por José Gil*
O comício de Lula na Rua XV ontem, dia 12, surpreendeu a todos. Mesmo com avisos metereológicos de tempo ruim e risco de temporal, mais de 25 mil pessoas se aglomeravam no entorno da Boca Maldita, ocupando quase 4 quarteirões, para ouvir as propostas do presidente Luis Inácio Lula da Silva nesta campanha eleitoral.
Muito aplaudido, Lula falou sobre as conquistas de seus governos na criação de universidades e Institutos Federais de Educação, mais de 360, enquanto o governo fascista anterior não criou nenhuma. Citou a dominação espanhola, quando os espanhóis construiram na América Central a primeira universidade das Américas após 20 anos de dominação, enquanto a monarquia e governos no Brasil levaram mais de 200 anos para criar a primeira universidade no país, demonstrando que a falta de investimentos em educação é um projeto de dominação das elites retrógradas e reacionárias. Lula falou que se sente feliz ao constatar que em seus governos o filho do operário, do pedreiro, da doméstica, estão concluindo cursos superiores.
Lula citou dados estatísticos sobre o aumento de empregos em seus governos, confirmando uma política de defesa dos interesses nacionais do povo brasileiro, e não de uma minoria parasitária das elites apátridas.
Um dos momentos em seu discurso que tirou lágrimas dos olhos de milhares de participantes, foi quando ele contou a experiência de sua mãe, mulher abandonada pelo marido, que criou 8 filhos. Ele lembrou que em seu primeiro emprego, ainda um adolescente, ele separava a carne da marmita fornecida pela empresa para entregar a sua mãe e irmã, que não comiam carne por falta de dinheiro, e lembrou: "Na minha infância, havia dias em que havia comida, e havia dias em que não havia comida. Nesses dias minha mãe dizia "hoje não temos comida, mas amanhã teremos"! Por isso, afirmou Lula, "as políticas sociais do nosso governo privilegiam as mulheres, os programas de casas populares privilegiam as mulheres, porque são elas que criam os filhos quando muitos maridos ou companheiros as abandonam".
A primeira dama Janja, paranaense, fez um belo discurso sobre o trabalho do governo Lula na defesa dos direitos das mulheres, e foi também bastante aplaudida.
Também discursaram Gleisi Hoffmann, Requião Filho, Dr. Rosinha, entre outros.
O esquema de segurança foi rígido mas não ostensivo. Milhares de pessoas não conseguiram lugar nas proximidades do palco porque havia filas enormes para adentrar ao local. Filas que davam a volta em 3 ou 4 quarteirões.
A segurança se justificava pelo vergonhoso histórico político em nosso Estado. No passado, a caravana de Lula foi alvejada a tiros ao passar pelo Paraná e até hoje as autoridades não descobriram os autores do atentado terrorista que poderia ter vitimado várias pessoas.
Foi no Paraná que uma banda podre do Judiciário cometeu muitas irregularidades para impedir a reeleição de Lula em 2018: condenado a cumprir 580 dias de prisão na PF, sendo totalmente inocente, e uma das figuras mais respeitadas e admiradas mundialmente.
Um dos participantes desse crime que impediu o povo brasileiro de votar naquelas eleições - mergulhando o país numa das maiores crises econômicas e sanitárias de sua história - o ex-juiz Sergio Moro, participou do comício de forma indireta, ao lado de amigos no Bar Stuart.
* José Gil, o autor, é ex-presidente do Conselho de Segurança do Bairro Água Verde e ex-presidente do Conselho Nacional de Cineclubes


