplo padrão que ajuda a legitimar guerras e a administrar politicamente suas vítimas. Para os adversários do Ocidente, suspeita vira manchete e condenação; para os EUA e “Israel”, até diante de graves acusações, multiplicam-se condicionais, dúvidas e justificativas. Quando a imprensa escolhe quem merece presunção de inocência e quem merece condenação antecipada, ela deixa de apenas narrar a guerra. E passa a participar da disputa de narrativas que a sustenta.
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