segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Como roubar 19 bilhões dos paranaenses e ficar impune?


Esta matéria é parte da série de artigos revelando o maior roubo na história do Paraná, a quebra do Banestado no governo Jaime Lerner, quando verdadeiras quadrilhas organizadas, dentro e fora do Banestado, com o apoio de autoridades, promoveram um rombo nas contas públicas, deixando para os paranaenses pagarem a conta até 2029, algo em torno de 52 milhões de reais mensais, ultrapassando a soma de 19 bilhões ao final.
A quebra do Banestado, e sua venda ao Banco Itaú, foi uma tramóia para enrriquecer alguns poucos e enganar todo o povo do Paraná. Dinheiro de impostos que deveria estar sendo aplicado em educação, habitação, segurança, está sendo usado para pagar a roubalheira de pessoas ligadas ao ex-governador Jaime Lerner.
Citando fatos publicados no livro “Histórias sobre Corrupção e Ganância”, do corajoso jornalista Wilson J. Gasino, destacamos a seguir mais uma das muitas operações que fraudaram os paranaenses.
Diversos políticos famosos - alguns com mandatos até hoje - e grandes empresas do nosso estado se beneficiaram com a roubalheira no Banestado. A chamada grande imprensa silenciou covardemente sobre fatos gravíssimos, para se beneficiar do dinheiro que jorrava sem controle.
Entre as centenas de casos escandalosos, podemos citar a denúncia ao Juízo da 2º Vara Federal Criminal de Curitiba: os advogados Fausto Pereira de Lacerda e Milton João Bettenheuser Júnior, ambos funcionários do Banestado e também colaboradores credenciados para cobranças do banco, exercendo a mesma função dentro e fora do banco, recebendo duplamente para isso e tendo a facilidade de controlar todo o processo de cobrança.
“Esses dois funcionários tiveram participação decisiva na seleção dos créditos que seriam repassados ao Banco Itaú e à Agência de Fomento do estado do Paraná no processo de privatização. Fausto de Lacerda era advogado da empresa de cobrança Rio Paraná e Milton Bettenheuser passou a ser após a privatização do Banco. A Rio Paraná, foi, após a compra do Banestado pelo Itaú, a empresa encarregada de cobrança dos créditos pendentes. Milton chefiava o Departamento Jurídico do Banestado no processo de saneamento preparatório para a Privatização e Fausto. que também dirigiu esse Departamento, foi Diretor de Reestruturação em Privatização, além de Consultor Jurídico da Presidência.
Um exemplo de como esse esquema pode beneficiar empresas devedoras, funcionários da área de cobrança e o próprio Banco Itaú em detrimento do Banestado e do povo do Paraná, é o caso da Fortuna Factoring e Arrendamento Mercantil Ltda. Essa empresa tinha dívidas da ordem de R$ 2,5 milhões com o Banesta-do. Esse montante foi assumido como perda pelo banco no período de privati-zação e constou como valor podre de venda para o Itaú.
No entanto, após a privatização, a Fortuna quitou o valor da sua dívida por R$ 800 mil junto ao Itaú e à Rio Paraná, ou seja, 30% do valor. Para a Fortuna foi uma economia de R$ 1,7 milhão e para o Itaú e a Rio Paraná um lucro de R$ 800 mil sobre um valor comprado como podre. Para o Banestado (leia-se povo do Paraná) porém, representou a perda do valor financiado de R$ 2,5 milhões.
“Além disso, há o aspecto político envolvido, já que o avalista da Fortuna era o ex-presidente do Partido da Frente Liberal (PFL) no Paraná, João Elísio Ferraz de Campos, correligionário do ex-governador Jaime Lerner.”
A CPI do Banestado na Assembléia Legislativa do Paraná avaliou uma pequena amostragem de créditos herdados pela Rio Paraná após a privatização e foram encontrados muitos casos onde dívidas gigantescas foram quitadas por em média 10% do seu valor.
É para isso que os paranaenses pagam impostos? Para que quadrilhas lideradas por políticos que compram a imprensa e a opinião pública, roubem impunemente?

Continua na próxima edição.

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