por Hilton Aquino
A jogada ensaiada da extrema-direita para usar o STF como palanque eleitoral acaba de bater de frente com a realidade dos fatos. André Mendonça, o ministro "terrivelmente evangélico" alçado ao cargo para blindar a família Bolsonaro, tentou sentar em cima do processo, manipular o calendário da Polícia Federal e soltar vazamentos a conta-gotas na reta final da campanha para emparedar adversários. Só esqueceu que, no Supremo, a porteira que passa boi passa boiada: Gilmar Mendes escancarou a manobra e exigiu que as mensagens envolvendo o filho de Nunes Marques e os esquemas do Banco Master também venham a público.
A indignação seletiva dos bolsonaristas é de um cinismo constrangedor. Quando a investigação mirava apenas desafetos do clã, faziam festa e batiam tambor nas redes sociais; agora que a apuração ameaça puxar o fio dos seus próprios apadrinhados, o pânico toma conta dos bastidores de Brasília. Manipulação de inquérito com viés eleitoreiro não é justiça, é molecagem de conveniência. Se é para abrir a caixa-preta das relações com o sistema financeiro, que se abra por inteiro, doa a quem doer, sem blindagem de compadrio para os indicados do "mito".
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