Advogado de Vorcaro e lobista pró-“israel” vai à Justiça contra presidente licenciado da FEPAL e candidato a deputado federal Ualid Rabah
Daniel Bialski, assessor da Presidência e advogado da CONIB, além de ter sido vice-presidente da entidade entre 2021 e 2023. (Foto: Reprodução)
Presidente licenciado da FEPAL diz que existe uma clara tentativa de interferência do sionismo na eleição presidencial e ação de Bialski está relacionada também ao PL da Mordaça de Tabata Amaral
FEPAL
Daniel Bialski, membro da Confederação Israelita do Brasil (CONIB) e recentemente contratado como advogado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, entrou com uma ação na Justiça Eleitoral a fim de censurar um vídeo publicado por Ualid Rabah, presidente licenciado da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL).
Rabah questiona, no vídeo, “por que ninguém está falando que o advogado do Vorcaro é o advogado também da CONIB”. Em seguida, apresenta um depoimento de Bialski a um programa de TV em que ele afirma ter feito nove viagens a “israel” desde 7 de outubro de 2023, levando consigo “políticos, jornalistas, influencers” e, também, “membros do Poder Judiciário”. Em janeiro de 2024, o ministro do STF André Mendonça viajou para “israel” com tudo pago pela CONIB, entidade de Bialski.
Também candidato a deputado federal pelo PT no Paraná, Rabah relaciona a contratação de Bialski por Vorcaro à nova etapa da crise no Supremo Tribunal Federal, especialmente à atuação do ministro André Mendonça, com quem Bialski desfrutaria de “bom trânsito”, segundo reportagens na imprensa brasileira, e à possível interferência dessa crise no processo eleitoral, destacando o conjunto de interesses do regime israelense em impedir a reeleição do presidente Lula, incluindo a participação virtual do primeiro-ministro de “israel”, Benjamin Netanyahu, no evento de lançamento de campanha de Flávio Bolsonaro.
Na peça judicial, Bialski acusa Rabah de cometer abuso da liberdade de expressão e propaganda eleitoral irregular. Segundo o autor, o candidato teria promovido “discurso de ódio” e “antissemitismo”, que Bialski associa ao antissionismo, além de “desinformação” e “graves ofensas à sua honra”.
Na peça, Bialski usa como exemplo a associação com uma interferência eleitoral de interesse de “israel”, termos usados no vídeo, como “vassalos de ‘israel’” (embora não em referência a Bialski) e o uso de legendas em caixa alta para justificar seu pedido de retirada do vídeo do ar em todas as redes sociais e plataformas de Internet.
“Ele (Bialski) pode até ser menos advogado que lobista, mas não ignorante o suficiente para deixar de saber que não cometi antijudaísmo, que ele, incorretamente, designa como ‘antissemitismo’, pois em nenhum momento referi à sua condição religiosa ou cultural. Agora se ele acha que não poder ser acusado de lobista de um regime genocidário, o de ‘israel’, porque é professante de um dado credo religioso, isto é, está blindado de qualquer acusação por esta condição, bem, aí é outra coisa, até mais grave que sua condição de negacionista do genocídio palestino cometido pelo regime sionista”, replica Rabah, em declaração ao site da Fepal.
Rabah afirma ainda que o advogado de Vorcaro e o sionismo de que é adepto querem, ineditamente, aplicar na prática o que a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) pretende com seu Projeto de Lei 1424/20256, que torna “antissemitismo” acusações ao regime israelense e ao sionismo, aos seus crimes enquanto estado colonial e de apartheid, promovidos na Palestina Ocupada. “Denunciar o genocídio em Gaza entra nesta criminalização”, acusa Rabah.
“E mais: como só acuso de capanga de ‘israel’ (André) Mendonça, o lobby sionista quer impor a regra absurda de tornar ‘antissemitismo’ acusar não-judeus que servem ao sionismo e ao regime israelense”. Rabah se refere ao § 1º do Art. 2º do PL 1424/2026, segundo o qual seria “antissemitismo” manifestações “retóricas e físicas” contra “indivíduos judeus e não-judeus”. “Ora, aí fica claro que o objetivo nunca foi proteger judeus de antijudaísmo, mas blindar capangas de ‘israel’ que defendem suas políticas e fazem lobby para este estado estrangeiro no Brasil”, contesta Rabah. “Acusar Flávio Bolsonaro de office boy do sionismo é, por acaso, ‘antissemitismo’? Bem, pela regra da mordaça sionista de Tabata Amaral, entraria, no caso de acusar não-judeus que apoiam ‘israel'”, completa.
O presidente afastado da FEPAL reforça a mensagem central do vídeo que Bialski busca censurar: “há uma clara tentativa de influência dos Estados Unidos e do sionismo para impedir a reeleição do presidente Lula.” A ação judicial de Bialski, assim, poderia ser parte da “ação coordenada do bolsonarismo com Donald Trump e o sionismo para eleger Flávio Bolsonaro”.
Como se trata de uma Notícia de Fato, já que o autor não é um partido ou um candidato, que teriam legitimidade direta para ajuizar a ação sozinhos perante o tribunal, ele recorre ao Ministério Público Eleitoral para que o órgão oficial adote a medida e assine a representação.
Bialski pede ainda a aplicação de uma multa eleitoral e o deferimento de uma medida cautelar preventiva para proibir que Rabah ou a FEPAL voltem a publicar novos vídeos com o mesmo teor, sob pena de multa diária.
A Juíza Auxiliar Adriana de Lourdes Simette, do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), negou o pedido imediato feito por Bialski, de mandar retirar o vídeo e punir o candidato, pois aquele não era o caminho legal correto, uma vez que não poderia, conforme a legislação, decidir sobre a remoção de conteúdo de forma rápida e sumária por meio de uma simples notícia.
O caso então foi enviado ao Ministério Público Eleitoral, que afirmou que analisará o caso para avaliar se é grave o suficiente para que ele próprio entre na Justiça com uma representação eleitoral contra Rabah.
“Como a única coisa que denunciamos é a ação de lobby e tráfico de influência para beneficiar o banqueiro do Master, André Mendonça e sua interferência, como bolsonarista, nas eleições, penso que o MP arquivará essa ilação, talvez até com advertência ao peticionante Bialski”, prevê Rabah.
