Gleisi dispara contra Deltan e Filipe

Filipe, Gleisi e Deltan no centro do ringue. Fotos: reprodução Gleisi Hoffmann (PT) foi a candidata que mais concentrou confrontos diretos no debate da Band Paraná nesta quarta-feira (9), transformando a disputa pelo Senado em uma sequência de ataques contra Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e Cristina Graeml (PSD). As frases mais duras da petista atingiram a situação eleitoral de Deltan, a atuação de Filipe nas bets e a relação dos adversários com Jair Bolsonaro. O embate mais explosivo ocorreu com Deltan. Ao ser questionada sobre as chamadas saidinhas de presos, Gleisi desviou o foco para a situação eleitoral do ex-procurador da Lava Jato e afirmou que ele era “inelegível e ficha suja”, além de acusá-lo de ter deixado o Ministério Público Federal para escapar da Lei da Ficha Limpa. A resposta veio imediatamente. Deltan afirmou que a Justiça Eleitoral havia reconhecido sua elegibilidade em decisão tomada em 8 de setembro, véspera do debate. A discussão terminou com a concessão de direito de resposta ao candidato do Novo, que utilizou um minuto para rebater os ataques da petista. A “saidinha” de Deltan no TRE-PR Gleisi voltou ao assunto no decorrer do debate e ironizou a situação de Deltan depois da decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) que aprovou o registro de sua candidatura. A provocação explorou justamente a contradição entre a ofensiva política da petista e a decisão judicial favorável ao adversário. A decisão do TRE-PR, tomada por 4 votos a 3 em 8 de setembro, autorizou a “saidinha” de Deltan para disputar o Senado, embora a controvérsia ainda pudesse chegar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A coligação que contestou o registro anunciou a intenção de recorrer. A questão eleitoral virou, assim, uma das principais armas de Gleisi contra Deltan. O assunto também permitiu ao candidato do Novo responder usando a própria decisão judicial como contraponto às acusações feitas durante o programa. O efeito político foi imediato: a discussão que começou com segurança pública e saidinhas terminou centrada na elegibilidade de Deltan, na Lava Jato e no histórico de confrontos entre PT e o ex-procurador. Gleisi chama Filipe de “chaveirinho” de Bolsonaro O segundo alvo recorrente de Gleisi foi Filipe Barros. O embate ganhou temperatura durante a discussão sobre as bets, quando a petista associou o deputado ao bolsonarismo e o chamou de “chaveirinho” de Jair Bolsonaro. A provocação buscou atingir justamente o principal ativo eleitoral de Filipe: a identificação com o campo político do ex-presidente. O deputado, por sua vez, respondeu atacando o governo Luiz Inácio Lula da Silva e sustentando que o PT teria interesse em manter a população endividada. Gleisi rebateu afirmando que as bets chegaram ao governo Lula já legalizadas e desregulamentadas e que existe resistência política à proibição. O tema voltou a provocar direito de resposta para a petista, que aproveitou o espaço para atacar Filipe e cobrar sua atuação durante o governo Bolsonaro. O confronto mostrou que a disputa pelo Senado não se limitou à esquerda contra a direita. Gleisi tentou atingir Filipe justamente dentro do eleitorado conservador, questionando sua autonomia política e sua proximidade com Bolsonaro. Cristina também entrou na mira Com Cristina Graeml, Gleisi adotou outro tipo de confronto. As duas candidatas bateram de frente sobre feminicídio, políticas para mulheres e os números da violência no Paraná. Gleisi questionou quais propostas Cristina apresentaria para enfrentar a violência doméstica e o feminicídio. Cristina respondeu defendendo medidas como castração química para autores de crimes sexuais, redução da maioridade penal e equiparação de facções criminosas a organizações terroristas. A petista contestou os dados apresentados pela adversária e puxou Jair Bolsonaro para o centro do confronto ao recuperar declarações atribuídas ao ex-presidente sobre mulheres. Cristina reagiu defendendo Bolsonaro e afirmou que ele chegou a tentar levá-la para o PL antes de sua candidatura pelo PSD. Também reafirmou sua ligação política com o governador Ratinho Junior. As frases viraram estratégia eleitoral As tiradas de Gleisi tiveram uma função clara no debate: transformar adversários diferentes em alvos de uma mesma narrativa eleitoral. Com Deltan, a petista explorou a Lava Jato e a controvérsia sobre a elegibilidade, sugerindo que o TRE autorizou uma “saidinha” para concorrer sub judice ao Senado. Com Filipe, mirou a proximidade com Bolsonaro e a discussão sobre as bets. Com Cristina, levou a disputa para feminicídio, direitos das mulheres e a relação com o ex-presidente. O resultado foi um debate em que as frases de efeito passaram a ter consequência imediata. O ataque a Deltan produziu direito de resposta. A discussão sobre as bets gerou nova resposta para Gleisi. E o confronto com Cristina ampliou a disputa para o eleitorado feminino e para o legado político de Bolsonaro. A Band registrou 25 pedidos de direito de resposta durante o programa e deferiu oito. O número dimensiona o grau de tensão de uma disputa que envolve apenas duas vagas ao Senado pelo Paraná. O próximo capítulo será justamente medir quais dessas frases sobreviverão ao debate e chegarão às redes sociais, aos programas eleitorais e à campanha de rua. No primeiro confronto televisivo entre os seis candidatos, Gleisi deixou claro que pretende disputar voto atacando diretamente os adversários e obrigando-os a responder. Continue acompanhando pelo Blog do Esmael a dramática disputa pelas duas vagas ao Senado no Paraná.