Considerar que o surto de Ebola está sob controle seria um erro, alerta Médicos Sem Fronteiras

Embora alguns indicadores apontem melhora, o vírus continua avançando para regiões da RDC com recursos limitados para diagnóstico, tratamento e controle da doença. Bunia, República Democrática do Congo – 17 de setembro de 2026. A corrida para conter o surto da doença do vírus do Ebola está longe de terminar, alerta Médicos Sem Fronteiras (MSF). Embora alguns indicadores, como a queda nas internações de pacientes e a desaceleração da transmissão, possam sugerir que o surto está perdendo força, as equipes de MSF observam uma tendência preocupante: a doença avança em novas áreas que não estão adequadamente preparadas para enfrentar a crise. Ao mesmo tempo, medidas essenciais de resposta ainda não foram plenamente implementadas nos focos originais da epidemia, o que dificulta os esforços de contenção e aumenta o risco de novas cadeias de transmissão. “Pressupor que o surto está sob controle porque alguns Centros de Tratamento de Ebola estão recebendo menos pacientes seria um erro”, afirma Anthony Kergosien, coordenador de emergências de MSF na RDC. “Em Ituri, o epicentro original, a propagação está de fato desacelerando por enquanto. Mas o número de novos casos no país não caiu. O surto não está diminuindo, está se deslocando. A província de Ubangi do Sul tornou-se a sétima afetada, enquanto Kivu do Norte agora responde por quase metade de todos os novos casos confirmados, com o número de testes positivos aumentando acentuadamente nos últimos dias. Ao mesmo tempo em que cadeias de transmissão não detectadas continuam se estabelecendo, o avanço do surto para regiões com capacidade de resposta ainda mais limitada aumenta significativamente o risco de disseminação da doença." A República Democrática do Congo (RDC) atualmente enfrenta o maior surto da doença do Ebola já registrado no país. Desde maio, mais de 7.200 casos confirmados e 3.500 mortes foram reportados, embora o impacto real provavelmente seja maior devido a falhas na vigilância epidemiológica e na detecção de casos. Para garantir que a resposta seja a mais eficaz possível, MSF está mobilizando profissionais e recursos para equipes de resposta rápida. Essas equipes atuam na detecção precoce da doença, no acompanhamento e tratamento de pacientes, bem como em ações de prevenção e controle de infecções, rastreamento de contatos, vigilância epidemiológica e engajamento comunitário.
“Essa estratégia busca detectar e tentar conter novos focos de infecção, antes que eles se transformem em grandes surtos”, explica Anthony Kergosien. “Em zonas de saúde como Bambu, onde atualmente temos uma equipe de resposta rápida em atuação, os sistemas de saúde já estão sobrecarregados por lacunas crônicas de financiamento, escassez de profissionais e limitação da capacidade de encaminhamento de pacientes. O Ebola leva essas estruturas frágeis para além dos seus limites. Nossas equipes atuam na linha de frente para suprir as necessidades mais urgentes enquanto a resposta é ampliada.” No entanto, as equipes de MSF sozinhas não conseguem responder à expansão contínua deste surto. Manter essa estratégia exige um aumento significativo do apoio operacional por parte das agências das Nações Unidas, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS). É urgentemente necessária uma atuação mais ágil e abrangente, capaz de fortalecer todos os pilares da resposta ao Ebola, especialmente nas áreas fora dos principais centros, onde a capacidade de resposta está concentrada. Esse apoio permitiria que as equipes de MSF se concentrassem na rápida mobilização para novos focos emergentes, garantindo ao mesmo tempo que as comunidades afetadas recebam toda a gama de serviços necessários para conter o surto.