EUA e a intervenção nas eleições brasileiras

| Crédito: Angela Weiss/AFP por Emiliano José no Pátria Latina Não há nada submerso, não há nenhuma dissimulação: os EUA mostram-se dispostos a seguir no rumo de transformar, ou de garantir a condição de quintal desse continente denominado América Latina, ancorado, como o próprio império afirma, na Doutrina Monroe, formulada lá pelo início do século XIX. Por tal disposição, mostram-se empenhados em interferir nas eleições brasileiras, transformadas, por isso mesmo, nas mais importantes de nossa história. Trump promove essa perseguição com discursos obviamente falsos, como já ficou evidente, por exemplo, na aplicação das tarifas pedidas e acatadas pelo filho do ex-presidente condenado pela intentona golpista, quando se revelou serem os EUA superavitários na relação comercial com o Brasil. Das tantas perseguições, acresça-se agora a articulada por ele, reunindo os governos de extrema-direita na conspiração destinada a atacar a soberania brasileira, pretendendo uni-los no combate às organizações do crime organizado no Brasil, como se tivessem direito a isso. Ao determinar a organização do chamado “Escudo das Américas”, em março deste ano, Trump visava obviamente deixar no ar, nem sempre no ar, o espectro da intervenção dos EUA no continente, cuja demonstração manu militari ele havia feito com o sequestro e prisão do presidente Nicolás Maduro e da mulher dele, Cília Flores. É como se quisesse evidenciar, com aquele atentado terrorista contra a soberania venezuelana, todo o poder discricionário concentrado no império, a não considerar mais nada quanto ao direito das nações. O combate ao crime organizado, necessário e fundamental, como o presidente Lula tem ressaltado, é papel de cada nação, sem desprezar de modo nenhum a colaboração com outros países, como o Brasil tem insistido. Tal combate, no entanto, não dá o direito de intervenção de um país sobre outro, como ficou manifestado no discurso recente do mandatário brasileiro na ONU. Aos EUA caberiam políticas públicas capazes de retirá-lo da condição de maior consumidor de drogas do mundo. O império não tem nenhuma autoridade para falar de combate às substâncias consideradas ilícitas, até porque enfrenta uma grave, enorme crise de saúde pública relacionada a opioides, como o fentanil. Tem demonstrado, à saciedade, enorme incapacidade de enfrentar o problema. Para opinar, e só opinar, sobre a luta contra o crime organizado voltado à produção de drogas, deveria, primeiramente, fazer o dever de casa, e não pretender intervir em outras nações. O Brasil sabe como enfrentar o problema e nunca se esquivou de colaborações. Não aceita, no entanto, ser quintal de ninguém, como ressaltado pelo presidente Lula, insista-se, no memorável discurso dele na ONU, no dia 22 de setembro deste ano. Sabemos, no entanto, não se tratar efetivamente de combate ao narcotráfico. O buraco é mais embaixo. Os EUA, e eles chegaram a dizer isso abertamente, fixaram o retorno à Doutrina Monroe como objetivo, e não escondem a pretensão de ter a América Latina como simples quintal. E nessa quadra histórica, pretensão infelizmente apoiada entusiasticamente por governos de extrema-direita, submissos às determinações imperiais. Tudo tem a ver com o domínio imperial, com a vocação imperialista, marcada, nesse momento, não só pelo reforço à dominação da América Latina, incluindo-se aí a violência inominável contra Cuba, como também a agressão ao Irã, onde já foi derrotado, e o genocídio praticado em Gaza. O presidente Lula condenou duramente o massacre em Gaza, o crime contra Cuba, no discurso dele da ONU. Disse da luta pela paz e contra a fome. E insistiu na defesa da soberania das nações, mirando naturalmente o direito à realização de eleições livres no Brasil, sem nenhuma intervenção estrangeira, ao contrário do desejado pelo adversário, cuja posição é de absoluta subalternidade, rastejando diante do império. A cidadania brasileira garantirá as eleições e a vitória de Lula. Para que não retornemos à barbárie. E para seguirmos como nação capaz de atender às necessidades do nosso povo, e sempre soberana, de cabeça erguida. Vamos vencer! #vitóriacontraimperio