por Miguel Szymanski
Hoje não sou português nem alemão, não sou austríaco, italiano ou polaco.
Um cidadão do mundo não assiste, calado e passivo, ao discurso de assassinos e genocidas quando as suas vítimas estão, neste momento e amanhã, a morrer em hospitais, mutiladas, sem casa, perseguidas, torturadas ou já enterradas, às dezenas de milhares, na Palestina, no Líbano, na Síria, no Iraque e no Irã.
Hoje sou um europeu espanhol, irlandês e esloveno, sou um africano moçambicano ou angolano, sou um americano brasileiro e peruano, sou um asiático usbeque ou malaio e sou mais meia centena de nacionalidades.
Cadeiras vazias são o gesto de protesto mínimo contra milhares de crianças assassinadas, enterradas em cemitérios em terra batida ou desaparecidas debaixo de montanhas de entulho dum país bombardeado e em ruínas.
Só lamento muito não terem também abandonado a grande sala quando discursou o outro criminoso de guerra, cúmplice genocida e terrorista de estado, um criminoso condenado, um autocrata acusado de violação e suspeito de atos de pedofilia.
